{"id":344,"date":"2021-11-26T14:16:54","date_gmt":"2021-11-26T17:16:54","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=344"},"modified":"2021-11-26T14:16:54","modified_gmt":"2021-11-26T17:16:54","slug":"tst-motorista-auxiliar-de-taxi-nao-consegue-vinculo-de-emprego-com-dono-da-permissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/tst-motorista-auxiliar-de-taxi-nao-consegue-vinculo-de-emprego-com-dono-da-permissao\/","title":{"rendered":"TST: Motorista auxiliar de t\u00e1xi n\u00e3o consegue v\u00ednculo de emprego com dono da permiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho afastou o reconhecimento de v\u00ednculo de emprego entre um motorista e a microempresa Oliveira &amp; Andrade Ltda., de Palmas (TO), que o contratou para ser motorista auxiliar de t\u00e1xi. De acordo com o colegiado, trata-se de contrato de parceria para a utiliza\u00e7\u00e3o do t\u00e1xi, o que afasta o requisito da subordina\u00e7\u00e3o jur\u00eddica para o reconhecimento da rela\u00e7\u00e3o de emprego.<\/p>\n<p><strong>T\u00e1xi<\/strong><\/p>\n<p>Na reclama\u00e7\u00e3o trabalhista, o motorista relatou que fora contratado pela microempresa, em 5\/6\/2012, e dispensado imotivadamente em 18\/4\/2017, sem o recebimento das verbas rescis\u00f3rias. Ele disse que recebia cerca de R$2 mil mensais at\u00e9 dezembro de 2015, mas, em 2016, o valor foi reduzido para R$ 1 mil, com aumento posterior de R$ 700.<\/p>\n<p>Segundo ele, sua jornada, nos \u00faltimos anos, era de 36 horas de plant\u00e3o por 12 horas de descanso, e, ao final de cada plant\u00e3o, ap\u00f3s aferi\u00e7\u00e3o do tax\u00edmetro, era descontado do montante as despesas de combust\u00edvel e manuten\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo, como lavagem, troca de \u00f3leo, conserto de pneus, e ele recebia 35% do valor remanescente pago no percentual de 35%.<\/p>\n<p><strong>Comiss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A microempresa, em sua defesa, sustentou ter mantido como o motorista contrato verbal de parceria na explora\u00e7\u00e3o do t\u00e1xi, sem subordina\u00e7\u00e3o, onerosidade e habitualidade, e que ele recebia a comiss\u00e3o de 35% da arrecada\u00e7\u00e3o di\u00e1ria pelos servi\u00e7os. De acordo com a empresa, era ela que arcava com a manuten\u00e7\u00e3o e os impostos do ve\u00edculo, de sua propriedade. Tamb\u00e9m alegou que n\u00e3o fazia o controle das horas de trabalho, pois somente entregava o autom\u00f3vel, utilizado de acordo com a vontade do motorista.<\/p>\n<p><strong>Din\u00e2mica estrutural<\/strong><\/p>\n<p>O ju\u00edzo da 2\u00aa Vara do Trabalho de Palmas (TO) julgou improcedente o pedido do motorista, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 10\u00aa Regi\u00e3o, ao julgar recurso, determinou o pagamento dos respectivos cr\u00e9ditos trabalhistas. Segundo o TRT, diante da atual organiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, \u00e9 desnecess\u00e1rio que o empregado receba ordens diretas ou seja diretamente fiscalizado pelo empregador para que fique caracterizada a subordina\u00e7\u00e3o: a inser\u00e7\u00e3o do trabalhador na din\u00e2mica estrutural da empresa \u00e9, por si s\u00f3, suficiente para indicar a submiss\u00e3o ao empregador.<\/p>\n<p><strong>Contrato de parceria<\/strong><\/p>\n<p>A relatora do recurso de revista da Oliveira &amp; Andrade, ministra Maria Helena Mallmann, registrou que o <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l6094.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">artigo 1\u00ba<\/a> da Lei 6.094\/1974, que define a atividade de auxiliar de condutor aut\u00f4nomo de ve\u00edculo rodovi\u00e1rio, faculta ao condutor a cess\u00e3o do seu autom\u00f3vel, em regime de colabora\u00e7\u00e3o, no m\u00e1ximo a dois outros profissionais. Ainda conforme o dispositivo, os auxiliares contribuem para o Regime Geral de Previd\u00eancia Social de forma id\u00eantica \u00e0 dos contribuintes individuais. Outro ponto relevante da lei \u00e9 que o contrato, nesse caso, \u00e9 de natureza civil, n\u00e3o havendo v\u00ednculo empregat\u00edcio.<\/p>\n<h4>Subordina\u00e7\u00e3o estrutural x subordina\u00e7\u00e3o jur\u00eddica<\/h4>\n<p>Para a ministra, os fundamentos registrados pelo TRT n\u00e3o levam \u00e0 conclus\u00e3o da presen\u00e7a da subordina\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, requisito essencial \u00e0 configura\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo de emprego, embora se possa identificar a subordina\u00e7\u00e3o estrutural &#8211; quando a fun\u00e7\u00e3o desempenhada pelo trabalhador \u00e9 essencial ao funcionamento estrutural e organizacional da empresa, atuando diretamente na sua atividade econ\u00f4mica principal.<\/p>\n<p>Ela lembrou, ainda, que a Subse\u00e7\u00e3o I Especializada em Diss\u00eddios Individuais (SDI-1), respons\u00e1vel pela uniformiza\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia do TST, firmou entendimento de que a subordina\u00e7\u00e3o estrutural n\u00e3o \u00e9 crit\u00e9rio de distin\u00e7\u00e3o para a configura\u00e7\u00e3o da subordina\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, relacionada ao poder do empregador de dirigir e comandar a presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, controlar o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es e aplicar puni\u00e7\u00f5es pelo descumprimento do dever contratual.<\/p>\n<p>De acordo com a ministra, o fato de o motorista ter hora para a entrega do ve\u00edculo n\u00e3o implica exist\u00eancia de controle de hor\u00e1rio, e o fato de a microempresa arcar com despesas do ve\u00edculo n\u00e3o caracteriza subordina\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. Ela destacou, tamb\u00e9m, que o motorista contribu\u00eda com parte dos gastos com ve\u00edculo, como desgaste de pneus, combust\u00edvel, \u00f3leo e lavagem.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o foi un\u00e2nime.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO:<\/strong> <a href=\"http:\/\/aplicacao4.tst.jus.br\/consultaProcessual\/resumoForm.do?consulta=1&amp;numeroInt=142435&amp;anoInt=2018\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">RR-1893-51.2017.5.10.0802<\/a><\/p>\n<p><strong>FONTE:<\/strong> Com informa\u00e7\u00f5es da assessoria de comunica\u00e7\u00e3o do TST<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho afastou o reconhecimento de v\u00ednculo de emprego entre um motorista e a microempresa Oliveira &amp; Andrade Ltda., de Palmas (TO), que o contratou para ser motorista auxiliar de t\u00e1xi. 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