{"id":1340,"date":"2024-03-27T14:57:24","date_gmt":"2024-03-27T17:57:24","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1340"},"modified":"2024-04-02T01:17:43","modified_gmt":"2024-04-02T04:17:43","slug":"stf-limitacao-de-vagas-para-o-genero-feminino-nos-concursos-publicos-das-corporacoes-militares-e-inconstitucional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stf-limitacao-de-vagas-para-o-genero-feminino-nos-concursos-publicos-das-corporacoes-militares-e-inconstitucional\/","title":{"rendered":"STF: Limita\u00e7\u00e3o de vagas para o g\u00eanero feminino, nos concursos p\u00fablicos das corpora\u00e7\u00f5es militares, \u00e9 inconstitucional."},"content":{"rendered":"<p><strong>Por:<\/strong> Andr\u00e9 Luciano Vicente da Silva<\/p>\n<p><strong>Resumo do caso<\/strong><\/p>\n<p>Trata-se do julgamento de tr\u00eas ADI\u2019s (A\u00e7\u00f5es Diretas de Inconstitucionalidade), independentes, que versam sobre o mesmo tema, qual seja, a limita\u00e7\u00e3o de vagas para o sexo feminino nos concursos p\u00fablicos: da Pol\u00edcia Militar do Estado do Cear\u00e1 (PM-CE), ADI 7491; da Pol\u00edcia Militar do Estado do Amazonas (PM-MA), ADI 7492; e do Corpo de Bombeiro Militar do Estado do Piau\u00ed (CBM-PI), ADI 7484.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das ADI\u2019s mencionadas, destaca-se que a PGR (Procuradoria Geral da Rep\u00fablica) instaurou diversas ADI\u2019s que tratam do mesmo assunto, vez que em legisla\u00e7\u00f5es estaduais, variadas, havia a previs\u00e3o de percentual, limitante, de vagas para mulheres no acesso a cargos de corpora\u00e7\u00f5es militares.<\/p>\n<p>A PGR sustenta que princ\u00edpios constitucionais s\u00e3o violados nessas normas, tais como a viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o de sexo, a proibi\u00e7\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o no acesso a cargos p\u00fablicos e a prote\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho da mulher, justificando-se a op\u00e7\u00e3o pela instaura\u00e7\u00e3o de ADI.<\/p>\n<p>As ADI\u2019s propostas pela PGR s\u00e3o: ADI 7479 &#8211; Tocantins, ADI 7480 &#8211; Sergipe, ADI 7481 &#8211; Santa Catarina, ADI 7482 &#8211; Roraima, ADI 7483 &#8211; Rio de Janeiro, ADI 7485 &#8211; Para\u00edba, ADI 7486 &#8211; Par\u00e1, ADI 7487 &#8211; Mato Grosso, ADI 7488 &#8211; Minas Gerais, ADI 7489 &#8211; Maranh\u00e3o, ADI 7490 \u2013 Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>No caso das ADI\u2019s 7491 (Cear\u00e1) e 7492 (Amazonas), a decis\u00e3o foi un\u00e2nime no sentido de que a limita\u00e7\u00e3o percentual no n\u00famero de vagas, em cargos p\u00fablicos, em raz\u00e3o do sexo, \u00e9 inconstitucional.<\/p>\n<p>No caso da ADI 7484 (Piau\u00ed), embora ainda n\u00e3o tenha sido julgada, teve decis\u00e3o cautelar no sentido de obstar as restri\u00e7\u00f5es de g\u00eanero previstas no edital do concurso e determinou que eventuais nomea\u00e7\u00f5es, para o cargo de soldado do Corpo de Bombeiro Militar do Estado do Piau\u00ed, se deem sem as restri\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, circunst\u00e2ncia que sinaliza, que ao ser julgada, ter\u00e1 o mesmo desfecho que as anteriores (ADI 7491 e 7492).<\/p>\n<p><strong>Dos motivos das decis\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o STF, a limita\u00e7\u00e3o de ingresso das mulheres nos cargos militares, prevista pelas legisla\u00e7\u00f5es estaduais, trata-se de flagrante viola\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios constitucionais, que al\u00e9m dos j\u00e1 mencionados, tem-se, ainda, a viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio, basilar e fundamental, da igualdade.<\/p>\n<p>Os relatores das ADI\u2019s julgadas (7491 e 7492), respectivamente, Ministro Alexandre de Moraes e Ministro Cristiano Zanin, expuseram, em seus relat\u00f3rios, justificativas parecidas para afastar tais limita\u00e7\u00f5es. Em ambos os casos os Ministros foram categ\u00f3ricos ao afirmar que o Estado n\u00e3o pode estabelecer regras que gerem discrimina\u00e7\u00e3o sem que haja uma justificativa plaus\u00edvel para tais decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Os Ministros sublinharam que o Estado tem que agir, justamente, ao contr\u00e1rio da limita\u00e7\u00e3o, deve criar normas e medidas que impulsionem a participa\u00e7\u00e3o, no mercado de trabalho, de grupos minorit\u00e1rios e discriminados, especialmente com rela\u00e7\u00e3o aos cargos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Apesar das normas visarem, \u00e0 princ\u00edpio, uma reserva m\u00ednima e n\u00e3o m\u00e1xima da participa\u00e7\u00e3o feminina, o fato de ter um percentual, por si s\u00f3, j\u00e1 viola o princ\u00edpio da igualdade, e ainda, abre brechas para interpreta\u00e7\u00f5es err\u00f4neas, no sentido de se utilizar da porcentagem para estabelecer um limite m\u00e1ximo.<\/p>\n<p>Em n\u00fameros citados pelo Ministro Zanin, em seu voto, constata-se que a participa\u00e7\u00e3o feminina, nas pol\u00edcias militares estaduais, \u00e9 baix\u00edssima, em m\u00e9dia de 12%, sendo que em algumas corpora\u00e7\u00f5es n\u00e3o ultrapassam 4%, tendo como base o ano de 2019.<\/p>\n<p>Assim, a jurisprud\u00eancia caminha no sentido de pacificar o entendimento de que a fixa\u00e7\u00e3o de percentual, mesmo que m\u00ednimo, nas Constitui\u00e7\u00f5es Estaduais, \u00e9 inconstitucional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Andr\u00e9 Luciano Vicente da Silva Resumo do caso Trata-se do julgamento de tr\u00eas ADI\u2019s (A\u00e7\u00f5es Diretas de Inconstitucionalidade), independentes, que versam sobre o mesmo tema, qual seja, a limita\u00e7\u00e3o de vagas para o sexo feminino nos concursos p\u00fablicos: da Pol\u00edcia Militar do Estado do Cear\u00e1 (PM-CE), ADI 7491; da Pol\u00edcia Militar do Estado do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":41226,"featured_media":785,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[40,768,6],"coauthors":[],"class_list":["post-1340","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-concurso-publico","tag-genero","tag-stf"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/41226"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1340"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1340\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1341,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1340\/revisions\/1341"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1340"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=1340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}