{"id":224,"date":"2021-10-14T09:53:13","date_gmt":"2021-10-14T12:53:13","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=224"},"modified":"2021-10-14T09:53:13","modified_gmt":"2021-10-14T12:53:13","slug":"stj-meros-atos-preparatorios-nao-sao-suficientes-para-fundamentar-a-tipificacao-de-tentativa-de-roubo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-meros-atos-preparatorios-nao-sao-suficientes-para-fundamentar-a-tipificacao-de-tentativa-de-roubo\/","title":{"rendered":"STJ: Meros atos preparat\u00f3rios n\u00e3o s\u00e3o suficientes para fundamentar a tipifica\u00e7\u00e3o de tentativa de roubo"},"content":{"rendered":"<p>A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) estabeleceu que, para se configurar a modalidade tentada de um crime, \u00e9 necess\u00e1rio que o agente comece a praticar a a\u00e7\u00e3o descrita pelo verbo correspondente ao n\u00facleo do tipo penal.<\/p>\n<p>Com esse entendimento, os ministros negaram provimento ao recurso em que o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Tocantins buscava a condena\u00e7\u00e3o de dois homens por tentativa de roubo. Eles foram flagrados pela pol\u00edcia com uma arma de fogo, ap\u00f3s romperem o cadeado e destru\u00edrem a fechadura de uma resid\u00eancia com o objetivo de roub\u00e1-la.<\/p>\n<p>Para o colegiado, no entanto, a a\u00e7\u00e3o dos dois configurou meros atos preparat\u00f3rios \u2013 o que impede a condena\u00e7\u00e3o por tentativa de roubo circunstanciado, uma vez que n\u00e3o iniciaram a a\u00e7\u00e3o de &#8220;subtrair&#8221;, n\u00facleo verbal do <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del2848.htm#art157\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 157 do C\u00f3digo Penal<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Diverg\u00eancia sobre a configura\u00e7\u00e3o do crime tentado<\/strong><\/p>\n<p>O relator, ministro Ribeiro Dantas, destacou que, segundo o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del2848.htm#art14\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 14, II, do C\u00f3digo Penal<\/strong><\/a>, o crime \u00e9 considerado tentado quando, iniciada a execu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se consuma por circunst\u00e2ncias alheias \u00e0 vontade do agente. &#8220;O texto legal \u00e9 muito aberto, n\u00e3o trazendo maior clareza ou precis\u00e3o a respeito de algo que concretamente possa indicar quando a execu\u00e7\u00e3o de um crime \u00e9 iniciada, talvez por n\u00e3o se tratar de uma miss\u00e3o humanamente simples, sendo ela objeto de debates tamb\u00e9m em outros pa\u00edses&#8221;, ponderou.<\/p>\n<p>Segundo o magistrado, a doutrina de Eugenio Ra\u00fal Zaffaroni e Jos\u00e9 Henrique Pierangeli entende que o problema mais cr\u00edtico da tentativa \u00e9 determinar a diferen\u00e7a entre os atos executivos e os preparat\u00f3rios. Os autores, afirmou, adotam o chamado crit\u00e9rio objetivo-individual, para o qual a tentativa come\u00e7a com a atividade do agente que, segundo o seu plano concretamente delitivo, se aproxima da realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra vertente, explicou Ribeiro Dantas, \u00e9 uma variante do crit\u00e9rio objetivo-individual que requer &#8220;comportamento manifestado em execu\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do tipo, segundo o plano do autor, numa conex\u00e3o ou semelhan\u00e7a muito grande com a teoria objetivo-formal, que exige o in\u00edcio da realiza\u00e7\u00e3o do n\u00facleo da norma penal incriminadora&#8221;. De acordo com o relator, nessa perspectiva, seriam condutas meramente preparat\u00f3rias dirigir-se ao local da subtra\u00e7\u00e3o patrimonial (ainda que portando armas), montar mecanismo de arrombamento no local etc.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 jurisprud\u00eancia dominante sobre o tema<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o haver jurisprud\u00eancia dominante a respeito da quest\u00e3o, o ministro apontou precedente em que a Terceira Se\u00e7\u00e3o analisou o caso de duas pessoas que foram presas, armadas, em frente a uma ag\u00eancia dos Correios e confessaram a inten\u00e7\u00e3o de cometer um assalto, depois de terem observado o ponto por alguns dias para saber o hor\u00e1rio dos malotes de uma institui\u00e7\u00e3o financeira. Por n\u00e3o reconhecer a tentativa de roubo \u00e0 ag\u00eancia da empresa p\u00fablica, a se\u00e7\u00e3o afastou a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n<p>Naquele julgamento, destacou Ribeiro Dantas, o colegiado consignou que n\u00e3o se poderia imputar aos r\u00e9us a pr\u00e1tica de roubo circunstanciado tentado, pois em nenhum momento ocorreu o in\u00edcio da conduta tipificada no artigo 157 do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p>&#8220;A despeito da controv\u00e9rsia doutrin\u00e1ria e da abertura legal, o que afasta a exist\u00eancia de uma \u00fanica resposta certa para fixar o entendimento jur\u00eddico sobre a mat\u00e9ria, parece ser poss\u00edvel empregar o mesmo racioc\u00ednio do julgado acima transcrito, entendendo que esta corte tem a tend\u00eancia de seguir a corrente objetivo-formal, exigindo o in\u00edcio da pr\u00e1tica do verbo correspondente ao n\u00facleo do tipo penal para a configura\u00e7\u00e3o da tentativa&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO:<\/strong> <a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2033903&amp;num_registro=201602274509&amp;data=20210927&amp;peticao_numero=-1&amp;formato=PDF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>AREsp 974.254<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>FONTE:<\/strong> Assessoria de imprensa do STJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) estabeleceu que, para se configurar a modalidade tentada de um crime, \u00e9 necess\u00e1rio que o agente comece a praticar a a\u00e7\u00e3o descrita pelo verbo correspondente ao n\u00facleo do tipo penal. 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