{"id":1489,"date":"2024-12-23T11:40:21","date_gmt":"2024-12-23T14:40:21","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1489"},"modified":"2024-12-23T11:40:21","modified_gmt":"2024-12-23T14:40:21","slug":"stj-presidente-de-empresa-privada-nao-exerce-funcao-publica-restricao-ao-rerct-e-limitada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-presidente-de-empresa-privada-nao-exerce-funcao-publica-restricao-ao-rerct-e-limitada\/","title":{"rendered":"STJ: Presidente de empresa privada n\u00e3o exerce fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica: Restri\u00e7\u00e3o ao RERCT \u00e9 limitada"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por:<\/strong> Stephani Hayssa<\/p>\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu, por unanimidade, que o presidente de uma sociedade privada, ainda que formada em parceria estrat\u00e9gica com entes estatais, n\u00e3o exerce &#8220;fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica de dire\u00e7\u00e3o&#8221; nos termos do art. 11 da Lei n\u00ba 13.254\/2016. A decis\u00e3o, que rejeitou recurso da Fazenda Nacional, garantiu a reintegra\u00e7\u00e3o de uma contribuinte ao Regime Especial de Regulariza\u00e7\u00e3o Cambial e Tribut\u00e1ria (RERCT), estabelecendo um importante precedente para delimitar o alcance das restri\u00e7\u00f5es impostas pelo programa.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o, por meio da Fazenda Nacional, buscava excluir Hecilda Martins Fadel do RERCT, alegando que ela era sogra do presidente da Brasilcap Capitaliza\u00e7\u00e3o S.A., uma sociedade de capital fechado formada em parceria entre o Banco do Brasil e empresas privadas. Para a Fazenda, o v\u00ednculo da empresa com o Banco do Brasil caracterizaria o exerc\u00edcio de &#8220;fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica de dire\u00e7\u00e3o&#8221;, o que inviabilizaria a ades\u00e3o do contribuinte ao programa de regulariza\u00e7\u00e3o, conforme restri\u00e7\u00e3o prevista na Lei n\u00ba 13.254\/2016. A defesa da contribuinte argumentou que a Brasilcap \u00e9 uma empresa de natureza privada, submetida a regras corporativas do setor privado, e que o presidente da empresa n\u00e3o pode ser considerado agente p\u00fablico.<\/p>\n<p>O STJ confirmou o entendimento de que o presidente da Brasilcap n\u00e3o exerce fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, mas sim uma atividade administrativa privada, pautada pela Lei das Sociedades por A\u00e7\u00f5es (Lei n\u00ba 6.404\/1976). O relator do caso, ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, destacou que a Brasilcap, apesar de contar com participa\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria do Banco do Brasil, possui maioria acion\u00e1ria de empresas privadas, o que a caracteriza como sociedade privada. \u201cA natureza jur\u00eddica da companhia \u00e9 privada, e seu administrador atua em nome dos interesses da empresa, n\u00e3o podendo ser rotulado como agente p\u00fablico. Ampliar o conceito de fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica para incluir esses casos seria incompat\u00edvel com os limites estabelecidos pela lei\u201d, afirmou o relator. A decis\u00e3o se baseou tamb\u00e9m na an\u00e1lise da ADI n\u00ba 5.586\/DF, na qual o Supremo Tribunal Federal declarou constitucional a exclus\u00e3o de agentes p\u00fablicos e seus parentes do RERCT, mas com a ressalva de que a aplica\u00e7\u00e3o da norma deve respeitar os limites impostos pelo princ\u00edpio da legalidade.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do STJ refor\u00e7a a interpreta\u00e7\u00e3o de que restri\u00e7\u00f5es ao RERCT devem ser aplicadas de maneira restritiva e fundamentada, evitando amplia\u00e7\u00e3o indevida de conceitos como o de &#8220;fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica de dire\u00e7\u00e3o&#8221;. Especialistas apontam que o posicionamento traz seguran\u00e7a jur\u00eddica a empresas privadas com participa\u00e7\u00e3o estatal minorit\u00e1ria, que frequentemente atuam em parcerias estrat\u00e9gicas com entes p\u00fablicos. Al\u00e9m disso, a decis\u00e3o impede que dirigentes de empresas essencialmente privadas sejam injustamente tratados como agentes p\u00fablicos, o que poderia inviabilizar sua atua\u00e7\u00e3o em programas como o RERCT. Com o caso encerrado no STJ, a contribuinte Hecilda Martins Fadel ser\u00e1 reintegrada ao programa de regulariza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e cambial. A decis\u00e3o cria um importante precedente, delimitando a abrang\u00eancia do art. 11 da Lei n\u00ba 13.254\/2016 e garantindo maior clareza sobre o conceito de fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica em situa\u00e7\u00f5es semelhantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Stephani Hayssa O Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu, por unanimidade, que o presidente de uma sociedade privada, ainda que formada em parceria estrat\u00e9gica com entes estatais, n\u00e3o exerce &#8220;fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica de dire\u00e7\u00e3o&#8221; nos termos do art. 11 da Lei n\u00ba 13.254\/2016. 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