{"id":1013,"date":"2023-03-31T14:51:17","date_gmt":"2023-03-31T17:51:17","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1013"},"modified":"2023-03-31T14:51:17","modified_gmt":"2023-03-31T17:51:17","slug":"stj-devedor-nao-tem-direito-de-preferencia-para-adquirir-titulo-da-propria-divida-em-leilao-de-carteira-de-credito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-devedor-nao-tem-direito-de-preferencia-para-adquirir-titulo-da-propria-divida-em-leilao-de-carteira-de-credito\/","title":{"rendered":"STJ: Devedor n\u00e3o tem direito de prefer\u00eancia para adquirir t\u00edtulo da pr\u00f3pria d\u00edvida em leil\u00e3o de carteira de cr\u00e9dito"},"content":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) negou a pretens\u00e3o de uma empresa, emitente de c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio com garantia fiduci\u00e1ria imobili\u00e1ria, que reivindicava suposto direito de prefer\u00eancia para adquirir o t\u00edtulo da d\u00edvida em leil\u00e3o, ap\u00f3s a fal\u00eancia do banco credor.<\/p>\n<p>O colegiado considerou que a legisla\u00e7\u00e3o atribui ao devedor fiduciante o direito de prefer\u00eancia para a recompra do bem alienado fiduciariamente, mas essa norma n\u00e3o se aplica aos casos de aliena\u00e7\u00e3o de carteira de cr\u00e9ditos.<\/p>\n<p>Na origem do caso, a empresa emitiu o t\u00edtulo de cr\u00e9dito representando empr\u00e9stimo que tinha como garantia a <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria\" data-termo=\"Aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria\" data-significado=\"Aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria \u00e9 uma forma de garantia em que o devedor transfere a propriedade do bem ao credor at\u00e9 a quita\u00e7\u00e3o da d\u00edvida. O devedor continua a usar o bem, mas s\u00f3 volta a ser o seu propriet\u00e1rio ap\u00f3s o pagamento total.\">aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria<\/span> de um im\u00f3vel. Com a decreta\u00e7\u00e3o da quebra do banco, precedida de liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial, os ativos da institui\u00e7\u00e3o \u2013 entre eles, a carteira de cr\u00e9ditos \u2013 foram utilizados para pagar os credores.<\/p>\n<p>A empresa e seus avalistas alegaram ter prefer\u00eancia para adquirir o t\u00edtulo representativo de sua d\u00edvida no leil\u00e3o da carteira de cr\u00e9ditos, como forma de extinguir a obriga\u00e7\u00e3o, mas o ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia e o Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP) entenderam que n\u00e3o existe essa previs\u00e3o legal em favor de devedor com d\u00e9bito levado a leil\u00e3o em processo concursal. A corte estadual apontou que a homologa\u00e7\u00e3o judicial do resultado do leil\u00e3o foi regular, devendo prevalecer o interesse da maioria dos credores.<\/p>\n<p><strong>Prefer\u00eancia para recompra de bem n\u00e3o se estende ao leil\u00e3o da carteira de cr\u00e9ditos<\/strong><\/p>\n<p>No recurso ao STJ, a devedora e os avalistas reiteraram que, em raz\u00e3o da <span class=\"termo-intermed\" data-match=\"aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria\">aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria<\/span> do im\u00f3vel, eles deveriam ter prefer\u00eancia para comprar o direito credit\u00edcio no leil\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, o devedor fiduciante tem prefer\u00eancia para recomprar um bem que tenha perdido por n\u00e3o cumprir a obriga\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 garantia fiduci\u00e1ria, como previsto no <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9514.htm#art27%C2%A72b\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 27, par\u00e1grafo 2\u00ba-B, da Lei 9.514\/1997<\/strong><\/a>. No entanto, o magistrado destacou que a situa\u00e7\u00e3o discutida \u00e9 diferente, pois diz respeito \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o de carteira de cr\u00e9dito da qual consta o valor representado pela c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;O que se defere ao devedor fiduciante \u00e9 a prefer\u00eancia na aquisi\u00e7\u00e3o do bem que lhe pertencia, ao passo que, no caso presente, pretende-se a aquisi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio cr\u00e9dito, da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica obrigacional, que possui garantia representada pela <span class=\"termo-intermed\" data-match=\"aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria\">aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria<\/span> de bem im\u00f3vel&#8221;, explicou o ministro.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 analogia com hip\u00f3tese de penhora de bem indivis\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>Antonio Carlos Ferreira refutou a tese dos recorrentes de que seria poss\u00edvel aplicar ao caso, por analogia, a regra prevista no <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art843\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 843 do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC)<\/strong><\/a> e em seus par\u00e1grafos, os quais estabelecem a prefer\u00eancia para arremata\u00e7\u00e3o em favor do copropriet\u00e1rio ou do c\u00f4njuge do executado, na hip\u00f3tese de penhora de bem indivis\u00edvel \u2013 uma forma de evitar a dificuldade de aliena\u00e7\u00e3o apenas da parte do devedor e a constitui\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de condom\u00ednio entre o arrematante e o copropriet\u00e1rio ou o c\u00f4njuge.<\/p>\n<p>Para o ministro, a situa\u00e7\u00e3o descrita no CPC n\u00e3o se aplica ao processo em discuss\u00e3o, pois a garantia fiduci\u00e1ria n\u00e3o representa nenhuma forma de copropriedade: &#8220;No leil\u00e3o realizado, o que ocorreu foi a transfer\u00eancia do cr\u00e9dito garantido e representado pela c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio, inexistindo similitude que atraia a incid\u00eancia da regra que garante o direito de prefer\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>O relator avaliou que n\u00e3o cabe a analogia para reconhecer o direito de prefer\u00eancia dos emitentes da c\u00e9dula. Ele salientou que a regra, em casos como o dos autos, \u00e9 a aliena\u00e7\u00e3o de bens ou direitos em hasta p\u00fablica para qualquer interessado. &#8220;N\u00e3o houve de fato omiss\u00e3o regulamentadora, sen\u00e3o a inten\u00e7\u00e3o legislativa de manter a regra geral nessas situa\u00e7\u00f5es&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=180703605&amp;registro_numero=201903615870&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20230313&amp;formato=PDF\"><strong>REsp 2.035.515<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>FONTE<\/strong>: Com informa\u00e7\u00f5es da Se\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o Social do STJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) negou a pretens\u00e3o de uma empresa, emitente de c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio com garantia fiduci\u00e1ria imobili\u00e1ria, que reivindicava suposto direito de prefer\u00eancia para adquirir o t\u00edtulo da d\u00edvida em leil\u00e3o, ap\u00f3s a fal\u00eancia do banco credor. 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