{"id":1600,"date":"2026-01-14T10:57:25","date_gmt":"2026-01-14T13:57:25","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1600"},"modified":"2026-01-14T10:57:25","modified_gmt":"2026-01-14T13:57:25","slug":"stj-renuncia-a-heranca-tambem-abarca-bens-descobertos-posteriormente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-renuncia-a-heranca-tambem-abarca-bens-descobertos-posteriormente\/","title":{"rendered":"STJ &#8211; Ren\u00fancia \u00e0 heran\u00e7a tamb\u00e9m abarca bens descobertos posteriormente"},"content":{"rendered":"<p>Para a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), o herdeiro que renunciou \u00e0 heran\u00e7a n\u00e3o pode reclamar direitos na sobrepartilha de bens do falecido que venham a ser descobertos no futuro. Com esse entendimento, o colegiado considerou que uma mulher, herdeira da credora original de uma empresa em processo de fal\u00eancia, n\u00e3o tem <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"legitimidade\" data-termo=\"Legitimidade\" data-significado=\"Condi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica que permite que algu\u00e9m seja autor (legitimidade ativa) ou r\u00e9u (legitimidade passiva) em um processo judicial, ou pratique algum ato processual.\">legitimidade<\/span> ativa para pedir a habilita\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, pois renunciou \u00e0 sua parte na heran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em primeira inst\u00e2ncia, o ju\u00edzo admitiu a habilita\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito na fal\u00eancia. O Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios (TJDFT) manteve a decis\u00e3o, sob o fundamento de que n\u00e3o seria razo\u00e1vel estender os efeitos da ren\u00fancia, feita no momento do invent\u00e1rio, a bens ou direitos at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos \u2013 como, no caso, o cr\u00e9dito da autora da heran\u00e7a. Al\u00e9m disso, segundo o TJDFT, o direito da herdeira ao cr\u00e9dito foi reconhecido em sobrepartilha homologada por <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"senten\u00e7a\" data-termo=\"Senten\u00e7a\" data-significado=\"Decis\u00e3o do ju\u00edzo de primeiro grau que encerra o processo nessa inst\u00e2ncia.\">senten\u00e7a<\/span> transitada em julgado, cuja validade n\u00e3o poderia ser afastada.<\/p>\n<p>No recurso ao STJ, a massa falida sustentou que a ren\u00fancia \u00e0 heran\u00e7a alcan\u00e7aria todos os direitos heredit\u00e1rios, e n\u00e3o seria poss\u00edvel modific\u00e1-la mesmo diante do posterior surgimento de bens antes desconhecidos.<\/p>\n<p><strong>Ren\u00fancia \u00e0 heran\u00e7a \u00e9 indivis\u00edvel e irrevog\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>O relator, ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, afirmou que a ren\u00fancia \u00e0 heran\u00e7a \u00e9 indivis\u00edvel e irrevog\u00e1vel, acabando por inteiro com o direito heredit\u00e1rio do renunciante, como se tal direito nunca tivesse existido, &#8220;n\u00e3o lhe remanescendo nenhuma prerrogativa sobre qualquer bem do patrim\u00f4nio&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A respeito da ren\u00fancia, a doutrina pontua que o renunciante se despoja dos seus direitos heredit\u00e1rios de forma retroativa e com efeitos de definitividade, abrindo m\u00e3o da totalidade dos bens e direitos j\u00e1 transferidos,\u00a0de forma que, perfeita a ren\u00fancia, \u00e9 como se nunca tivesse sido herdeiro, n\u00e3o sendo, pois, benefici\u00e1rio do direito sucess\u00f3rio&#8221;, declarou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s mencionar que o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1812\">artigo 1.812 do C\u00f3digo Civil<\/a> considera irrevog\u00e1veis tanto a aceita\u00e7\u00e3o da heran\u00e7a quanto a sua ren\u00fancia, o ministro destacou que, para a jurisprud\u00eancia do STJ, o ato de renunciar \u00e9 exercido por completo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 totalidade da heran\u00e7a, n\u00e3o se sujeitando a elementos acidentais, &#8220;raz\u00e3o pela qual n\u00e3o se pode aceitar ou renunciar a heran\u00e7a em partes, sob condi\u00e7\u00e3o (evento futuro incerto) ou termo (evento futuro e certo)&#8221;.<\/p>\n<p>Villas B\u00f4as Cueva destacou tamb\u00e9m que, tanto para a doutrina como para a jurisprud\u00eancia, a descoberta de novos bens ap\u00f3s o invent\u00e1rio d\u00e1 margem \u00e0 sobrepartilha, mas n\u00e3o rescinde ou anula a partilha j\u00e1 realizada, nem os atos praticados.<\/p>\n<p><strong><span class=\"\" data-match=\"senten\u00e7a\">Senten\u00e7a<\/span> da sobrepartilha n\u00e3o alcan\u00e7a a massa falida<\/strong><\/p>\n<p>Nas contrarraz\u00f5es ao recurso, a herdeira renunciante sustentou que o tr\u00e2nsito em julgado da <span class=\"\" data-match=\"senten\u00e7a\">senten\u00e7a<\/span> da sobrepartilha impediria a rediscuss\u00e3o de seu direito ao cr\u00e9dito no processo de habilita\u00e7\u00e3o. No entanto, o ministro apontou que a efic\u00e1cia da <span class=\"\" data-match=\"senten\u00e7a\">senten\u00e7a<\/span> \u00e9 diferente para as partes e para os terceiros que n\u00e3o participaram do processo \u2013 como a massa falida, que impugnou a habilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O terceiro, estranho ao processo de sobrepartilha, n\u00e3o \u00e9 atingido pela imutabilidade das mat\u00e9rias versadas nessa a\u00e7\u00e3o&#8221;, disse o relator, invocando o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art506\">artigo 506 do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC)<\/a>. Ele observou que a <span class=\"\" data-match=\"senten\u00e7a\">senten\u00e7a<\/span> da sobrepartilha apenas homologou a proposta de divis\u00e3o dos direitos de cr\u00e9dito apresentada pelos descendentes, sem analisar a quest\u00e3o relacionada \u00e0 ren\u00fancia feita anteriormente por um deles.<\/p>\n<p>Com esses fundamentos, a Terceira Turma decidiu que a habilita\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito deve ser extinta, sem resolu\u00e7\u00e3o do <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"m\u00e9rito\" data-termo=\"M\u00e9rito\" data-significado=\"A quest\u00e3o principal (ou o conjunto das quest\u00f5es principais) do processo, na qual se baseia o pedido do autor.\">m\u00e9rito<\/span>, por falta de <span class=\"\" data-match=\"legitimidade\">legitimidade<\/span> ativa da herdeira renunciante, de acordo com o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art485VI\">artigo 485, inciso VI, do CPC<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=313260329&amp;registro_numero=202000003860&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20250519&amp;formato=PDF\">Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 1.855.689<\/a>.<\/p>\n<p><strong>FONTE: Com informa\u00e7\u00e3o da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social \u2013 STJ<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), o herdeiro que renunciou \u00e0 heran\u00e7a n\u00e3o pode reclamar direitos na sobrepartilha de bens do falecido que venham a ser descobertos no futuro. 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