{"id":1475,"date":"2024-11-19T12:55:45","date_gmt":"2024-11-19T15:55:45","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1475"},"modified":"2024-11-19T12:55:45","modified_gmt":"2024-11-19T15:55:45","slug":"stj-principios-para-penalizacoes-por-improbidade-administrativa-decorrentes-da-natureza-do-ato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-principios-para-penalizacoes-por-improbidade-administrativa-decorrentes-da-natureza-do-ato\/","title":{"rendered":"STJ: Princ\u00edpios para penaliza\u00e7\u00f5es por improbidade administrativa decorrentes da natureza do ato"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por: J\u00falio C\u00e9sar Lima Rocha<\/strong><\/p>\n<p>Em decis\u00e3o de 03 de setembro de 2024, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por unanimidade, decidiu que a aplica\u00e7\u00e3o das penas do art.12, II, da Lei de Improbidade Administrativa, LEI N\u00ba 8.429, DE 02 DE JUNHO DE 1992, n\u00e3o devem ser diferenciadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade do agente, se p\u00fablico ou privado.<\/p>\n<p>O julgado decorreu do Recurso Especial n\u00ba 1.735.603 &#8211; AL, sob relatoria do Ministro Gurgel de Faria, onde realizou-se uma an\u00e1lise aprofundada sobre os crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o aplic\u00e1veis \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es em casos de improbidade administrativa, abrangendo tanto agentes p\u00fablicos quanto particulares envolvidos em pr\u00e1ticas il\u00edcitas. A decis\u00e3o destacou a necessidade de uma interpreta\u00e7\u00e3o cuidadosa das normas de improbidade, a fim de garantir que a prote\u00e7\u00e3o seja proporcional ao grau de envolvimento e \u00e0 natureza do ato praticado.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico argumentou que a referida lei permite a aplica\u00e7\u00e3o dessas penalidades em ambos os grupos, defendendo que, mesmo que os particulares n\u00e3o exercessem atualmente atividade pol\u00edtica ou empresarial, as san\u00e7\u00f5es continuariam a ter efeitos concretos e preventivos. Portanto, a suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos relativos ao direito de voto seria a possibilidade de candidatura, enquanto a proibi\u00e7\u00e3o de contrata\u00e7\u00e3o com o Poder P\u00fablico evitaria novas irregularidades.<\/p>\n<p>A defesa, por sua vez, sustentou que tais avalia\u00e7\u00f5es seriam desproporcionais para particulares sem v\u00ednculo atual com a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, argumentando que as medidas se tornariam in\u00f3cuas e sem impacto pr\u00e1tico na conduta dos r\u00e9us. A defesa destacou que os particulares envolvidos no processo n\u00e3o possuem, no momento, interesses diretos na esfera pol\u00edtica ou empresarial, o que tornaria a aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es impertinentes.<\/p>\n<p>Em sua decis\u00e3o, o STJ acolheu o recurso do MP, determinando que as penalidades tamb\u00e9m fossem aplicadas aos particulares. O Tribunal ressaltou que a suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos n\u00e3o se limita aos ocupantes de cargos eletivos, impactando o exerc\u00edcio do voto e a futura participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos r\u00e9us, caso optem por ingressar na vida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a proibi\u00e7\u00e3o de contrata\u00e7\u00e3o com o Poder P\u00fablico foi considerada essencial, promovendo uma prote\u00e7\u00e3o mais ampla ao interesse p\u00fablico. Com essa decis\u00e3o, o STJ refor\u00e7a a aplica\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00f5es provis\u00f3rias e preventivas, respeitando a gravidade e a natureza dos atos de improbidade e fortalecendo o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Um dos questionamentos trazidos refere-se a aplica\u00e7\u00e3o da pena de suspens\u00e3o dos direitos pol\u00edticos dos particulares, o que levou a entender a validade da norma mesmo em rela\u00e7\u00e3o aos r\u00e9us n\u00e3o pol\u00edticos, pois ela atinge a capacidade eleitoral ativa e a passiva dos indiv\u00edduos, concluindo que a penalidade n\u00e3o seria totalmente ineficaz e que pode sim produzir efeitos.<\/p>\n<p>Por tais raz\u00f5es, esta decis\u00e3o refor\u00e7a que as san\u00e7\u00f5es em casos de improbidade administrativa devem considerar a gravidade e a natureza dos atos, aplicando-se tanto a agentes p\u00fablicos quanto a particulares, mesmo que n\u00e3o estejam atualmente envolvidos na administra\u00e7\u00e3o. Esse entendimento promove uma abordagem preventiva, protegendo o interesse p\u00fablico e fortalecendo o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, para garantir que todos os envolvidos possam responder de forma proporcional \u00e0s infra\u00e7\u00f5es cometidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: J\u00falio C\u00e9sar Lima Rocha Em decis\u00e3o de 03 de setembro de 2024, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por unanimidade, decidiu que a aplica\u00e7\u00e3o das penas do art.12, II, da Lei de Improbidade Administrativa, LEI N\u00ba 8.429, DE 02 DE JUNHO DE 1992, n\u00e3o devem ser diferenciadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":41226,"featured_media":1476,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[75,30],"coauthors":[],"class_list":["post-1475","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-improbidade-administrativa","tag-stj"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/41226"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1475"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1475\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1477,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1475\/revisions\/1477"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1476"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1475"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=1475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}