{"id":1611,"date":"2026-01-15T11:54:11","date_gmt":"2026-01-15T14:54:11","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=1611"},"modified":"2026-01-15T11:54:11","modified_gmt":"2026-01-15T14:54:11","slug":"stj-vitima-de-violencia-domestica-pode-recorrer-contra-decisao-que-revogou-medidas-protetivas-de-urgencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-vitima-de-violencia-domestica-pode-recorrer-contra-decisao-que-revogou-medidas-protetivas-de-urgencia\/","title":{"rendered":"STJ &#8211; V\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica pode recorrer contra decis\u00e3o que revogou medidas protetivas de urg\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por unanimidade, decidiu que a v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica tem <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"legitimidade\" data-termo=\"Legitimidade\" data-significado=\"Condi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica que permite que algu\u00e9m seja autor (legitimidade ativa) ou r\u00e9u (legitimidade passiva) em um processo judicial, ou pratique algum ato processual.\">legitimidade<\/span> para recorrer de decis\u00e3o que indefere ou revoga medidas protetivas de urg\u00eancia. Segundo o colegiado, a <span class=\"\" data-match=\"legitimidade\">legitimidade<\/span> recursal da v\u00edtima n\u00e3o pode ser limitada pela previs\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del3689.htm#art271\">artigo 271 do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP)<\/a>.<\/p>\n<p>Com base nesse entendimento, a turma deu parcial <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"provimento\" data-termo=\"Provimento\" data-significado=\"Ato de prover. Dar provimento a recurso significa acolher o pedido para reformar ou anular decis\u00e3o judicial anterior. No direito administrativo, \u00e9 o ato de preencher vaga no servi\u00e7o p\u00fablico.\">provimento<\/span> ao <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"recurso especial\" data-termo=\"Recurso Especial\" data-significado=\"O recurso especial (sigla REsp) \u00e9 dirigido ao STJ para contestar poss\u00edvel m\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o da lei federal por um tribunal de segundo grau. Assim, o REsp serve para que o STJ uniformize a interpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o federal em todo o pa\u00eds.\">recurso especial<\/span> interposto por uma mulher v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Ela buscava reformar a decis\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de Goi\u00e1s (TJGO) que a considerou sem <span class=\"\" data-match=\"legitimidade\">legitimidade<\/span> recursal para impugnar a revoga\u00e7\u00e3o de medidas protetivas de urg\u00eancia.<\/p>\n<p>Para o TJGO, mesmo representada pela Defensoria P\u00fablica, a v\u00edtima n\u00e3o teria <span class=\"\" data-match=\"legitimidade\">legitimidade<\/span> para recorrer desse tipo de decis\u00e3o, por falta de previs\u00e3o legal espec\u00edfica, conforme o artigo 271 do CPP.<\/p>\n<p>No recurso ao STJ, a mulher alegou viola\u00e7\u00e3o dos <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11340.htm#art19\">artigos 19, par\u00e1grafo 3\u00ba<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11340.htm#art27\">27 e 28 da Lei Maria da Penha<\/a>, al\u00e9m dos artigos 271 e <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del3689.htm#art619\">619 do CPP<\/a>. Sustentou que a assist\u00eancia jur\u00eddica qualificada \u00e0 v\u00edtima n\u00e3o se limita \u00e0s atribui\u00e7\u00f5es da assist\u00eancia da acusa\u00e7\u00e3o, podendo abranger tamb\u00e9m outras medidas, conforme a estrat\u00e9gia adotada pelo defensor e os interesses da ofendida.<\/p>\n<p><strong>Restringir o acesso da v\u00edtima \u00e0 inst\u00e2ncia recursal prejudica a presta\u00e7\u00e3o jurisdicional<\/strong><\/p>\n<p>O relator do recurso, ministro Ribeiro Dantas, destacou que o artigo 19 da Lei Maria da Penha assegura \u00e0 mulher v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica a possibilidade de solicitar medidas restritivas contra o agressor. Para ele, seria incoerente reconhecer a <span class=\"\" data-match=\"legitimidade\">legitimidade<\/span> processual da v\u00edtima para requerer tais medidas e, ao mesmo tempo, negar-lhe a <span class=\"\" data-match=\"legitimidade\">legitimidade<\/span> para impugnar a decis\u00e3o que as indefere.<\/p>\n<p>&#8220;Restringir o acesso da v\u00edtima \u00e0 inst\u00e2ncia recursal prejudica a presta\u00e7\u00e3o jurisdicional em quest\u00e3o t\u00e3o sens\u00edvel e complexa na vida das mulheres, que merecem a m\u00e1xima efetividade das disposi\u00e7\u00f5es contidas na Lei Maria da Penha&#8221;, frisou.<\/p>\n<p><strong>Concess\u00e3o n\u00e3o depende da ocorr\u00eancia de fato que caracterize il\u00edcito penal<\/strong><\/p>\n<p>O magistrado ressaltou ainda que, conforme o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11340.htm#art19%C2%A75\">artigo 19, par\u00e1grafo 5\u00ba, da Lei Maria da Penha<\/a>, as medidas protetivas de urg\u00eancia podem ser concedidas independentemente da tipifica\u00e7\u00e3o penal da viol\u00eancia, da exist\u00eancia de <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"inqu\u00e9rito\" data-termo=\"Inqu\u00e9rito\" data-significado=\"Inqu\u00e9rito (sigla Inq no STJ) \u00e9 o procedimento investigativo para apurar a ocorr\u00eancia de um crime e identificar o seu autor.\">inqu\u00e9rito<\/span>, de a\u00e7\u00e3o judicial ou mesmo de boletim de ocorr\u00eancia. Por essa raz\u00e3o, ele apontou que a <span class=\"\" data-match=\"legitimidade\">legitimidade<\/span> recursal da v\u00edtima n\u00e3o pode ser limitada pela regra do artigo 271 do CPP, que disciplina a atua\u00e7\u00e3o do assistente de acusa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a situa\u00e7\u00e3o envolve a defesa de direitos pr\u00f3prios da ofendida.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Ribeiro Dantas lembrou que a jurisprud\u00eancia do STJ tem se debru\u00e7ado sobre o tema da interven\u00e7\u00e3o de terceiros e da <span class=\"\" data-match=\"legitimidade\">legitimidade<\/span> recursal no processo penal, especialmente quanto ao papel do assistente de acusa\u00e7\u00e3o, adotando interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do artigo 271 do CPP para n\u00e3o restringir sua aplicabilidade apenas ao texto literal.<\/p>\n<p>A concess\u00e3o das medidas protetivas \u2013 finalizou o ministro \u2013 &#8220;n\u00e3o depende da ocorr\u00eancia de um fato que caracterize il\u00edcito penal, de modo que a v\u00edtima n\u00e3o atua propriamente como assistente de acusa\u00e7\u00e3o, mas sim em nome pr\u00f3prio, na defesa de seus pr\u00f3prios direitos, inclusive de sua integridade f\u00edsica&#8221;.<\/p>\n<p><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de\u00a0segredo\u00a0judicial<\/em>.<\/p>\n<p><strong>FONTE: Com informa\u00e7\u00e3o da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social \u2013 STJ<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por unanimidade, decidiu que a v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica tem legitimidade para recorrer de decis\u00e3o que indefere ou revoga medidas protetivas de urg\u00eancia. 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