{"id":188,"date":"2021-10-04T12:17:22","date_gmt":"2021-10-04T15:17:22","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=188"},"modified":"2021-10-04T12:17:22","modified_gmt":"2021-10-04T15:17:22","slug":"stj-e-vedado-instituir-tratamento-diferenciado-entre-pais-biologicos-e-socioafetivos-em-registro-civil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-e-vedado-instituir-tratamento-diferenciado-entre-pais-biologicos-e-socioafetivos-em-registro-civil\/","title":{"rendered":"STJ: \u00c9 vedado instituir tratamento diferenciado entre pais biol\u00f3gicos e socioafetivos em registro civil"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpoDaNoticiaBox\" class=\"conteudo_texto\">\n<div id=\"ctl00_PlaceHolderMain_ctl05__ControlWrapper_RichHtmlField\" class=\"ms-rtestate-field\" aria-labelledby=\"ctl00_PlaceHolderMain_ctl05_label\">\n<p>\u200b\u200bCom base na aus\u00eancia de hierarquia entre as paternidades biol\u00f3gica e socioafetiva no contexto da rela\u00e7\u00e3o multiparental, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) declarou a impossibilidade de se dar tratamento distinto para o pai socioafetivo que deva ser inclu\u00eddo no registro civil do filho, ao lado do pai biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Para o colegiado, a equival\u00eancia de tratamento entre as duas esp\u00e9cies de filia\u00e7\u00e3o vale n\u00e3o apenas para efeitos registrais, mas tamb\u00e9m para os efeitos patrimoniais decorrentes do reconhecimento da multiparentalidade.<\/p>\n<p>A tese foi fixada pela turma ao reformar ac\u00f3rd\u00e3o de segundo grau que havia deferido a averba\u00e7\u00e3o do pai socioafetivo no registro civil, por\u00e9m com a exig\u00eancia de que essa condi\u00e7\u00e3o fosse indicada na certid\u00e3o de nascimento. Al\u00e9m disso, o tribunal estadual n\u00e3o reconheceu os efeitos patrimoniais e sucess\u00f3rios da filia\u00e7\u00e3o socioafetiva.<\/p>\n<p>Relator do recurso especial, o ministro Antonio Carlos Ferreira destacou que, como afirmado pela corte de origem, existe realmente v\u00ednculo entre a filha e o pai afetivo, havendo, inclusive, o consentimento dos herdeiros dele sobre o reconhecimento da filia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O magistrado lembrou que, ao reconhecer a possibilidade da filia\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica em conjunto com a socioafetiva, o Supremo Tribunal Federal (STF) vedou qualquer discrimina\u00e7\u00e3o ou hierarquia entre as esp\u00e9cies de v\u00ednculo parental.<\/p>\n<p><strong>Tratamento igual para evitar posi\u00e7\u00e3o inferior da filha socioafetiva<\/strong><\/p>\n<p>Em seu voto, Antonio Carlos Ferreira assinalou que a igualdade de tratamento entre os filhos tem previs\u00e3o no <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm#art227%C2%A76\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 227, par\u00e1grafo 6\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>, e ressaltou que a cria\u00e7\u00e3o de <em>status<\/em> diferenciado entre o pai biol\u00f3gico e o socioafetivo teria como consequ\u00eancia o tratamento distinto tamb\u00e9m entre os filhos, situa\u00e7\u00e3o que violaria o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1596\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 1.596 do C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a> e a <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8069.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Lei 8.069\/1990<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>No caso dos autos, o ministro apontou que a determina\u00e7\u00e3o de que constasse o termo &#8220;pai socioafetivo&#8221; no registro da filha seria o mesmo que conferir a ela posi\u00e7\u00e3o inferior em rela\u00e7\u00e3o aos demais descendentes.<\/p>\n<p>Ao reconhecer a equival\u00eancia de tratamento civil aos diferentes pais, o relator tamb\u00e9m apontou que o Conselho Nacional de Justi\u00e7a editou o <a href=\"https:\/\/atos.cnj.jus.br\/atos\/detalhar\/2525\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Provimento 63\/2017<\/strong><\/a>, que institui modelos \u00fanicos de certid\u00f5es de nascimento, casamento e \u00f3bito, n\u00e3o prevendo, nesses documentos, qualquer distin\u00e7\u00e3o de nomenclatura quanto \u00e0 origem da paternidade ou maternidade \u2013 se biol\u00f3gica ou socioafetiva.<\/p>\n<p><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial<\/em>.<\/p>\n<p><strong>FONTE:<\/strong> Assessoria de imprensa do STJ<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u200b\u200bCom base na aus\u00eancia de hierarquia entre as paternidades biol\u00f3gica e socioafetiva no contexto da rela\u00e7\u00e3o multiparental, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) declarou a impossibilidade de se dar tratamento distinto para o pai socioafetivo que deva ser inclu\u00eddo no registro civil do filho, ao lado do pai biol\u00f3gico. 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