{"id":1315,"date":"2024-03-06T17:34:17","date_gmt":"2024-03-06T20:34:17","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1315"},"modified":"2024-03-06T17:35:05","modified_gmt":"2024-03-06T20:35:05","slug":"tst-cesta-basica-maior-para-associados-de-sindicato-viola-liberdade-de-associacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/tst-cesta-basica-maior-para-associados-de-sindicato-viola-liberdade-de-associacao\/","title":{"rendered":"TST: Cesta b\u00e1sica maior para associados de sindicato viola liberdade de associa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por maioria, a Se\u00e7\u00e3o Especializada em Diss\u00eddios Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho manteve a nulidade de norma coletiva que estipulava valores maiores de cesta b\u00e1sica para associados do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Refei\u00e7\u00f5es Coletivas e Afins do Estado do Cear\u00e1 (Sinterc). \u00a0Para o colegiado, a diferencia\u00e7\u00e3o ofende o princ\u00edpio constitucional da liberdade de associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Reda\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a norma coletiva, associados receberiam cesta b\u00e1sica ou vale-compra de R$130, enquanto para n\u00e3o associados o valor seria de R$123,50. As empresas tamb\u00e9m poderiam descontar, sobre esse valor, at\u00e9 8% do associado e 15% dos n\u00e3o associados ao sindicato profissional.<\/p>\n<p><strong>Direitos diferenciados<\/strong><\/p>\n<p>Em julho de 2021, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) ajuizou a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria no Tribunal Regional do Trabalho da 7\u00aa Regi\u00e3o (CE) sustentando que pessoas com o mesmo tempo de servi\u00e7o e fun\u00e7\u00f5es assemelhadas teriam direitos diferenciados, baseados apenas na filia\u00e7\u00e3o sindical. Para o MPT, a previs\u00e3o era \u201cabsolutamente antijur\u00eddica e anti\u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Refor\u00e7o\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o sindicato, a diferencia\u00e7\u00e3o n\u00e3o viola a liberdade de associa\u00e7\u00e3o sindical, mas apenas cria instrumento de refor\u00e7o da organiza\u00e7\u00e3o coletiva dos pr\u00f3prios trabalhadores, cabendo ao empregado a op\u00e7\u00e3o de se filiar e receber a benesse oferecida.<\/p>\n<p><strong>Valoriza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ainda segundo o Sinterc, os sindicatos podem estabelecer direitos para os associados al\u00e9m dos que j\u00e1 foram conquistados para toda a categoria sem que isso caracterize ato discriminat\u00f3rio. \u201cA norma coletiva n\u00e3o foi imposta por nenhuma das partes, mas negociada entre os entes legitimados, considerando a necessidade de valorizar a associa\u00e7\u00e3o, ou seja, o trabalhador associado\u201d, sustentou.<\/p>\n<h4>San\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas<\/h4>\n<p>O TRT julgou procedente o pedido do MPT e declarou nula a cl\u00e1usula, que, a seu ver, atenta contra a liberdade sindical. Para o TRT, vantagens convencionais foram convertidas em verdadeiras san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para que n\u00e3o sindicalizados sejam compelidos a se filiar.<\/p>\n<p><strong>Direito sindical<\/strong><\/p>\n<p>O entendimento foi mantido pela SDC do TST. Para o ministro Agra Belmonte, relator do recurso do sindicato, o entendimento que predomina no TST \u00e9 de que a institui\u00e7\u00e3o de valores diversos do mesmo benef\u00edcio para membros da categoria, baseados em sua condi\u00e7\u00e3o de associados ou n\u00e3o, \u00e9 ofensiva aos princ\u00edpios\u00a0 que norteiam o direito sindical, sobretudo a liberdade de associa\u00e7\u00e3o (artigo 8\u00ba, inciso V, da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>.<\/p>\n<p>De acordo com esse racioc\u00ednio, a cl\u00e1usula \u00e9 nula porque gera discrimina\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho e representa uma tentativa de obrigar a filia\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria.<\/p>\n<p>(Ricardo Reis\/CF)<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO:<\/strong> <a href=\"https:\/\/consultaprocessual.tst.jus.br\/consultaProcessual\/consultaTstNumUnica.do?consulta=Consultar&amp;conscsjt=&amp;numeroTst=80398&amp;digitoTst=79&amp;anoTst=2021&amp;orgaoTst=5&amp;tribunalTst=07&amp;varaTst=0000&amp;submit=Consultar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">ROT-80398-79.2021.5.07.0000<\/a><\/p>\n<p><strong>FONTE:<\/strong> Com informa\u00e7\u00f5es da Se\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o Social do TST<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por maioria, a Se\u00e7\u00e3o Especializada em Diss\u00eddios Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho manteve a nulidade de norma coletiva que estipulava valores maiores de cesta b\u00e1sica para associados do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Refei\u00e7\u00f5es Coletivas e Afins do Estado do Cear\u00e1 (Sinterc). \u00a0Para o colegiado, a diferencia\u00e7\u00e3o ofende o princ\u00edpio constitucional da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":41226,"featured_media":1022,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[758,759,757,64],"coauthors":[],"class_list":["post-1315","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-cesta-basica","tag-liberdade-de-associacao","tag-sindicato","tag-tst"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1315","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/41226"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1315"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1315\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1317,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1315\/revisions\/1317"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1022"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1315"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1315"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1315"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=1315"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}