{"id":1003,"date":"2023-03-21T16:22:20","date_gmt":"2023-03-21T19:22:20","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1003"},"modified":"2023-03-21T16:22:20","modified_gmt":"2023-03-21T19:22:20","slug":"tst-banco-e-responsavel-por-nao-adaptar-condicoes-e-metas-para-empregado-com-deficiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/tst-banco-e-responsavel-por-nao-adaptar-condicoes-e-metas-para-empregado-com-deficiencia\/","title":{"rendered":"TST: Banco \u00e9 respons\u00e1vel por n\u00e3o adaptar condi\u00e7\u00f5es e metas para empregado com defici\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho reconheceu a responsabilidade do Ita\u00fa Unibanco S.A. pelo transtorno depressivo recorrente desenvolvido por um banc\u00e1rio com defici\u00eancia. Ele trabalhava nas mesmas condi\u00e7\u00f5es dos demais empregados, sem adapta\u00e7\u00f5es e com a mesma exig\u00eancia de produtividade, e ficou demonstrado que a doen\u00e7a tinha rela\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas<\/strong><\/p>\n<p>O banc\u00e1rio fora contratado na cota de pessoas com defici\u00eancia e, entre outras limita\u00e7\u00f5es, tinha dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o e de movimento nos dedos. Ele disse, na reclama\u00e7\u00e3o trabalhista, que, apesar disso, o banco lhe exigia a mesma produtividade dos demais e era discriminado pelos colegas e pela chefia com chacotas e brincadeiras depreciativas. Tamb\u00e9m relatou que o ambiente de trabalho e o mobili\u00e1rio n\u00e3o eram adaptados \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es. Dependendo da \u00e9poca, tinha de subir escadas ou permanecer por longos per\u00edodos em p\u00e9.<\/p>\n<p>Segundo ele, essas condi\u00e7\u00f5es e o ambiente hostil foram fatores desencadeantes de transtornos psiqui\u00e1tricos que haviam\u00a0levado a diversos afastamentos pelo INSS.<\/p>\n<p><strong>Adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade contratual<\/strong><\/p>\n<p>O banco, por sua vez, disse que as metas impostas eram adequadas \u00e0 realidade contratual do mercado e estavam em conformidade com a condi\u00e7\u00e3o pessoal dos empregados.<\/p>\n<p><strong>Concausalidade<\/strong><\/p>\n<p>O laudo pericial atestou que o banc\u00e1rio apresentava dist\u00farbios de controle muscular nas pernas, d\u00e9ficits de coordena\u00e7\u00e3o, dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o, encurtamento dos tend\u00f5es calc\u00e2neos e falta de coordena\u00e7\u00e3o na m\u00e3o direita. Tamb\u00e9m registrou que ele sofria de transtorno depressivo recorrente e estado de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico.<\/p>\n<p><strong>Indeniza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Para o ju\u00edzo da 7\u00aa Vara do Trabalho de Florian\u00f3polis (SC), o laudo, juntamente com os depoimentos de testemunhas, demonstravam que as cobran\u00e7as, sem levar em considera\u00e7\u00e3o as limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas do empregado, contribu\u00edram para o quadro psiqui\u00e1trico. Por isso, condenou o banco ao pagamento de R$ 20 mil de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais e \u00e0 recomposi\u00e7\u00e3o salarial do per\u00edodo de afastamento, a t\u00edtulo de lucros cessantes.<\/p>\n<p><strong>Isen\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Contudo, o Tribunal Regional do Trabalho da 12\u00aa Regi\u00e3o excluiu as condena\u00e7\u00f5es. Segundo o TRT, a cobran\u00e7a de produtividade n\u00e3o representa nenhuma ilegalidade, e, sem ilicitude, n\u00e3o h\u00e1 dever de repara\u00e7\u00e3o, ainda que existente dano.<\/p>\n<p><strong>Tratamento ofensivo<\/strong><\/p>\n<p>Para o relator do recurso de revista, ministro S\u00e9rgio Pinto Martins, a conduta do banco contraria o Estatuto da Pessoa com Defici\u00eancia (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13146.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">Lei 13.146\/2015<\/a>), que garante o direito ao trabalho em igualdade de oportunidades (condi\u00e7\u00f5es justas e favor\u00e1veis). De acordo com o relator, no caso, a cobran\u00e7a de mesma produtividade para o empregado com defici\u00eancia configura tratamento ofensivo e discriminat\u00f3rio, pois n\u00e3o observa o princ\u00edpio da igualdade em seu aspecto material.<\/p>\n<p>Por unanimidade, a Turma assentou a responsabilidade do banco pela doen\u00e7a ocupacional e determinou o retorno do processo ao TRT, para que examine os recursos ordin\u00e1rios da empresa e do trabalhador, incluindo-se o valor da repara\u00e7\u00e3o material e moral.<\/p>\n<p>(Nathalia Valente\/CF)<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <a href=\"http:\/\/aplicacao4.tst.jus.br\/consultaProcessual\/resumoForm.do?consulta=1&amp;numeroInt=75428&amp;anoInt=2021\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">RR-1826-96.2017.5.12.0037<\/a><\/p>\n<p><strong>FONTE<\/strong>: Com informa\u00e7\u00f5es da Se\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o Social do TST<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho reconheceu a responsabilidade do Ita\u00fa Unibanco S.A. pelo transtorno depressivo recorrente desenvolvido por um banc\u00e1rio com defici\u00eancia. 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