{"id":134,"date":"2021-09-15T12:46:33","date_gmt":"2021-09-15T15:46:33","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=134"},"modified":"2021-09-15T12:46:33","modified_gmt":"2021-09-15T15:46:33","slug":"stf-afastada-competencia-do-juri-em-crime-de-remocao-ilegal-de-orgaos-com-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stf-afastada-competencia-do-juri-em-crime-de-remocao-ilegal-de-orgaos-com-morte\/","title":{"rendered":"STF: Afastada compet\u00eancia do J\u00fari em crime de remo\u00e7\u00e3o ilegal de \u00f3rg\u00e3os com morte"},"content":{"rendered":"<p><em>Por maioria dos votos, os ministros restabeleceram a condena\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Po\u00e7os de Caldas (MG).<\/em><\/p>\n<p>Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) afastou a compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari para julgar crime de remo\u00e7\u00e3o ilegal de \u00f3rg\u00e3os com resultado morte. Em decis\u00e3o majorit\u00e1ria, nesta ter\u00e7a-feira (14), os ministros deram provimento ao Recurso Extraordin\u00e1rio (RE) 1313494, interposto pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais (MP-MG), com repercuss\u00e3o geral reconhecida, e restabeleceram senten\u00e7a condenat\u00f3ria contra tr\u00eas m\u00e9dicos da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Po\u00e7os de Caldas (MG).<\/p>\n<p><b>Com\u00e9rcio ilegal<\/b><\/p>\n<p>Ap\u00f3s cair de uma altura de 10 metros, um menino de 10 anos foi levado \u00e0 Santa Casa, e, durante cirurgia, com ele ainda vivo, foram retirados seus dois rins, visando ao com\u00e9rcio ilegal de \u00f3rg\u00e3os. Os m\u00e9dicos foram denunciados pela suposta pr\u00e1tica de crime de remo\u00e7\u00e3o ilegal de \u00f3rg\u00e3os, previsto na Lei de Transplantes (Lei 9.434\/1997, artigo 14, par\u00e1grafo 4\u00ba), em raz\u00e3o do suposto homic\u00eddio da crian\u00e7a.<\/p>\n<p><b>Crime contra a vida<\/b><\/p>\n<p>A \u200bJusti\u00e7a de 1\u00aa \u200binst\u00e2ncia os condenou, mas, ao analisar recurso da defesa, o Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de Minas Gerais (TJ-MG) declarou a nulidade da senten\u00e7a. Segundo o TJ, os fatos indicariam a pr\u00e1tica de crime doloso contra a vida, de compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari, motivo pelo qual determinou, de of\u00edcio, a remessa do processo ao J\u00fari.<\/p>\n<p>No RE, o MP-MG sustentou que os m\u00e9dicos prestavam atendimento negligente ou aceleravam a morte de pacientes a fim de remover seus \u00f3rg\u00e3os para transplant\u00e1-los em terceiros, em desacordo com a lei. Com fundamento em viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio constitucional da dignidade da pessoa humana, pediu ao Supremo o restabelecimento da senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n<p><b>Morte como consequ\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>Segundo a defesa dos m\u00e9dicos, a mat\u00e9ria diz respeito \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica dos fatos &#8211; se crime de remo\u00e7\u00e3o ilegal de \u00f3rg\u00e3os (Lei de Transplantes) ou homic\u00eddio doloso, sendo necess\u00e1ria interpreta\u00e7\u00e3o de lei infraconstitucional. Eles alegavam que, no caso, a morte n\u00e3o \u00e9 meio, mas consequ\u00eancia direta e certa da extra\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os vitais, e a compet\u00eancia seria do Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n<p><b>Organiza\u00e7\u00e3o criminosa<\/b><\/p>\n<p>Na qualidade de fiscal da lei, o subprocurador-geral da Rep\u00fablica Alcides Martins defendeu o provimento do RE. De acordo com ele, os m\u00e9dicos integrariam organiza\u00e7\u00e3o criminosa com a finalidade de traficar \u00f3rg\u00e3os humanos captados por meio de condutas (n\u00e3o atendimento e neglig\u00eancia de cuidados b\u00e1sicos) que aceleravam a morte de pacientes para abastecer a rede de tr\u00e1fico. Segundo Martins, a morte seria o desdobramento da continuidade delitiva.<\/p>\n<p><b>Compet\u00eancia do juiz singular<\/b><\/p>\n<p>O relator, ministro Dias Toffoli, votou pela fixa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia do ju\u00edzo singular criminal. No seu entendimento, na tipifica\u00e7\u00e3o do crime de remo\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os, deve-se atentar para a finalidade da remo\u00e7\u00e3o. O bem jur\u00eddico a ser protegido, no caso, \u00e9 a incolumidade p\u00fablica, a \u00e9tica e a moralidade no contexto da doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e tecidos, al\u00e9m da preserva\u00e7\u00e3o da integridade f\u00edsica das pessoas e do respeito \u00e0 mem\u00f3ria dos mortos.<\/p>\n<p>Seu voto foi seguido pelo ministro Alexandre Moraes e pela ministra Rosa Weber.<\/p>\n<p><b>Diverg\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>Ficou vencida a ministra C\u00e1rmen L\u00facia, que considerou que o caso diz respeito a crime doloso contra vida, que \u00e9 de compet\u00eancia do Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO:<\/strong> <a href=\"http:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=6119696\">RE\u00a01313494<\/a><\/p>\n<p><strong>FONTE:<\/strong> ASSESSORIA DE IMPRENSA DO STF<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por maioria dos votos, os ministros restabeleceram a condena\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Po\u00e7os de Caldas (MG). 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