{"id":127,"date":"2021-09-14T11:49:54","date_gmt":"2021-09-14T14:49:54","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=127"},"modified":"2021-09-14T12:59:36","modified_gmt":"2021-09-14T15:59:36","slug":"stj-competencia-do-tj-para-julgar-membro-do-mp-mesmo-que-por-crime-estranho-ao-cargo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-competencia-do-tj-para-julgar-membro-do-mp-mesmo-que-por-crime-estranho-ao-cargo\/","title":{"rendered":"STJ: A compet\u00eancia \u00e9 do TJ para julgar membro do MP mesmo que por crime estranho ao cargo"},"content":{"rendered":"<p>Com base na jurisprud\u00eancia atual do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) sobre o foro por prerrogativa de fun\u00e7\u00e3o, a Terceira Se\u00e7\u00e3o declarou a compet\u00eancia do Tribunal de Justi\u00e7a para julgar membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico da respectiva unidade federativa pela suposta pr\u00e1tica de crime comum n\u00e3o relacionado com o cargo.<\/p>\n<p>O conflito de compet\u00eancia havia sido instalado entre o TJ do estado onde o promotor atua e o ju\u00edzo de primeiro grau do estado onde teria ocorrido o crime. De acordo com o tribunal estadual, tendo em vista o julgamento do STF na <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=4776682\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>A\u00e7\u00e3o Penal 937<\/strong><\/a> e o princ\u00edpio da simetria, a compet\u00eancia deveria permanecer com o ju\u00edzo do local dos fatos, pois a infra\u00e7\u00e3o penal apurada \u00e9 de natureza comum e n\u00e3o tem qualquer rela\u00e7\u00e3o com o cargo da pessoa investigada.<\/p>\n<p>Relator do conflito no STJ, o ministro Joel Ilan Paciornik explicou que o STF, de fato, restringiu sua compet\u00eancia para julgar membros do Congresso Nacional apenas nas hip\u00f3teses de crimes praticados no exerc\u00edcio e em raz\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Entretanto, o ministro ponderou que, na decis\u00e3o, o STF analisou apenas o foro por prerrogativa de fun\u00e7\u00e3o dos ocupantes de cargos eletivos.<\/p>\n<p><strong>Foro de membros do MP est\u00e1 previsto na Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Paciornik tamb\u00e9m apontou que o foro especial de magistrados e membros do MP est\u00e1 disciplinado no <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm#art96III\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 96, inciso III, da Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>, cuja an\u00e1lise n\u00e3o foi abrangida pelo STF no julgamento da AP 937.<\/p>\n<p>Por outro lado, o ministro lembrou que o STJ, ao analisar a <a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=1738511&amp;num_registro=201601546950&amp;data=20181219&amp;peticao_numero=2018201800IJ1197&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>A\u00e7\u00e3o Penal 878<\/strong><\/a>, reconheceu sua compet\u00eancia para julgar desembargadores acusados de crimes com ou sem rela\u00e7\u00e3o com o cargo, n\u00e3o identificando simetria com o precedente do STF. No julgamento, a Corte Especial entendeu que, se um desembargador tivesse de ser julgado por ju\u00edzo de primeiro grau vinculado ao seu tribunal, isso poderia criar uma situa\u00e7\u00e3o embara\u00e7osa para o magistrado respons\u00e1vel por decidir a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Nesse contexto, considerando que a prerrogativa de foro da magistratura e do Minist\u00e9rio P\u00fablico encontra-se contemplada no mesmo dispositivo constitucional (artigo 96, inciso III), seria desarrazoado conferir-lhes tratamento diferenciado&#8221;, afirmou o ministro.<\/p>\n<p><strong>STF reconheceu repercuss\u00e3o geral do tema<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Paciornik ressaltou que o STF, em maio deste ano, reconheceu a repercuss\u00e3o geral da discuss\u00e3o sobre a possibilidade de o STJ, com base no artigo 105, inciso I, al\u00ednea &#8220;a&#8221;, da Constitui\u00e7\u00e3o, julgar desembargador por crime comum n\u00e3o relacionado ao cargo (<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=6195307\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>RE 1.331.044<\/strong><\/a>).<\/p>\n<p>&#8220;Diante disso, enquanto pendente manifesta\u00e7\u00e3o do STF com repercuss\u00e3o geral acerca do tema, deve ser mantida a jurisprud\u00eancia at\u00e9 o momento aplicada pela Suprema Corte, que reconhece a compet\u00eancia dos Tribunais de Justi\u00e7a para julgamento de delitos comuns em tese praticados por promotores de Justi\u00e7a&#8221;, concluiu o ministro.<\/p>\n<p><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial<\/em>.<\/p>\n<p><strong>FONTE:<\/strong> Assessoria de imprensa do STJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com base na jurisprud\u00eancia atual do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) sobre o foro por prerrogativa de fun\u00e7\u00e3o, a Terceira Se\u00e7\u00e3o declarou a compet\u00eancia do Tribunal de Justi\u00e7a para julgar membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico da respectiva unidade federativa pela suposta pr\u00e1tica de crime comum n\u00e3o relacionado com o cargo. 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