{"id":1438,"date":"2024-10-10T10:16:15","date_gmt":"2024-10-10T13:16:15","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1438"},"modified":"2024-10-10T10:16:15","modified_gmt":"2024-10-10T13:16:15","slug":"stf-obrigatoriedade-de-vacinacao-em-santa-catarina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stf-obrigatoriedade-de-vacinacao-em-santa-catarina\/","title":{"rendered":"STF: Obrigatoriedade de vacina\u00e7\u00e3o em Santa Catarina"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por:<\/strong> Maria Eduarda Alves Borges Dantas Leal<\/p>\n<p>A Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental ADPF 1.123 foi protocolada em face de diversos decretos municipais editados no Estado de Santa Catarina que dispunham sobre a veda\u00e7\u00e3o de exig\u00eancia da comprova\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o para a matr\u00edcula de crian\u00e7as nas escolas p\u00fablicas e privadas. Constitucionalmente, essa a\u00e7\u00e3o questiona a validade dessas normas, uma vez que estariam violando preceitos fundamentais consagrados pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, em especial do direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o integral e \u00e0 sa\u00fade no art. 6\u00ba e 196, bem como \u00e0 regular matr\u00edcula no art. 227.<\/p>\n<p>O relator, Ministro Cristiano Zanin, deferiu o pedido liminar de forma monocr\u00e1tica e, posteriormente, foi confirmada <em>ad referendum<\/em> pelo Plen\u00e1rio, suspendendo os decretos que desobrigavam a comprova\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o.\u00a0 O Ministro fundamentou que a necessidade de comprova\u00e7\u00e3o vem no sentido de evitar a inseguran\u00e7a do ambiente escolar, por falta de mecanismos normativos para a verifica\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o dos educandos.<\/p>\n<p>Para o Ministro Nunes Marques, \u00e9 imperativo compreender que n\u00e3o se possui o conhecimento cient\u00edfico total e absoluto quanto \u00e0 temas complexos como a pandemia da COVID-19, sendo incoerente acreditar que todo o conte\u00fado do conhecimento humano j\u00e1 tenha sido atingido. Novas pesquisas, diariamente, mostram aos m\u00e9dicos e cientistas pontos positivos e negativos das vacinas. Segundo Marques, as informa\u00e7\u00f5es mais novas provenientes de estudos cient\u00edficos de grande escala devem ser privilegiadas ao inv\u00e9s das cren\u00e7as de antigos estudos. Da mesma forma, \u00e9 preciso lembrar que os problemas causados por efeitos adversos, para crian\u00e7as e idosos, ainda s\u00e3o desconhecidos.<\/p>\n<p>Em Santa Catarina, a decis\u00e3o repercutiu fortemente e determinou que todos os decretos estaduais e municipais fossem revogados. A vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 uma medida eficaz contra a COVID-19 e deve ser seguida no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os impactos da decis\u00e3o refletiram no Estado de Santa Catarina, que precisou, inclusive, revogar decretos municipais, determinando a impossibilidade de exig\u00eancia do certificado de vacina\u00e7\u00e3o para a matr\u00edcula. Tal movimento for\u00e7ou o alinhamento ao Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es (PNI), o que aprofunda a pol\u00edtica de vacina\u00e7\u00e3o, opondo-se \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o da pandemia da COVID-19 e a prote\u00e7\u00e3o da coletividade no ambiente escolar.<\/p>\n<p>O referendo da liminar, na medida cautelar da ADPF 1.123, retrata a a\u00e7\u00e3o do STF em salvaguardar os direitos fundamentais em situa\u00e7\u00f5es de crise sanit\u00e1ria, o que destaca a prote\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia como direito constitucional. Embora a medida seja pol\u00eamica devido ao federalismo, o tribunal tem se preocupado com o bem-estar das crian\u00e7as e adolescentes no retorno ao ambiente escolar, p\u00f3s-pand\u00eamico.<\/p>\n<p>A \u201cRevolta da Vacina\u201d, evento ocorrido em 1904 no Rio de Janeiro, ilustra como o medo e a desconfian\u00e7a, se estabelecem na popula\u00e7\u00e3o, e, mesmo depois de 100 anos, da referida revolta, assistiu-se algo similar na pandemia de COVID-19, quando houve uma nova esp\u00e9cie de \u201cRevolta da Vacina\u201d, n\u00e3o obstante os avan\u00e7os cient\u00edficos, a popula\u00e7\u00e3o duvidou de sua efetividade em um momento cr\u00edtico de crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A recente ADPF 1.123, questionou o pedido de comprovante de vacina\u00e7\u00e3o a ser dispensado para as crian\u00e7as catarinenses, demonstrando que a discuss\u00e3o de obrigatoriedade da aplica\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 vigente, como o direito \u00e0 sa\u00fade. Sendo assim, a decis\u00e3o do STF, ao suspender os decretos, demonstra que \u00e9 necess\u00e1rio a implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica p\u00fablica aos alunos, de forma coletiva, apoiando a prefer\u00eancia dos conselhos e da ci\u00eancia, uma vez que o n\u00famero de poss\u00edveis vacinados ainda \u00e9 insatisfat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Maria Eduarda Alves Borges Dantas Leal A Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental ADPF 1.123 foi protocolada em face de diversos decretos municipais editados no Estado de Santa Catarina que dispunham sobre a veda\u00e7\u00e3o de exig\u00eancia da comprova\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o para a matr\u00edcula de crian\u00e7as nas escolas p\u00fablicas e privadas. 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