{"id":561,"date":"2022-06-06T23:01:46","date_gmt":"2022-06-07T02:01:46","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=561"},"modified":"2022-06-06T23:01:46","modified_gmt":"2022-06-07T02:01:46","slug":"stf-afastada-incidencia-do-ir-sobre-pensoes-alimenticias-decorrentes-do-direito-de-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stf-afastada-incidencia-do-ir-sobre-pensoes-alimenticias-decorrentes-do-direito-de-familia\/","title":{"rendered":"STF: Afastada incid\u00eancia do IR sobre pens\u00f5es aliment\u00edcias decorrentes do direito de fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>O Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) afastou a incid\u00eancia do Imposto de Renda (IR) sobre valores decorrentes do direito de fam\u00edlia recebidos a t\u00edtulo de alimentos ou de pens\u00f5es aliment\u00edcias. A decis\u00e3o se deu, na sess\u00e3o virtual finalizada em 3\/6, no julgamento da A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5422, ajuizada pelo Instituto Brasileiro de Direito de Fam\u00edlia (IBDFAM), nos termos do voto do relator, ministro Dias Toffoli.<\/p>\n<p><b>Direito de fam\u00edlia<\/b><\/p>\n<p>Inicialmente, o ministro explicou que a discuss\u00e3o se limitou a alimentos e pens\u00f5es aliment\u00edcias estabelecidas com base no direito de fam\u00edlia, pois o IBDFAM, ao formular suas raz\u00f5es, n\u00e3o apresentou fundamentos de inconstitucionalidade da incid\u00eancia do imposto sobre outras realidades.<\/p>\n<p><b>Entrada de valores<\/b><\/p>\n<p>No exame do m\u00e9rito, Toffoli observou que a jurisprud\u00eancia do STF e a doutrina jur\u00eddica, ao tratar do artigo 153, inciso III, do texto constitucional (que prev\u00ea a compet\u00eancia da Uni\u00e3o para instituir o imposto), entendem que a materialidade do tributo est\u00e1 necessariamente vinculada \u00e0 exist\u00eancia de acr\u00e9scimo patrimonial. Ocorre que alimentos ou pens\u00e3o aliment\u00edcia oriunda do direito de fam\u00edlia n\u00e3o s\u00e3o renda nem provento de qualquer natureza do credor dos alimentos, mas simplesmente montantes retirados dos rendimentos recebidos pelo pagador (alimentante) para serem dados ao benefici\u00e1rio. &#8220;O recebimento desses valores representa t\u00e3o somente uma entrada de valores&#8221;, apontou.<\/p>\n<p><b>Bitributa\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>O relator tamb\u00e9m considerou que o devedor dos alimentos ou da pens\u00e3o aliment\u00edcia, ao receber a renda ou o provento (acr\u00e9scimos patrimoniais) sujeitos ao IR, retira disso parcela para pagar a obriga\u00e7\u00e3o. Assim, a legisla\u00e7\u00e3o questionada provoca a ocorr\u00eancia de bitributa\u00e7\u00e3o camuflada e sem justifica\u00e7\u00e3o leg\u00edtima, violando o texto constitucional.<\/p>\n<p>Toffoli refor\u00e7ou que submeter os valores recebidos a esse t\u00edtulo ao IR representa nova incid\u00eancia do mesmo tributo sobre a mesma realidade, isto \u00e9, sobre parcela que integrou o recebimento de renda ou de proventos pelo alimentante. \u201cEssa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorre com outros contribuintes\u201d, frisou.<\/p>\n<p><b>Dedu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Ainda de acordo com o relator, a Lei 9.250\/1995, ao permitir a dedu\u00e7\u00e3o dos valores pagos a t\u00edtulo de pens\u00e3o aliment\u00edcia na base de c\u00e1lculo mensal do imposto devido pelo alimentante, n\u00e3o afasta esse entendimento. \u201cNo caso, o alimentante, e n\u00e3o a pessoa alimentada, \u00e9 o benefici\u00e1rio da dedu\u00e7\u00e3o\u201d, frisou.<\/p>\n<p>O voto do relator foi seguido pelos ministros Luiz Fux (presidente do STF), Ricardo Lewandowski, Lu\u00eds Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Andr\u00e9 Mendon\u00e7a e pelas ministras C\u00e1rmen L\u00facia e Rosa Weber.<\/p>\n<p><b>Resultado<\/b><\/p>\n<p>Por maioria, o Plen\u00e1rio deu interpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o Federal ao artigo 3\u00ba, par\u00e1grafo 1\u00ba, da Lei 7.713\/1988, aos artigos 4\u00ba e 46 do Anexo do Decreto 9.580\/2018 e aos artigos 3\u00ba, caput e par\u00e1grafos 1\u00ba e 4\u00ba, do Decreto-lei 1.301\/1973, que preveem a incid\u00eancia de IR nas obriga\u00e7\u00f5es alimentares.<\/p>\n<p>Os ministros Gilmar Mendes, Edson Fachin e Nunes Marques ficaram parcialmente vencidos. Para eles, as pens\u00f5es devem ser somadas aos valores do respons\u00e1vel legal, aplicando-se a tabela progressiva do IR para cada dependente, ressalvada a possibilidade de o alimentando declarar individualmente o Imposto de Renda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) afastou a incid\u00eancia do Imposto de Renda (IR) sobre valores decorrentes do direito de fam\u00edlia recebidos a t\u00edtulo de alimentos ou de pens\u00f5es aliment\u00edcias. 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