{"id":1486,"date":"2024-12-09T17:44:44","date_gmt":"2024-12-09T20:44:44","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1486"},"modified":"2024-12-09T17:44:44","modified_gmt":"2024-12-09T20:44:44","slug":"gucci-cancio-orientador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/gucci-cancio-orientador\/","title":{"rendered":"STF &#8211; Uso de s\u00edmbolos religiosos em pr\u00e9dios e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos"},"content":{"rendered":"<p><strong>POR:<\/strong> Josiene Dias Barbosa<\/p>\n<p>Aos 26 de novembro do ano de 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Recurso Extraordin\u00e1rio com Agravo (ARE) 1249095, e, por unanimidade, decidiu que a presen\u00e7a de imagens e crucifixos em pr\u00e9dios e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos n\u00e3o viola o princ\u00edpio da neutralidade estatal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s religi\u00f5es (laicidade) nem compromete a liberdade de cren\u00e7a dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Esse caso de repercuss\u00e3o geral (Tema 1.086) chegou ao STF por meio de um recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), que buscava reverter uma decis\u00e3o do Tribunal Regional Federal da 3\u00aa Regi\u00e3o (TRF-3), a qual havia rejeitado o pedido de retirada de todos os s\u00edmbolos religiosos de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos da Uni\u00e3o no Estado de S\u00e3o Paulo. O MPF argumentava que o Brasil, como um pa\u00eds laico, deve manter o poder p\u00fablico desvinculado de qualquer igreja ou religi\u00e3o, ao passo que o TRF-3 decidiu que a presen\u00e7a desses s\u00edmbolos reafirmava a liberdade religiosa e o respeito \u00e0 cultura da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>No voto que conduziu o julgamento, o Ministro Cristiano Zanin destacou que a cultura e a tradi\u00e7\u00e3o se manifestam tamb\u00e9m por meio de s\u00edmbolos religiosos, enfatizando que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal protege a liberdade religiosa, sua manifesta\u00e7\u00e3o e exerc\u00edcio, al\u00e9m de proibir discrimina\u00e7\u00e3o por motivos de cren\u00e7a ou convic\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica.<\/p>\n<p>O Ministro Zanin mencionou que a laicidade do Estado \u00e9 um tema recorrente na jurisprud\u00eancia do STF, envolvendo quest\u00f5es como a valida\u00e7\u00e3o da Lei de Biosseguran\u00e7a, o tratamento diferenciado para pacientes testemunhas de Jeov\u00e1 e a presen\u00e7a de exemplares da B\u00edblia em bibliotecas e escolas p\u00fablicas. No entanto, o Ministro observou que, em casos onde a presen\u00e7a de s\u00edmbolos religiosos foi imposta por lei, o Tribunal invalidou tais normas, em respeito ao princ\u00edpio da neutralidade estatal.<\/p>\n<p>Ressaltou ainda que os s\u00edmbolos religiosos est\u00e3o presentes desde a forma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira, influenciados pela coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, e que essa simbologia se reflete n\u00e3o apenas em objetos, mas tamb\u00e9m em feriados, nomes de ruas, pra\u00e7as e cidades, representando uma tradi\u00e7\u00e3o que comp\u00f5e a hist\u00f3ria brasileira.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do STF reafirma a import\u00e2ncia da laicidade do Estado, ao mesmo tempo em que reconhece a relev\u00e2ncia cultural e hist\u00f3rica dos s\u00edmbolos religiosos na sociedade brasileira, cuja tese de repercuss\u00e3o geral fixada foi a seguinte: \u201cA presen\u00e7a de s\u00edmbolos religiosos em pr\u00e9dios p\u00fablicos, pertencentes a qualquer dos Poderes da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios, desde que tenha o objetivo de manifestar a tradi\u00e7\u00e3o cultural da sociedade brasileira, n\u00e3o viola os princ\u00edpios da n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o, da laicidade estatal e da impessoalidade\u201d (STF, 2024, Recurso Extraordin\u00e1rio com Agravo (ARE) 1249095).<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO:<\/strong> Recurso Extraordin\u00e1rio com Agravo (ARE) 1249095<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR: Josiene Dias Barbosa Aos 26 de novembro do ano de 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Recurso Extraordin\u00e1rio com Agravo (ARE) 1249095, e, por unanimidade, decidiu que a presen\u00e7a de imagens e crucifixos em pr\u00e9dios e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos n\u00e3o viola o princ\u00edpio da neutralidade estatal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s religi\u00f5es (laicidade) nem compromete [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":41226,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[844,843,6],"coauthors":[],"class_list":["post-1486","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-orgaos-publicos","tag-simbolos-religiosos","tag-stf"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/41226"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1486"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1486\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1487,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1486\/revisions\/1487"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1486"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=1486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}