{"id":1507,"date":"2025-04-16T12:08:05","date_gmt":"2025-04-16T15:08:05","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1507"},"modified":"2025-04-16T12:08:05","modified_gmt":"2025-04-16T15:08:05","slug":"tst-onus-processual-do-empregador-domestico-de-controle-de-jornada-de-trabalho-e-sua-comprovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/tst-onus-processual-do-empregador-domestico-de-controle-de-jornada-de-trabalho-e-sua-comprovacao\/","title":{"rendered":"TST: \u00d4nus processual do empregador dom\u00e9stico de controle de jornada de trabalho e sua comprova\u00e7\u00e3o."},"content":{"rendered":"<p>Por: THAIS NAYRA LOPES SANTOS<\/p>\n<p>A Subse\u00e7\u00e3o I Especializada em Diss\u00eddios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho (SDI-1), ao julgar caso oriundo da 5\u00aa Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST), analisou o ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba TST-Ag-E-ED-RR-737-04.2020.5.20.0007, que tratou sobre o \u00f4nus processual do empregador dom\u00e9stico de realizar o controle da jornada de trabalho do empregado dom\u00e9stico e comprov\u00e1-la processualmente por qualquer meio id\u00f4neo, seja manual, mec\u00e2nico ou eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>O caso envolveu uma empregada dom\u00e9stica que ingressou com a\u00e7\u00e3o trabalhista contra sua empregadora, pleiteando o pagamento de horas extras. A empregadora, por sua vez, n\u00e3o apresentou qualquer comprova\u00e7\u00e3o da jornada efetivamente cumprida pela trabalhadora. De acordo com a Lei Complementar n\u00ba 150\/2015, vigente desde o in\u00edcio do v\u00ednculo empregat\u00edcio, \u00e9 obrigat\u00f3rio o registro do hor\u00e1rio de trabalho do empregado dom\u00e9stico por qualquer meio id\u00f4neo.<\/p>\n<p>A empregadora, contudo, argumentou com base na S\u00famula n\u00ba 338, I, do TST, que estabelece ser obrigat\u00f3ria a manuten\u00e7\u00e3o de controle de jornada apenas para empregadores com mais de vinte empregados. A n\u00e3o apresenta\u00e7\u00e3o desse controle gera presun\u00e7\u00e3o relativa de veracidade da jornada alegada na peti\u00e7\u00e3o inicial, a qual pode ser afastada por prova em contr\u00e1rio. No Direito do Trabalho, essa presun\u00e7\u00e3o relativa atribui veracidade \u00e0s alega\u00e7\u00f5es do empregado, salvo prova em sentido contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Entretanto, a 5\u00aa Turma do TST entendeu ser poss\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica da s\u00famula ao trabalho dom\u00e9stico, especialmente diante da previs\u00e3o legal que imp\u00f5e ao empregador o dever de controle de jornada. Dessa forma, a aus\u00eancia de prova documental ensejou o reconhecimento do direito \u00e0s horas extras pleiteadas.<\/p>\n<p>Recorrendo dessa decis\u00e3o, a empregadora, como argumento no Recurso de Embargos \u00e0 SDI-1, invocou decis\u00e3o da 4\u00aa Turma do TST, de 06\/09\/2022, nos autos do processo AIRR-1196-93.2017.5.10.0102. Nesse caso semelhante, entendeu-se que a empregadora n\u00e3o deveria apresentar controle de ponto, pois a distribui\u00e7\u00e3o do \u00f4nus da prova, conforme o art. 818 da CLT, imp\u00f5e ao empregado a demonstra\u00e7\u00e3o dos fatos que comprovam seu direito.<\/p>\n<p>Contudo, a SDI-1 n\u00e3o acolheu a argumenta\u00e7\u00e3o da empregadora. Para a Se\u00e7\u00e3o, o \u00f4nus de provar que a empregada n\u00e3o extrapolou sua jornada contratual \u2014 e, portanto, n\u00e3o faz jus \u00e0s horas extras \u2014 recai sobre o empregador. Logo, ante a aus\u00eancia dessa prova, as alega\u00e7\u00f5es da trabalhadora quanto \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de horas extras presumem-se verdadeiras.<\/p>\n<p>Portanto, o TST firmou entendimento pac\u00edfico de que, mesmo se tratando de uma \u00fanica empregada dom\u00e9stica \u2014 situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o atinge o n\u00famero m\u00ednimo previsto na S\u00famula 338 e no artigo 818 da CLT \u2014, \u00e9 cab\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica da regra. A falta de comprova\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho pela empregadora faz presumir verdadeiras as alega\u00e7\u00f5es da empregada, tornando devido o pagamento das horas extraordin\u00e1rias. Esse posicionamento tamb\u00e9m tem sido adotado por outras seis Turmas do TST.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: THAIS NAYRA LOPES SANTOS A Subse\u00e7\u00e3o I Especializada em Diss\u00eddios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho (SDI-1), ao julgar caso oriundo da 5\u00aa Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST), analisou o ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba TST-Ag-E-ED-RR-737-04.2020.5.20.0007, que tratou sobre o \u00f4nus processual do empregador dom\u00e9stico de realizar o controle da jornada de trabalho do empregado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":41226,"featured_media":1508,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[44,218,763,858,64],"coauthors":[],"class_list":["post-1507","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-direito-do-trabalho","tag-empregador","tag-jornada-de-trabalho","tag-onus-processual","tag-tst"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/41226"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1507"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1507\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1509,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1507\/revisions\/1509"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1508"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1507"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=1507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}