{"id":1608,"date":"2026-01-15T11:52:29","date_gmt":"2026-01-15T14:52:29","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1608"},"modified":"2026-01-15T11:52:29","modified_gmt":"2026-01-15T14:52:29","slug":"stj-erro-de-proibicao-afasta-estupro-de-vulneravel-em-caso-de-relacao-amorosa-com-menor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-erro-de-proibicao-afasta-estupro-de-vulneravel-em-caso-de-relacao-amorosa-com-menor\/","title":{"rendered":"STJ &#8211; Erro de proibi\u00e7\u00e3o afasta estupro de vulner\u00e1vel em caso de rela\u00e7\u00e3o amorosa com menor"},"content":{"rendered":"<div class=\"bloco_esq col-lg-8\">\n<div id=\"corpoDaNoticiaBox\" class=\"conteudo_texto\">\n<div id=\"ctl00_PlaceHolderMain_ctl07__ControlWrapper_RichHtmlField\" class=\"ms-rtestate-field\" aria-labelledby=\"ctl00_PlaceHolderMain_ctl07_label\">\n<p>Circunst\u00e2ncias concretas que evidenciaram erro de proibi\u00e7\u00e3o e inexist\u00eancia de efetiva ofensa ao bem jur\u00eddico tutelado levaram a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por unanimidade, a reformar uma decis\u00e3o de segunda inst\u00e2ncia que condenou um homem acusado de estupro de vulner\u00e1vel. Para o colegiado, o enquadramento formal do r\u00e9u no <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del2848.htm#art217a\">artigo 217-A do C\u00f3digo Penal (CP)<\/a> n\u00e3o se traduz automaticamente em infra\u00e7\u00e3o penal material, diante da inexist\u00eancia de les\u00e3o social relevante.<\/p>\n<p>No caso, o acusado, ent\u00e3o com 19 anos, manteve relacionamento amoroso com uma menina de 13 anos, com quem teve rela\u00e7\u00f5es sexuais. De acordo com os autos, o relacionamento ocorreu com ci\u00eancia e anu\u00eancia da fam\u00edlia, e resultou no nascimento de um filho, ao qual o r\u00e9u prestava assist\u00eancia afetiva e material.<\/p>\n<p>Para o tribunal estadual \u2013 que reformou a absolvi\u00e7\u00e3o proferida em primeiro grau \u2013, n\u00e3o seria poss\u00edvel reconhecer a atipicidade da conduta nesse caso. Segundo a corte, apesar de o acusado alegar desconhecimento da idade da v\u00edtima, as provas indicaram que ele tinha ci\u00eancia da menoridade, uma vez que o relacionamento durou cerca de 18 meses, per\u00edodo, inclusive, em que a v\u00edtima fez anivers\u00e1rio, al\u00e9m de ambos residirem na mesma rua, onde geralmente as pessoas se conhecem.<\/p>\n<p>Ainda segundo o tribunal, nem o consentimento da v\u00edtima nem a exist\u00eancia de v\u00ednculo afetivo teriam o efeito de descaracterizar o crime, que, por se tratar de delito de viol\u00eancia presumida, n\u00e3o admite relativiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><span class=\"termo-glossario\" data-match=\"s\u00famula 593\" data-termo=\"S\u00famula 593\" data-significado=\"O crime de estupro de vulner\u00e1vel se configura com a conjun\u00e7\u00e3o carnal ou pr\u00e1tica\nde ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante eventual\nconsentimento da v\u00edtima para a pr\u00e1tica do ato, sua experi\u00eancia sexual anterior\nou exist\u00eancia de relacionamento amoroso com o agente. \">S\u00famula 593<\/span> n\u00e3o dispensa an\u00e1lise das circunst\u00e2ncias espec\u00edficas do caso<\/strong><\/p>\n<p>Ao analisar o recurso da Defensoria P\u00fablica estadual, o relator na Quinta Turma, desembargador convocado Carlos Marchionatti \u2013 que j\u00e1 deixou o STJ \u2013, acolheu integralmente a posi\u00e7\u00e3o apresentada pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca em seu voto-vista.<\/p>\n<p>O colegiado considerou que a jurisprud\u00eancia consolidada do STJ, por meio da <a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/internet_docs\/biblioteca\/clippinglegislacao\/Sumula_593_2017_terceira_secao.pdf\">S\u00famula 593<\/a>, reconhece a vulnerabilidade absoluta de menores de 14 anos, tornando irrelevantes o consentimento, as experi\u00eancias sexuais anteriores ou a exist\u00eancia de relacionamento afetivo. No entanto, conforme registrado no <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"ac\u00f3rd\u00e3o\" data-termo=\"Ac\u00f3rd\u00e3o\" data-significado=\"Ac\u00f3rd\u00e3o \u00e9 a decis\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o colegiado de um tribunal. No caso do STJ, pode ser das turmas, se\u00e7\u00f5es ou da Corte Especial.\">ac\u00f3rd\u00e3o<\/span>, a aplica\u00e7\u00e3o dessa tese n\u00e3o dispensa a an\u00e1lise das circunst\u00e2ncias espec\u00edficas do caso concreto, sendo poss\u00edvel, excepcionalmente, que a referida s\u00famula e o artigo 217-A do CP cedam diante de situa\u00e7\u00f5es que evidenciem erro de proibi\u00e7\u00e3o e aus\u00eancia de efetiva les\u00e3o ao bem jur\u00eddico protegido.<\/p>\n<p>A Quinta Turma entendeu que esse afastamento \u00e9 poss\u00edvel por meio da t\u00e9cnica do <em>distinguishing<\/em>, que permite a n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o do entendimento sumulado em casos excepcionais, desde que existam fundamentos constitucionais e infraconstitucionais que justifiquem a preval\u00eancia da justi\u00e7a material sobre a interpreta\u00e7\u00e3o literal do tipo penal.<\/p>\n<p><strong>Condena\u00e7\u00e3o do pai poderia representar traumas mais graves<\/strong><\/p>\n<p>Nesse contexto, conforme registrado no <span class=\"\" data-match=\"ac\u00f3rd\u00e3o\">ac\u00f3rd\u00e3o<\/span>, o erro de proibi\u00e7\u00e3o pode ocorrer, por exemplo, em situa\u00e7\u00f5es envolvendo relacionamento amoroso consensual entre adolescentes ou jovens com pequena diferen\u00e7a et\u00e1ria, especialmente quando desse v\u00ednculo se forma um n\u00facleo familiar est\u00e1vel \u2013 circunst\u00e2ncias plenamente verificadas no caso concreto.<\/p>\n<p>Por fim, os ministros ressaltaram ainda que a prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a nascida da rela\u00e7\u00e3o, garantida pelo artigo 227 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e pela Lei 13.257\/2016 (Marco Legal da Primeira Inf\u00e2ncia), justifica uma solu\u00e7\u00e3o que preserve o n\u00facleo familiar constitu\u00eddo e evite traumas mais graves decorrentes da condena\u00e7\u00e3o do pai.<\/p>\n<p><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial<\/em>.<\/p>\n<p><strong>FONTE: Com informa\u00e7\u00e3o da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social \u2013 STJ<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"bloco_conteudo\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Circunst\u00e2ncias concretas que evidenciaram erro de proibi\u00e7\u00e3o e inexist\u00eancia de efetiva ofensa ao bem jur\u00eddico tutelado levaram a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por unanimidade, a reformar uma decis\u00e3o de segunda inst\u00e2ncia que condenou um homem acusado de estupro de vulner\u00e1vel. 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