{"id":1470,"date":"2024-11-07T11:25:59","date_gmt":"2024-11-07T14:25:59","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1470"},"modified":"2024-11-07T11:25:59","modified_gmt":"2024-11-07T14:25:59","slug":"stj-alienacao-fiduciaria-e-reintegracao-de-posse-de-imovel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-alienacao-fiduciaria-e-reintegracao-de-posse-de-imovel\/","title":{"rendered":"STJ: Aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria e reintegra\u00e7\u00e3o de posse de im\u00f3vel"},"content":{"rendered":"<p>POR: Andressa Paulino Melo<\/p>\n<p>No Recurso Especial n\u00ba 2.092.980, julgado pela Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), o Banco do Brasil S\/A, como recorrente, buscou a reintegra\u00e7\u00e3o de posse de um im\u00f3vel alienado fiduciariamente \u00e0 empresa Dend\u00ea A\u00e7u Ltda. O recorrente alegou o inadimplemento da d\u00edvida pela empresa e requereu a posse do im\u00f3vel, independentemente da realiza\u00e7\u00e3o de leil\u00e3o p\u00fablico, conforme previsto na Lei n\u00ba 9.514\/1997, que regula a aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria de bens im\u00f3veis.<\/p>\n<p>O ponto central do recurso reside na possibilidade de o credor fiduci\u00e1rio (Banco do Brasil) obter a reintegra\u00e7\u00e3o de posse do bem im\u00f3vel ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade em seu nome, sem que fosse necess\u00e1rio realizar um leil\u00e3o p\u00fablico. O Tribunal de Justi\u00e7a do Par\u00e1 (TJPA), em decis\u00e3o anterior, havia negado o pedido, entendendo que o leil\u00e3o era requisito essencial para a validade do processo de execu\u00e7\u00e3o extrajudicial, que culminaria na retomada do im\u00f3vel.<\/p>\n<p>A Ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso, reformou a decis\u00e3o do TJPA, ao considerar que, conforme a Lei n\u00ba 9.514\/1997, ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade em nome do credor fiduci\u00e1rio, o devedor fiduciante passa a exercer posse ileg\u00edtima do im\u00f3vel, caracterizando esbulho possess\u00f3rio. O artigo 30 dessa lei estabelece que a \u00fanica condi\u00e7\u00e3o para a reintegra\u00e7\u00e3o de posse \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade em favor do credor fiduci\u00e1rio, n\u00e3o sendo necess\u00e1rio o leil\u00e3o para que a a\u00e7\u00e3o seja ajuizada.<\/p>\n<p>Com base nesse entendimento, o STJ concluiu que, ap\u00f3s o inadimplemento e a constitui\u00e7\u00e3o em mora do devedor, o credor fiduci\u00e1rio tem o direito \u00e0 reintegra\u00e7\u00e3o de posse do im\u00f3vel, independentemente da realiza\u00e7\u00e3o de leil\u00e3o p\u00fablico. Dessa forma, foi determinado o retorno do processo ao ju\u00edzo de primeiro grau para que a a\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o de posse fosse julgada conforme os novos par\u00e2metros estabelecidos pela corte superior.<\/p>\n<p>Essa decis\u00e3o refor\u00e7a a seguran\u00e7a jur\u00eddica no \u00e2mbito da aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria de bens im\u00f3veis, ao consolidar o entendimento de que, uma vez que a propriedade fiduci\u00e1ria \u00e9 transferida ao credor, o devedor que n\u00e3o purga a mora exerce posse injusta, o que permite ao credor fiduci\u00e1rio buscar a retomada do bem de forma c\u00e9lere, sem a necessidade de leil\u00e3o pr\u00e9vio. Tal interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para tornar esse tipo de garantia mais atraente e vi\u00e1vel economicamente, oferecendo agilidade na recupera\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis e prote\u00e7\u00e3o ao credor.<\/p>\n<p>O julgamento do STJ no Recurso Especial n\u00ba 2.092.980 estabelece um importante precedente ao garantir que a reintegra\u00e7\u00e3o de posse em casos de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria pode ser solicitada t\u00e3o logo a propriedade seja consolidada em nome do credor fiduci\u00e1rio, dispensando a realiza\u00e7\u00e3o de leil\u00f5es p\u00fablicos. Essa decis\u00e3o \u00e9 um marco relevante na jurisprud\u00eancia, reafirmando a aplicabilidade da Lei n\u00ba 9.514\/1997 e promovendo maior efici\u00eancia nos processos de execu\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria.<\/p>\n<p>PROCESSO RELACIONADO: Recurso Especial n\u00ba 2.092.980<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR: Andressa Paulino Melo No Recurso Especial n\u00ba 2.092.980, julgado pela Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), o Banco do Brasil S\/A, como recorrente, buscou a reintegra\u00e7\u00e3o de posse de um im\u00f3vel alienado fiduciariamente \u00e0 empresa Dend\u00ea A\u00e7u Ltda. 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