{"id":1190,"date":"2023-10-03T12:20:27","date_gmt":"2023-10-03T15:20:27","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1190"},"modified":"2023-10-03T12:20:27","modified_gmt":"2023-10-03T15:20:27","slug":"tst-o-principio-da-sucessao-trabalhista-nao-se-aplica-ao-trabalho-domestico-de-caseiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/tst-o-principio-da-sucessao-trabalhista-nao-se-aplica-ao-trabalho-domestico-de-caseiro\/","title":{"rendered":"TST: O princ\u00edpio da sucess\u00e3o trabalhista n\u00e3o se aplica ao trabalho dom\u00e9stico de caseiro"},"content":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho limitou a responsabilidade de um empregador dom\u00e9stico pelos encargos trabalhistas de um caseiro ao per\u00edodo em que ele ocupou o im\u00f3vel como inquilino. Com isso, foi afastada a condena\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 \u00e9poca anterior, em que o trabalhador prestara servi\u00e7o ao propriet\u00e1rio. O entendimento \u00e9 o de que a sucess\u00e3o trabalhista (segundo a qual a mudan\u00e7a na propriedade da empresa n\u00e3o atinge os direitos dos empregados) n\u00e3o se aplica ao empregador dom\u00e9stico.<\/p>\n<p><strong>Sucess\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O caseiro trabalhou no s\u00edtio, em Belterra (PA), de 2016 a 2021. Na a\u00e7\u00e3o, ele contou que, at\u00e9 2020, trabalhou sem carteira assinada para o propriet\u00e1rio, que depois alugou o im\u00f3vel para um comerciante. Este teria proposto um contrato de parceria agr\u00edcola, pagando R$ 300 mensais fixos e 35% da safra.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a dispensa, ele ajuizou a a\u00e7\u00e3o apenas contra o inquilino, mas com pedido de v\u00ednculo empregat\u00edcio desde 2016, alegando sucess\u00e3o de empregadores.<\/p>\n<p><strong>Parceria<\/strong><\/p>\n<p>Em sua defesa, o inquilino alegou que, quando alugou o s\u00edtio, o caseiro j\u00e1 trabalhava l\u00e1, em regime de parceria com o propriet\u00e1rio. Ele teria proposto manter essa parceria assinando outro contrato, pelo qual o caseiro zelaria pelo s\u00edtio e receberia parte da produ\u00e7\u00e3o de frutas, verduras e animais criados no local.<\/p>\n<p><strong>V\u00ednculo<\/strong><\/p>\n<p>O ju\u00edzo de primeiro grau considerou nulo o contrato de parceria e declarou o v\u00ednculo de emprego dom\u00e9stico por todo o per\u00edodo. A senten\u00e7a foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8\u00aa Regi\u00e3o (PA), que confirmou a sucess\u00e3o de empregadores.<\/p>\n<p><strong>Responsabilidade limitada<\/strong><\/p>\n<p>No recurso ao TST, o empregador sustentou que sua responsabilidade deveria se limitar ao per\u00edodo em que havia assumido o s\u00edtio e firmado contrato de parceria rural, pois os trabalhadores dom\u00e9sticos s\u00e3o regidos por lei espec\u00edfica, e n\u00e3o pela CLT.<\/p>\n<p><strong>Explicando a sucess\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O relator do recurso de revista, ministro Alexandre Ramos, explicou que, quando o v\u00ednculo \u00e9 mantido pela empresa sucessora, aplicam-se os artigos 10 e 448 da CLT, que tratam da sucess\u00e3o trabalhista. Esses dispositivos, segundo o relator, remetem \u00e0 ideia de despersonaliza\u00e7\u00e3o do empregador. Assim, o contrato de trabalho est\u00e1 vinculado ao empreendimento econ\u00f4mico, independentemente de quem sejam os seus titulares.<\/p>\n<p><strong>Sem atividade econ\u00f4mica<\/strong><\/p>\n<p>Contudo, o ministro ressaltou que o conceito de empresa est\u00e1 atrelado \u00e0 atividade econ\u00f4mica, e esse n\u00e3o \u00e9 o caso do empregador dom\u00e9stico. Conforme o artigo 2\u00ba da Lei Complementar 150\/2015, os empregados dom\u00e9sticos \u201cprestam servi\u00e7os de finalidade n\u00e3o lucrativa, ou seja, n\u00e3o desempenham atividade econ\u00f4mica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Novidade do tema<\/strong><\/p>\n<p>O ministro destacou a novidade da quest\u00e3o, que ainda n\u00e3o foi abordada pela jurisprud\u00eancia do TST. Segundo ele, n\u00e3o cabe sucess\u00e3o de empregadores no v\u00ednculo de emprego dom\u00e9stico, porque n\u00e3o h\u00e1 a transfer\u00eancia de um acervo produtivo de uma sociedade para outra.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o foi un\u00e2nime.<\/p>\n<p>(Lourdes Tavares\/CF)<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <a href=\"https:\/\/consultaprocessual.tst.jus.br\/consultaProcessual\/consultaTstNumUnica.do;jsessionid=XWA4k1Z29e793HnPo8LFDZqM0lCSPqUo94DQrUli.consultaprocessual-25-7rkb7?conscsjt=&amp;numeroTst=402&amp;digitoTst=66&amp;anoTst=2021&amp;orgaoTst=5&amp;tribunalTst=08&amp;varaTst=0109&amp;consulta=Consultar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">RR-402-66.2021.5.08.0109 \u00a0<\/a><\/p>\n<p><strong>FONTE<\/strong>: Com informa\u00e7\u00f5es da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social do TST<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho limitou a responsabilidade de um empregador dom\u00e9stico pelos encargos trabalhistas de um caseiro ao per\u00edodo em que ele ocupou o im\u00f3vel como inquilino. 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