{"id":1409,"date":"2024-09-23T09:58:22","date_gmt":"2024-09-23T12:58:22","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1409"},"modified":"2024-09-23T09:58:22","modified_gmt":"2024-09-23T12:58:22","slug":"stj-punicao-por-improbidade-nao-deve-fazer-distincao-entre-agentes-publicos-e-particulares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-punicao-por-improbidade-nao-deve-fazer-distincao-entre-agentes-publicos-e-particulares\/","title":{"rendered":"STJ: Puni\u00e7\u00e3o por improbidade n\u00e3o deve fazer distin\u00e7\u00e3o entre agentes p\u00fablicos e particulares"},"content":{"rendered":"<p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu, por unanimidade, aplicar as san\u00e7\u00f5es de suspens\u00e3o de direitos pol\u00edticos e proibi\u00e7\u00e3o de contratar com o poder p\u00fablico tanto a particulares quanto a agentes p\u00fablicos envolvidos na pr\u00e1tica de ato de improbidade administrativa que causou preju\u00edzo ao er\u00e1rio.<\/p>\n<p>O entendimento reformou <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"ac\u00f3rd\u00e3o\" data-termo=\"Ac\u00f3rd\u00e3o\" data-significado=\"Ac\u00f3rd\u00e3o \u00e9 a decis\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o colegiado de um tribunal. No caso do STJ, pode ser das turmas, se\u00e7\u00f5es ou da Corte Especial.\">ac\u00f3rd\u00e3o<\/span> do Tribunal Regional Federal da 5\u00aa Regi\u00e3o (TRF5), que havia restringido a aplica\u00e7\u00e3o da pena de suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos aos agentes p\u00fablicos \u2013 n\u00e3o abrangendo os particulares \u2013 e limitado a proibi\u00e7\u00e3o de contratar com a administra\u00e7\u00e3o ou receber benef\u00edcios fiscais ou credit\u00edcios ao \u00fanico particular que exercia atividade empresarial \u2013 excluindo os agentes p\u00fablicos da penalidade. O tribunal regional considerou que aplicar as puni\u00e7\u00f5es aos demais implicados no processo seria &#8220;impertinente e, portanto, in\u00f3cuo&#8221;.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) recorreu ao STJ, argumentando que o TRF5 teria violado o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8429.htm#art12\">artigo 12, inciso II, da Lei de Improbidade Administrativa (LIA)<\/a>, que estabelece as puni\u00e7\u00f5es para quem comete atos de improbidade que causam preju\u00edzo ao er\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>San\u00e7\u00f5es podem ser aplicadas tanto a agentes p\u00fablicos quanto a particulares<\/strong><\/p>\n<p>O relator do caso no STJ, ministro Gurgel de Faria, destacou que a reda\u00e7\u00e3o da LIA vigente \u00e0 \u00e9poca dos fatos n\u00e3o diferenciava agentes p\u00fablicos de particulares ao prever san\u00e7\u00f5es como a suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos e a proibi\u00e7\u00e3o de contratar com o governo, podendo ser aplicadas a ambos indistintamente.<\/p>\n<p>Ele lembrou que, segundo o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ARE 744.034, a suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos abrange tanto a capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado) quanto a ativa (direito de votar). Ent\u00e3o, ainda que o particular n\u00e3o tenha mandato a perder, ele ficaria com o direito de votar suspenso e ainda seria impedido de disputar elei\u00e7\u00f5es, caso viesse a querer se candidatar dentro do prazo da suspens\u00e3o.<\/p>\n<p>O ministro tamb\u00e9m afirmou que a proibi\u00e7\u00e3o de contratar com o poder p\u00fablico deve ser aplicada igualmente a todos os r\u00e9us. Embora os agentes p\u00fablicos n\u00e3o desempenhassem atividade empresarial na \u00e9poca da decis\u00e3o, &#8220;nada impediria que, se n\u00e3o fossem os efeitos da san\u00e7\u00e3o, passassem a desempenh\u00e1-la no futuro&#8221;. Assim, o STJ decidiu suspender os direitos pol\u00edticos dos particulares envolvidos por cinco anos e proibir os agentes p\u00fablicos de contratar com a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica pelo mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=269317808&amp;registro_numero=201800861614&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20240911&amp;formato=PDF\">REsp 1.735.603<\/a>.<\/p>\n<p><strong>FONTE<\/strong>: Com informa\u00e7\u00f5es da Se\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o Social do STJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu, por unanimidade, aplicar as san\u00e7\u00f5es de suspens\u00e3o de direitos pol\u00edticos e proibi\u00e7\u00e3o de contratar com o poder p\u00fablico tanto a particulares quanto a agentes p\u00fablicos envolvidos na pr\u00e1tica de ato de improbidade administrativa que causou preju\u00edzo ao er\u00e1rio. 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