{"id":1139,"date":"2023-05-23T12:39:58","date_gmt":"2023-05-23T15:39:58","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1139"},"modified":"2023-05-23T12:39:58","modified_gmt":"2023-05-23T15:39:58","slug":"tst-professora-universitaria-dispensada-sem-processo-administrativo-sera-reintegrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/tst-professora-universitaria-dispensada-sem-processo-administrativo-sera-reintegrada\/","title":{"rendered":"TST: Professora universit\u00e1ria dispensada sem processo administrativo ser\u00e1 reintegrada"},"content":{"rendered":"<p>A S\u00e9tima Turma do Tribunal Superior do Trabalho anulou a dispensa de uma professora da Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUC-PR) sem a instaura\u00e7\u00e3o de processo administrativo. Embora a dispensa tenha sido sem justa causa, a motiva\u00e7\u00e3o alegada seria o cometimento de irregularidades, situa\u00e7\u00e3o que, segundo o regimento interno, exige a \u00a0apura\u00e7\u00e3o dos fatos e o direito \u00e0 ampla defesa.<\/p>\n<p><strong>Dispensa<\/strong><\/p>\n<p>A professora foi admitida em 1995 pela Associa\u00e7\u00e3o Paranaense de Cultura, mantenedora da PUC-PR, para a \u00c1rea de Comunica\u00e7\u00e3o Social, e dispensada em 2005. Na reclama\u00e7\u00e3o trabalhista, ela disse que fora inclu\u00edda numa lista de despedida coletiva \u201cde forma absolutamente constrangedora\u201d. A alega\u00e7\u00e3o, segundo ela, foi a de \u201cn\u00e3o ter o perfil do curso\u201d, quando, ao contr\u00e1rio, sempre tivera boas avalia\u00e7\u00f5es, vasta produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e v\u00e1rios artigos publicados em nome da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Restri\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Outro argumento foi o de que a legisla\u00e7\u00e3o federal de ensino prev\u00ea diversas restri\u00e7\u00f5es \u00e0 dispensa de professores, enquanto o Regimento Geral da PUC-PR exige delibera\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o colegiado para a medida.<\/p>\n<p><strong>Motivos<\/strong><\/p>\n<p>A PUC-PR, em sua defesa, argumentou que a professora fora dispensada por n\u00e3o haver mais necessidade de mant\u00ea-la no quadro de empregados. Mesmo sustentando n\u00e3o ser necess\u00e1ria motiva\u00e7\u00e3o para a dispensa, disse que houve modifica\u00e7\u00f5es em calend\u00e1rios e diminui\u00e7\u00e3o de alunos e turmas, decorrentes de mudan\u00e7as no curr\u00edculo pelo MEC. Tamb\u00e9m alegou que a professora descumpria os programas, n\u00e3o atendia \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es de ajustes feitas pela dire\u00e7\u00e3o do curso nem participava de atividades que deveria desenvolver.<\/p>\n<p><strong>Poder diretivo<\/strong><\/p>\n<p>O ju\u00edzo de primeiro grau e o Tribunal Regional do Trabalho da 9\u00aa Regi\u00e3o mantiveram a validade da dispensa. Para o TRT, a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDB &#8211; <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9394.htm#:~:text=L9394&amp;text=Estabelece%20as%20diretrizes%20e%20bases%20da%20educa%C3%A7%C3%A3o%20nacional.&amp;text=Art.%201%C2%BA%20A%20educa%C3%A7%C3%A3o%20abrange,civil%20e%20nas%20manifesta%C3%A7%C3%B5es%20culturais.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">Lei 9.394\/1996<\/a>) n\u00e3o garante o emprego nem restringe a dispensa imotivada de professores universit\u00e1rios. Tamb\u00e9m considerou que n\u00e3o foi demonstrada persegui\u00e7\u00e3o pessoal ou ideol\u00f3gica, antes descumprimento das atividades previstas no programa de aprendizagem da Universidade, inserindo a decis\u00e3o no poder potestativo do empregador.<\/p>\n<p><strong>Devido processo legal<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, o relator do recurso de revista, ministro Evandro Valad\u00e3o, explicou que, de acordo com a jurisprud\u00eancia do TST, a regra da LDB sobre a motiva\u00e7\u00e3o da dispensa n\u00e3o restringe o poder do do empregador nem caracteriza estabilidade provis\u00f3ria no emprego do professor, em raz\u00e3o da autonomia garantida constitucionalmente \u00e0s universidades. No caso, por\u00e9m, o fundamento da dispensa, segundo a pr\u00f3pria PUC-PR, foi o descumprimento, pela professora, das disposi\u00e7\u00f5es contidas no seu pr\u00f3prio regramento interno, o que d\u00e1 outro enfoque \u00e0 an\u00e1lise do tema.<\/p>\n<p>Nesse sentido, ele observou que o Regimento Geral da universidade n\u00e3o prev\u00ea a instaura\u00e7\u00e3o de procedimento administrativo para qualquer tipo de dispensa, mas disp\u00f5e expressamente que a apura\u00e7\u00e3o de irregularidades obriga \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o de sindic\u00e2ncia ou procedimento administrativo. \u201c\u00c9 esse o caso dos autos, uma vez que o cometimento de irregularidade foi um dos motivos da dispensa da professora, ainda que sob o t\u00edtulo de \u2018sem justa causa\u2019\u201d, afirmou. \u201cDiante desse contexto, a empregadora acabou por violar o direito constitucional do devido processo legal\u201d.<\/p>\n<p>Por unanimidade, a S\u00e9tima Turma condenou a universidade \u00e0 reintegra\u00e7\u00e3o da docente e ao pagamento de todas as vantagens do per\u00edodo de afastamento, at\u00e9 a data do efetivo retorno.<\/p>\n<p>(M\u00e9rcia Maciel e Carmem Feij\u00f3)<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <a href=\"http:\/\/aplicacao4.tst.jus.br\/consultaProcessual\/resumoForm.do?consulta=1&amp;numeroInt=776252&amp;anoInt=2009\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">RR-764600-87.2006.5.09.0006<\/a><\/p>\n<p><strong>FONTE<\/strong>: Com informa\u00e7\u00f5es da Se\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o Social do TST<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A S\u00e9tima Turma do Tribunal Superior do Trabalho anulou a dispensa de uma professora da Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUC-PR) sem a instaura\u00e7\u00e3o de processo administrativo. 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