{"id":426,"date":"2022-03-11T01:13:05","date_gmt":"2022-03-11T04:13:05","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=426"},"modified":"2022-03-11T01:13:05","modified_gmt":"2022-03-11T04:13:05","slug":"stj-decretacao-de-medida-cautelar-mais-grave-que-a-requerida-pelo-mp-nao-caracteriza-atuacao-de-oficio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-decretacao-de-medida-cautelar-mais-grave-que-a-requerida-pelo-mp-nao-caracteriza-atuacao-de-oficio\/","title":{"rendered":"STJ: Decreta\u00e7\u00e3o de medida cautelar mais grave que a requerida pelo MP n\u00e3o caracteriza atua\u00e7\u00e3o de of\u00edcio"},"content":{"rendered":"<p>A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entendeu que a op\u00e7\u00e3o judicial por medida cautelar mais grave do que aquela requerida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP), pela autoridade policial ou pelo ofendido n\u00e3o pode ser considerada atua\u00e7\u00e3o\u00a0de of\u00edcio do magistrado.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o veio na an\u00e1lise de recurso interposto contra ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de Rond\u00f4nia (TJRO), em que o r\u00e9u \u2013 acusado dos crimes de les\u00e3o corporal e amea\u00e7a no contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar \u2013 alegou ter sido a sua pris\u00e3o preventiva decretada de of\u00edcio, em afronta ao que determina a Lei 13.964\/2019 (Pacote Anticrime).<\/p>\n<p>Segundo os autos, durante a audi\u00eancia de cust\u00f3dia, o MP defendeu a aplica\u00e7\u00e3o de medidas cautelares diversas da pris\u00e3o, incluindo o monitoramento eletr\u00f4nico. Entretanto, o magistrado decretou a pris\u00e3o preventiva, fundamentada na garantia da ordem p\u00fablica, por entender preenchidos os requisitos dos artigos 312 e 313, III, do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP).<\/p>\n<p>Na decis\u00e3o recorrida, o TJRO consignou que, embora a Lei 13.964\/2019 tenha estabelecido (ao modificar o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del3689compilado.htm#art282\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 282<\/strong><strong>, par\u00e1grafo 2\u00ba,\u00a0 do CPP<\/strong><\/a>) que a pris\u00e3o preventiva depende de requerimento do MP, do querelante, do assistente de acusa\u00e7\u00e3o ou de representa\u00e7\u00e3o do delegado de pol\u00edcia, n\u00e3o houve altera\u00e7\u00e3o legislativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas desse tipo decorrentes de viol\u00eancia dom\u00e9stica \u2013 as quais poderiam ser decretadas de of\u00edcio pelo juiz, conforme o <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11340.htm#art20\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 20 da Lei 11.340\/2006 (Lei Maria da Penha)<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Livre convencimento motivado do juiz<\/strong><\/p>\n<p>Relator do processo no STJ, o ministro Rogerio Schietti Cruz ponderou que, diferentemente do entendimento do tribunal de origem, o princ\u00edpio da especialidade n\u00e3o autoriza a atua\u00e7\u00e3o judicial de of\u00edcio, mesmo em se tratando de crime de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher. Por esse princ\u00edpio, o dispositivo da Lei Maria da Penha (lei especial) se sobreporia ao CPP (lei geral).<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o obstante o artigo 20 da Lei 11.340\/2006 ainda autorize a decreta\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o preventiva de of\u00edcio pelo juiz de direito, tal disposi\u00e7\u00e3o destoa do atual regime jur\u00eddico. A atua\u00e7\u00e3o do juiz de of\u00edcio \u00e9 vedada, independentemente do delito praticado ou de sua gravidade&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Entretanto, ele destacou que, no caso analisado, o que ocorreu n\u00e3o foi uma decis\u00e3o de of\u00edcio, visto que houve requerimento do MP, durante a audi\u00eancia de cust\u00f3dia, para que fossem fixadas cautelares diversas da pris\u00e3o preventiva, mas o juiz optou pela cautelar m\u00e1xima, por entender que apenas as medidas alternativas seriam insuficientes para a garantia da ordem p\u00fablica.<\/p>\n<p>&#8220;Uma vez provocado pelo \u00f3rg\u00e3o ministerial a determinar uma medida que restrinja a liberdade do acusado em alguma medida, deve o juiz poder agir de acordo com o seu convencimento motivado e analisar qual medida cautelar pessoal melhor se adequa ao caso&#8221;, disse o ministro.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o vincula\u00e7\u00e3o do juiz ao pedido formulado pelo MP<\/strong><\/p>\n<p>Schietti apontou o recente entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) no <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=6198519\"><strong>HC 203.208<\/strong><\/a>, segundo o qual, embora o juiz n\u00e3o possa decretar a pris\u00e3o de of\u00edcio, ele n\u00e3o est\u00e1 vinculado ao pedido formulado pelo MP.<\/p>\n<p>&#8220;Impor ou n\u00e3o cautelas pessoais, de fato, depende de pr\u00e9via e indispens\u00e1vel provoca\u00e7\u00e3o; contudo, a escolha de qual delas melhor se ajusta ao caso concreto h\u00e1 de ser feita pelo juiz da causa. Entender de forma diversa seria vincular a decis\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio ao pedido formulado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, de modo a transformar o julgador em mero chancelador de suas manifesta\u00e7\u00f5es, ou de lhe transferir a escolha do teor de uma decis\u00e3o judicial&#8221;, explicou o relator.<\/p>\n<p>De acordo com o ministro, a decis\u00e3o do juiz pela cautelar mais grave teve &#8220;motiva\u00e7\u00e3o suficiente e concreta a justificar a segrega\u00e7\u00e3o preventiva, sobretudo diante do <em>modus operandi<\/em> da conduta e da periculosidade do agente, que amea\u00e7ou de morte e agrediu sua filha menor de 11 anos de idade e sua companheira \u2013 gr\u00e1vida de dez semanas \u00e0 \u00e9poca dos fatos \u2013, de modo a causar-lhe les\u00f5es que acarretaram sua interna\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO:<\/strong> <span id=\"pstj_elContItensProcessosRelacionados\" class=\"obj_textos_rel_processos\"><a class=\"\" href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=RHC 145225\" target=\"janela_processos\" rel=\"noopener\">RHC 145225<\/a><\/span><\/p>\n<p><strong>FONTE:<\/strong> Com informa\u00e7\u00f5es da Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social do STJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entendeu que a op\u00e7\u00e3o judicial por medida cautelar mais grave do que aquela requerida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP), pela autoridade policial ou pelo ofendido n\u00e3o pode ser considerada atua\u00e7\u00e3o\u00a0de of\u00edcio do magistrado. 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