{"id":1423,"date":"2024-09-30T11:02:57","date_gmt":"2024-09-30T14:02:57","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1423"},"modified":"2024-09-30T11:02:57","modified_gmt":"2024-09-30T14:02:57","slug":"stf-recursos-publicos-nao-podem-ser-utilizados-para-promover-comemoracoes-do-golpe-de-1964","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stf-recursos-publicos-nao-podem-ser-utilizados-para-promover-comemoracoes-do-golpe-de-1964\/","title":{"rendered":"STF: Recursos p\u00fablicos n\u00e3o podem ser utilizados para promover comemora\u00e7\u00f5es do golpe de 1964"},"content":{"rendered":"<p>O Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou entendimento de que \u00e9 inconstitucional o uso de recursos p\u00fablicos para promover comemora\u00e7\u00f5es ao golpe militar de 1964, pois se trata de ato lesivo ao patrim\u00f4nio imaterial da Uni\u00e3o. A decis\u00e3o foi tomada na sess\u00e3o virtual encerrada em 6\/9, no julgamento do Recurso Extraordin\u00e1rio <strong><a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=6603045\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=6603045\">(RE) 1429329<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>O Tribunal j\u00e1 tinha entendimento sobre a mat\u00e9ria, mas agora ela foi julgada sob o rito da repercuss\u00e3o geral (Tema 1322) e, assim, o entendimento deve ser aplicado a todos os casos semelhantes em tramita\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a.<\/p>\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Caso<\/strong><\/h5>\n<p>O caso teve in\u00edcio em uma a\u00e7\u00e3o popular contra a \u201cOrdem do Dia Alusiva ao 31 de Mar\u00e7o de 1964\u201d, editada e divulgada pelo Minist\u00e9rio da Defesa em mar\u00e7o de 2020. A ordem do dia \u00e9 um documento em que a autoridade militar divulga orienta\u00e7\u00f5es, homenagens, instru\u00e7\u00f5es, reflex\u00f5es ou posicionamentos sobre eventos importantes. O ato veiculava mensagem comemorativa dos 56 anos do \u00faltimo golpe militar, conclu\u00eddo em 1\u00ba de abril de 1964.<\/p>\n<p>A primeira inst\u00e2ncia determinou a retirada da mensagem do site do Minist\u00e9rio da Defesa e proibiu qualquer an\u00fancio comemorativo do golpe de 64 em r\u00e1dio, televis\u00e3o, internet ou qualquer meio de comunica\u00e7\u00e3o. O Tribunal Regional Federal da 5\u00aa Regi\u00e3o, contudo, reformou a decis\u00e3o. Para o TRF-5, a Ordem do Dia apenas manifestaria a vis\u00e3o dos comandantes das For\u00e7as Armadas sobre aqueles fatos, e a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o desautoriza diferentes vers\u00f5es sobre fatos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Contra essa decis\u00e3o, a deputada federal Nat\u00e1lia Bonavides (PT\/RN) entrou com recurso extraordin\u00e1rio no STF. Para a parlamentar, a publicidade institucional que comemora um golpe de Estado \u00e9 lesiva \u00e0 moralidade, \u00e0 efici\u00eancia, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, pois usa a estrutura p\u00fablica para um ato capaz de subverter fatos hist\u00f3ricos incontroversos e tripudiar da mem\u00f3ria das v\u00edtimas de medidas de arb\u00edtrio.<\/p>\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Subvers\u00e3o da ordem<\/strong><\/h5>\n<p>No voto que prevaleceu no julgamento, o ministro Gilmar Mendes concluiu que a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos por qualquer ente estatal para promover comemora\u00e7\u00f5es alusivas ao golpe de 1964 atenta contra a Constitui\u00e7\u00e3o e caracteriza ato lesivo ao patrim\u00f4nio imaterial da Uni\u00e3o. Ele frisou que a ordem democr\u00e1tica institu\u00edda em 1988 n\u00e3o admite o enaltecimento de golpes militares e iniciativas de subvers\u00e3o ileg\u00edtima da ordem.<\/p>\n<p>O ministro ressaltou que o agente p\u00fablico, quando se comunica em nome do Estado e valendo-se da estrutura estatal, tem o dever de pautar sua mensagem aos princ\u00edpios constitucionais da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>8 de janeiro<\/strong><\/h5>\n<p>Em seu voto, Gilmar Mendes tamb\u00e9m observou que as pr\u00e1ticas discutidas no recurso fazem parte de um contexto maior de sucessivas contesta\u00e7\u00f5es inconstitucionais da ordem democr\u00e1tica, incluindo os atos de 8 de janeiro de 2023.<\/p>\n<p>Ficaram vencidos os ministros Nunes Marques, relator, Dias Toffoli e Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, que n\u00e3o reconheceram a repercuss\u00e3o geral do tema.<\/p>\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tese<\/strong><\/h5>\n<p>A tese de repercuss\u00e3o geral firmada foi a seguinte:<\/p>\n<p>\u201c<em>A utiliza\u00e7\u00e3o, por qualquer ente estatal, de recursos p\u00fablicos para promover comemora\u00e7\u00f5es alusivas ao Golpe de 1964 atenta contra a Constitui\u00e7\u00e3o e consiste em ato lesivo ao patrim\u00f4nio imaterial da Uni\u00e3o<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <strong><a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=6603045\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=6603045\">(RE) 1429329<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p><strong>FONTE:<\/strong> Com informa\u00e7\u00f5es da se\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social do STF<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou entendimento de que \u00e9 inconstitucional o uso de recursos p\u00fablicos para promover comemora\u00e7\u00f5es ao golpe militar de 1964, pois se trata de ato lesivo ao patrim\u00f4nio imaterial da Uni\u00e3o. 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