{"id":1250,"date":"2023-11-08T12:38:21","date_gmt":"2023-11-08T15:38:21","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1250"},"modified":"2023-11-08T12:39:49","modified_gmt":"2023-11-08T15:39:49","slug":"stj-desmatamento-de-floresta-nativa-implicar-em-dano-moral-coletivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-desmatamento-de-floresta-nativa-implicar-em-dano-moral-coletivo\/","title":{"rendered":"STJ: Desmatamento de floresta nativa implicar em dano moral coletivo"},"content":{"rendered":"<p>A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) deu <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"provimento\" data-termo=\"Provimento\" data-significado=\"Ato de prover. Dar provimento a recurso significa acolher o pedido para reformar ou anular decis\u00e3o judicial anterior. No direito administrativo, \u00e9 o ato de preencher vaga no servi\u00e7o p\u00fablico.\">provimento<\/span> a recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Mato Grosso para reconhecer a ocorr\u00eancia de dano moral coletivo na explora\u00e7\u00e3o de 15,467 hectares de floresta nativa que deveria ser preservada. O colegiado aplicou a jurisprud\u00eancia segundo a qual a les\u00e3o ao meio ambiente gera dano moral <em><span class=\"termo-glossario\" data-match=\"in re ipsa\" data-termo=\"In re ipsa\" data-significado=\"Dano in re ipsa \u00e9 o dano presumido, que se reconhece a partir da ocorr\u00eancia de determinado fato, n\u00e3o se exigindo prova do abalo ps\u00edquico.\">in re ipsa<\/span><\/em>, ou seja, que dispensa a demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzos.<\/p>\n<p>A \u00e1rea desmatada fica na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, na Fazenda Chaleira Preta. A Justi\u00e7a local condenou o respons\u00e1vel pela degrada\u00e7\u00e3o a pagar danos materiais, bem como a recompor o meio ambiente e a se abster de desmatar outras \u00e1reas. Contudo, o Tribunal de Justi\u00e7a de Mato Grosso (TJMT) entendeu que n\u00e3o seria poss\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o por danos morais coletivos, ao fundamento de que, para tanto, seria necess\u00e1rio que o fato transgressor fosse de &#8220;razo\u00e1vel signific\u00e2ncia&#8221; e excedesse &#8220;os limites da tolerabilidade&#8221;.<\/p>\n<p>Para a relatora do caso no STJ, ministra Assusete Magalh\u00e3es, essa fundamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se sustenta, pois a pr\u00f3pria corte estadual reconheceu que houve &#8220;desmatamento e explora\u00e7\u00e3o madeireira sem a indispens\u00e1vel licen\u00e7a ou autoriza\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o ambiental competente&#8221;, conduta que &#8220;tem ocasionado danos ambientais no local, comprometendo a qualidade do meio ambiente ecologicamente equilibrado&#8221;.<\/p>\n<p>A ministra destacou que, uma vez constatado o dano ambiental \u2013 e n\u00e3o mero impacto negativo decorrente de atividade regular, que, por si s\u00f3, j\u00e1 exigiria medidas mitigat\u00f3rias ou compensat\u00f3rias \u2013, incide a <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"s\u00famula 629\" data-termo=\"S\u00famula 629\" data-significado=\"Quanto ao dano ambiental, \u00e9 admitida a condena\u00e7\u00e3o do r\u00e9u \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de fazer ou \u00e0 de n\u00e3o fazer cumulada com a de indenizar\">S\u00famula 629<\/span> do STJ.<\/p>\n<p>&#8220;Trata-se de entendimento consolidado que, ao amparo do <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm#art225%C2%A73\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 225, par\u00e1grafo 3\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong><\/a> e do <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l6938.htm#art14%C2%A71\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 14, par\u00e1grafo 1\u00ba, da Lei 6.938\/1981<\/strong><\/a>, reconhece a necessidade de repara\u00e7\u00e3o integral da les\u00e3o causada ao meio ambiente, permitindo a cumula\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es de fazer, de n\u00e3o fazer e de indenizar, inclusive quanto aos danos morais coletivos&#8221;, disse.<\/p>\n<p><strong>Indeniza\u00e7\u00e3o de danos morais n\u00e3o exige prova de intranquilidade social<\/strong><\/p>\n<p>O TJMT afirmou ainda que a condena\u00e7\u00e3o por dano moral coletivo exigiria il\u00edcito que causasse &#8220;intranquilidade social ou altera\u00e7\u00f5es relevantes \u00e0 coletividade local&#8221; e &#8220;situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica excepcional&#8221;. Contra essa compreens\u00e3o, a ministra citou diversos precedentes no STJ segundo os quais a configura\u00e7\u00e3o do dano moral nessas situa\u00e7\u00f5es independe de repercuss\u00f5es internas para os indiv\u00edduos ou de &#8220;intranquilidade social&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Tem-se entendido no STJ, predominantemente, que, para a verifica\u00e7\u00e3o do dano moral coletivo ambiental, \u00e9 desnecess\u00e1ria a demonstra\u00e7\u00e3o de que a coletividade sinta a dor, a repulsa, a indigna\u00e7\u00e3o, tal qual fosse um indiv\u00edduo isolado, pois o dano ao meio ambiente, por ser bem p\u00fablico, gera <span class=\"ignorar-glossario\" data-match=\"##repercuss\u00e3o geral##\">repercuss\u00e3o geral<\/span>, impondo conscientiza\u00e7\u00e3o coletiva \u00e0 sua repara\u00e7\u00e3o, a fim de resguardar o direito das futuras gera\u00e7\u00f5es a um meio ambiente ecologicamente equilibrado&#8221;, lembrou.<\/p>\n<p>Nessa dire\u00e7\u00e3o, a relatora apontou precedentes da corte que entenderam que a pr\u00e1tica do desmatamento, por si, pode causar dano moral.<\/p>\n<p>A ministra considerou ainda que o il\u00edcito sob exame n\u00e3o pode ser considerado de menor import\u00e2ncia, uma vez que o pr\u00f3prio TJMT declarou que houve a explora\u00e7\u00e3o de 15,467 hectares de floresta nativa, com retirada de madeira e abertura de ramais, sem autoriza\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o ambiental competente, bem como a prov\u00e1vel impossibilidade de recupera\u00e7\u00e3o integral da \u00e1rea degradada.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2302212&amp;num_registro=202200653510&amp;data=20230922&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>REsp 1.989.778<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>FONTE:<\/strong> Com informa\u00e7\u00f5es da Se\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o Social do STJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) deu provimento a recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Mato Grosso para reconhecer a ocorr\u00eancia de dano moral coletivo na explora\u00e7\u00e3o de 15,467 hectares de floresta nativa que deveria ser preservada. 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