{"id":60,"date":"2021-09-08T17:19:54","date_gmt":"2021-09-08T20:19:54","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=60"},"modified":"2021-09-10T09:35:34","modified_gmt":"2021-09-10T12:35:34","slug":"stf-imunidade-de-jurisdicao-de-estado-nao-alcanca-atos-ofensivos-ao-direito-internacional-da-pessoa-humana-praticados-no-territorio-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stf-imunidade-de-jurisdicao-de-estado-nao-alcanca-atos-ofensivos-ao-direito-internacional-da-pessoa-humana-praticados-no-territorio-brasileiro\/","title":{"rendered":"STF: Imunidade de jurisdi\u00e7\u00e3o de Estado n\u00e3o alcan\u00e7a atos ofensivos ao direito internacional da pessoa humana praticados no territ\u00f3rio brasileiro."},"content":{"rendered":"<p><strong>TESE FIXADA:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0 \u201cOs atos il\u00edcitos praticados por Estados estrangeiros em viola\u00e7\u00e3o a direitos humanos n\u00e3o gozam de imunidade de jurisdi\u00e7\u00e3o.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>RESUMO:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A imunidade de jurisdi\u00e7\u00e3o de Estado estrangeiro n\u00e3o alcan\u00e7a atos de imp\u00e9rio ofensivos ao direito internacional da pessoa humana praticados no territ\u00f3rio brasileiro, tais como aqueles que resultem na morte de civis em per\u00edodo de guerra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A imunidade de jurisdi\u00e7\u00e3o de Estado soberano em raz\u00e3o de ato de imp\u00e9rio tem fonte no direito costumeiro. Este, ainda que tenha <strong>status<\/strong> elevado no direito internacional, nem sempre deve prevalecer. \u00c9 que atos de imp\u00e9rio que resultem na morte de cidad\u00e3os brasileiros n\u00e3o combatentes, ainda que praticados num contexto de guerra, s\u00e3o atos il\u00edcitos, seja por ofenderem as normas que regulamentam os conflitos armados (1), seja por ignorarem os princ\u00edpios que regem os direitos humanos (2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ademais, em hip\u00f3teses como essa, devem prevalecer os direitos humanos tal como determina o art. 4\u00ba, II, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 (CF\/1988) (3), quando se fez a expl\u00edcita op\u00e7\u00e3o normativa por um paradigma novo nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, no qual s\u00e3o preponderantes, n\u00e3o mais a soberania dos Estados, mas os seres humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No caso, trata-se de a\u00e7\u00e3o de ressarcimento de danos materiais e morais de autoria de netos ou de vi\u00favas de netos de cidad\u00e3o brasileiro n\u00e3o combatente que morreu em decorr\u00eancia de ataque feito por submarino alem\u00e3o a barco pesqueiro localizado no mar territorial brasileiro, durante a II Guerra Mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com base nesse entendimento, o Plen\u00e1rio, por maioria, apreciando o <a href=\"http:\/\/stf.jus.br\/portal\/jurisprudenciaRepercussao\/verAndamentoProcesso.asp?incidente=4943985&amp;numeroProcesso=954858&amp;classeProcesso=ARE&amp;numeroTema=944\">Tema 944<\/a> da repercuss\u00e3o geral, deu provimento ao recurso extraordin\u00e1rio para, afastando a imunidade de jurisdi\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federal da Alemanha, anular a senten\u00e7a que extinguiu o processo sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito. Vencidos os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Nunes Marques, Luiz Fux (Presidente) e Marco Aur\u00e9lio.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">[1] Estatuto do Tribunal Militar Internacional de Nuremberg: \u201cArtigo 6 &#8211; O Tribunal institu\u00eddo pelo Acordo mencionado no Artigo 1 acima, para julgamento e puni\u00e7\u00e3o dos principais criminosos de guerra dos pa\u00edses do Eixo Europeu, \u00e9 competente para julgar e punir pessoas que, agindo no interesse dos pa\u00edses do Eixo Europeu tenham cometido, quer a t\u00edtulo individual ou como membros de organiza\u00e7\u00f5es, algum dos seguintes crimes: (&#8230;) b)\u00a0<em>Crimes de Guerra:\u00a0<\/em>nomeadamente, viola\u00e7\u00f5es das leis ou costumes de guerra. Tais viola\u00e7\u00f5es incluem, mas n\u00e3o se limitam a assass\u00ednio, maus-tratos ou deporta\u00e7\u00e3o para trabalhos for\u00e7ados ou qualquer outro fim, da popula\u00e7\u00e3o civil do ou no territ\u00f3rio ocupado, assass\u00ednio ou maus-tratos dos prisioneiros de guerra ou de pessoas no mar, execu\u00e7\u00e3o de ref\u00e9ns, pilhagem dos bens p\u00fablicos ou privados, destrui\u00e7\u00e3o sem motivo de cidades, vilas ou aldeias ou devasta\u00e7\u00e3o n\u00e3o justificada por necessidade militar;\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">[2] Decreto 592\/1992 (Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Pol\u00edticos): \u201cARTIGO 6 &#8211; 1. O direito \u00e0 vida \u00e9 inerente \u00e0 pessoa humana. Esse direito dever\u00e1 ser protegido pela lei. Ningu\u00e9m poder\u00e1 ser arbitrariamente privado de sua vida.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">[3] CF\/1988: \u201cArt. 4\u00ba A Rep\u00fablica Federativa do Brasil rege-se nas suas rela\u00e7\u00f5es internacionais pelos seguintes princ\u00edpios: (&#8230;) II &#8211; preval\u00eancia dos direitos humanos;\u201d<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO:<\/strong> <a href=\"http:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=4943985\">ARE 954858\/RJ (20.8.2021)\u00a0<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>FONTE: <\/strong>STF \u2013 Informativo n. 1026\/2021<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TESE FIXADA: \u00a0 \u201cOs atos il\u00edcitos praticados por Estados estrangeiros em viola\u00e7\u00e3o a direitos humanos n\u00e3o gozam de imunidade de jurisdi\u00e7\u00e3o.\u201d &nbsp; RESUMO: A imunidade de jurisdi\u00e7\u00e3o de Estado estrangeiro n\u00e3o alcan\u00e7a atos de imp\u00e9rio ofensivos ao direito internacional da pessoa humana praticados no territ\u00f3rio brasileiro, tais como aqueles que resultem na morte de civis [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9817,"featured_media":92,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[16,18,17,19],"coauthors":[],"class_list":["post-60","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-direito-internacional","tag-direitos-humanos","tag-imunidade-de-jurisdicao","tag-processo-civil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9817"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":112,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60\/revisions\/112"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=60"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}