{"id":1561,"date":"2026-01-12T17:53:08","date_gmt":"2026-01-12T20:53:08","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1561"},"modified":"2026-01-12T17:53:08","modified_gmt":"2026-01-12T20:53:08","slug":"stj-terceira-turma-valida-adocao-postuma-e-reconhece-uniao-estavel-incidentalmente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-terceira-turma-valida-adocao-postuma-e-reconhece-uniao-estavel-incidentalmente\/","title":{"rendered":"STJ &#8211; Terceira Turma valida ado\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma e reconhece uni\u00e3o est\u00e1vel incidentalmente"},"content":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) reconheceu a possibilidade de ado\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma e validou, de forma incidental, a exist\u00eancia de uni\u00e3o est\u00e1vel entre os adotantes exclusivamente para fins da a\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o. A decis\u00e3o se deu em processo envolvendo uma crian\u00e7a entregue voluntariamente pela m\u00e3e biol\u00f3gica a um casal que, quando do pedido de ado\u00e7\u00e3o, declarou conviver em uni\u00e3o est\u00e1vel por mais de tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Ao ajuizar a\u00e7\u00e3o com pedidos de ado\u00e7\u00e3o e desconstitui\u00e7\u00e3o do poder familiar, o casal afirmou que a genitora entregou diretamente a crian\u00e7a aos seus cuidados quando tinha poucos meses de vida. O ju\u00edzo negou os pedidos, levando em conta a retrata\u00e7\u00e3o da m\u00e3e biol\u00f3gica e a burla ao cadastro de ado\u00e7\u00e3o, mas o casal recorreu.<\/p>\n<p>Antes do julgamento do recurso, um dos pretensos adotantes faleceu. Ao final, o tribunal de segunda inst\u00e2ncia decretou a perda do poder familiar da m\u00e3e biol\u00f3gica, que novamente desistiu da crian\u00e7a, e deferiu o pedido de ado\u00e7\u00e3o ao casal. No STJ, herdeiros do adotante falecido interpuseram recursos sustentando, entre outras quest\u00f5es, a falta de demonstra\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o est\u00e1vel para autorizar a ado\u00e7\u00e3o conjunta e o desrespeito ao cadastro nacional.<\/p>\n<p><strong>Ado\u00e7\u00e3o por conviventes demanda declara\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o est\u00e1vel e prova de estabilidade<\/strong><\/p>\n<p>Um dos principais pontos controvertidos foi a aus\u00eancia de reconhecimento judicial formal da uni\u00e3o est\u00e1vel entre os adotantes, levantada, em fase de <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"apela\u00e7\u00e3o\" data-termo=\"Apela\u00e7\u00e3o\" data-significado=\"Recurso contra a senten\u00e7a dada pelo ju\u00edzo de primeiro grau, dirigido ao tribunal de segunda inst\u00e2ncia.\">apela\u00e7\u00e3o<\/span>, por herdeiros do pretenso adotante ap\u00f3s o seu falecimento.<\/p>\n<p>O ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, relator, observou que, para a ado\u00e7\u00e3o conjunta, o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8069.htm#art42%C2%A72\">artigo 42, par\u00e1grafo 2\u00ba, do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA)<\/a> exige casamento civil ou uni\u00e3o est\u00e1vel dos adotantes e, ainda, a demonstra\u00e7\u00e3o de estabilidade familiar \u2013 requisitos que s\u00e3o verificados por meio de documenta\u00e7\u00e3o, entrevistas e estudo psicossocial durante o curso do processo de ado\u00e7\u00e3o. Segundo ele, a finalidade do referido dispositivo legal \u00e9 garantir que o adotando seja inserido em um ambiente afetivo, est\u00e1vel e adequado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o familiar \u2013 o que se confirmou no caso analisado.<\/p>\n<p>O relator ponderou que, embora a a\u00e7\u00e3o de reconhecimento de uni\u00e3o est\u00e1vel dos adotantes ainda estivesse pendente de julgamento, tal reconhecimento \u00e9 poss\u00edvel de forma incidental na a\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o, apenas para os fins dessa demanda. De acordo com Cueva, a declara\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o est\u00e1vel feita pelos adotantes \u00e9 presumida verdadeira e, com respaldo do estudo social e dos depoimentos das testemunhas, atende ao requisito da estabilidade familiar, autorizando a ado\u00e7\u00e3o conjunta.<\/p>\n<p><strong>Ado\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma exige manifesta\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca do falecido<\/strong><\/p>\n<p>Quanto \u00e0 ado\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma, Villas B\u00f4as Cueva considerou que havia manifesta\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de vontade do falecido em adotar a crian\u00e7a, o que permite o deferimento da chamada ado\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma, conforme o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8069.htm#art42%C2%A76\">artigo 42, par\u00e1grafo 6\u00ba, do ECA<\/a>.<\/p>\n<p>O ministro lembrou que o STJ j\u00e1 admitiu a ado\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma at\u00e9 mesmo em casos nos quais a a\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o nem havia sido iniciada, mas foi demonstrado de forma inequ\u00edvoca que o falecido s\u00f3 n\u00e3o ajuizou o pedido por impedimento legal posteriormente revogado. Para Cueva, o artigo 42, par\u00e1grafo 6\u00ba, do ECA tem por finalidade destacar que a aus\u00eancia da constitui\u00e7\u00e3o do direito em vida n\u00e3o afasta sua proced\u00eancia quando atendidos os demais requisitos legais.<\/p>\n<p><strong>Interesse do menor justifica deferimento de ado\u00e7\u00e3o que n\u00e3o observou ordem do cadastro<\/strong><\/p>\n<p>No caso dos autos, o relator explicou que, antes de receber a guarda da crian\u00e7a, o casal j\u00e1 havia iniciado o processo de habilita\u00e7\u00e3o no Cadastro Nacional de Ado\u00e7\u00e3o; contudo, a ordem dos casais que tinham preced\u00eancia n\u00e3o foi respeitada.<\/p>\n<p>Apesar de reconhecer a inobserv\u00e2ncia \u00e0 ordem de preced\u00eancia, o relator salientou que retirar a crian\u00e7a daquela fam\u00edlia, ap\u00f3s mais de 13 anos de conviv\u00eancia, causaria um grande preju\u00edzo, principalmente a ela. &#8220;A ofensa ao procedimento ordin\u00e1rio de ado\u00e7\u00e3o representa viola\u00e7\u00e3o de menor signific\u00e2ncia quando considerado o princ\u00edpio do melhor interesse da crian\u00e7a&#8221;, declarou.<\/p>\n<p>Com isso, os ministros negaram <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"provimento\" data-termo=\"Provimento\" data-significado=\"Ato de prover. Dar provimento a recurso significa acolher o pedido para reformar ou anular decis\u00e3o judicial anterior. No direito administrativo, \u00e9 o ato de preencher vaga no servi\u00e7o p\u00fablico.\">provimento<\/span> aos recursos especiais interpostos por herdeiros do adotante, mantendo v\u00e1lida a ado\u00e7\u00e3o em favor do casal, inclusive em rela\u00e7\u00e3o ao adotante falecido.<\/p>\n<p><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>FONTE: Com informa\u00e7\u00e3o da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social \u2013 STJ<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) reconheceu a possibilidade de ado\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma e validou, de forma incidental, a exist\u00eancia de uni\u00e3o est\u00e1vel entre os adotantes exclusivamente para fins da a\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o. 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