{"id":625,"date":"2022-07-19T15:41:37","date_gmt":"2022-07-19T18:41:37","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=625"},"modified":"2022-07-19T15:41:37","modified_gmt":"2022-07-19T18:41:37","slug":"tst-nao-se-pode-determinar-imediata-penhora-apos-cinco-dias-do-transito-em-julgado-sem-a-citacao-do-executado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/tst-nao-se-pode-determinar-imediata-penhora-apos-cinco-dias-do-transito-em-julgado-sem-a-citacao-do-executado\/","title":{"rendered":"TST: N\u00e3o se pode determinar imediata penhora, ap\u00f3s cinco dias do tr\u00e2nsito em julgado, sem a cita\u00e7\u00e3o do executado."},"content":{"rendered":"<p>A Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que a Mejer Agroflorestal Ltda., condenada a pagar verbas trabalhistas, seja citada do in\u00edcio da fase de execu\u00e7\u00e3o. Conforme o colegiado, que reformou decis\u00e3o das inst\u00e2ncias anteriores, na Justi\u00e7a do Trabalho, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de se determinar imediata penhora, ap\u00f3s cinco dias do tr\u00e2nsito em julgado, sem a devida cita\u00e7\u00e3o do executado.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi ajuizada por um trabalhador rural que prestou servi\u00e7os para a Mejer, de 2014 a 2016, no plantio e colheita de dend\u00ea, na fazenda da empregadora localizada no munic\u00edpio de Bonito (PA).<\/p>\n<p><strong>Celeridade<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a condena\u00e7\u00e3o da empresa, o ju\u00edzo de primeiro grau determinou que a Mejer pague ou garanta a execu\u00e7\u00e3o, no prazo de 48 horas ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado, \u201cprocedendo-se \u00e0 imediata penhora de bens\u201d. A ordem se baseou no artigo 832, par\u00e1grafo 1\u00ba, da <a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del5452.htm&amp;sa=D&amp;source=docs&amp;ust=1658185074903507&amp;usg=AOvVaw0hDyeZlo7Eze4L80eavcwp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">CLT<\/a>, o qual especifica que, \u201cquando a decis\u00e3o concluir pela proced\u00eancia do pedido,\u00a0determinar\u00e1 o prazo e as condi\u00e7\u00f5es para o seu cumprimento\u201d.<\/p>\n<p>Ao examinar recurso da empresa contra essa decis\u00e3o, o Tribunal Regional do Trabalho da 8\u00aa Regi\u00e3o (PA\/AP) manteve a senten\u00e7a. Para o TRT, diante da previs\u00e3o constitucional do princ\u00edpio da celeridade processual, seria \u201cperfeitamente poss\u00edvel o magistrado dispor da forma de cumprimento da senten\u00e7a objetivando alcan\u00e7ar o referido preceito constitucional\u201d.<\/p>\n<p>No recurso ao TST, a empresa alegou que a execu\u00e7\u00e3o trabalhista se processa com regramento pr\u00f3prio, conforme as regras da CLT. E ressaltou que, \u201ca pretexto de prestigiar os princ\u00edpios da celeridade e da economia processual, o Regional criou obriga\u00e7\u00e3o que n\u00e3o possui amparo legal e que n\u00e3o constitui meio mais c\u00e9lere do que a penhora j\u00e1 garantida pela legisla\u00e7\u00e3o trabalhista\u201d.<\/p>\n<p><strong>Necessidade de cita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o relator do recurso de revista, ministro Alexandre Agra Belmonte, realmente, \u201ca CLT tem regras espec\u00edficas no tocante ao modo de execu\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, com a determina\u00e7\u00e3o para a expedi\u00e7\u00e3o de mandado de cita\u00e7\u00e3o do executado para pagamento ou garantia da execu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s citar os artigos 880, 882 e 883 da CLT, o ministro afirmou que a execu\u00e7\u00e3o trabalhista tem in\u00edcio com a expedi\u00e7\u00e3o do mandado de cita\u00e7\u00e3o ao executado para que efetue o pagamento do valor devido, \u201cn\u00e3o se podendo falar em imediata penhora, ap\u00f3s cinco dias do tr\u00e2nsito em julgado, sem a devida cita\u00e7\u00e3o do executado\u201d. O relator destacou que existe previs\u00e3o expressa no artigo 880 da CLT sobre a execu\u00e7\u00e3o trabalhista: \u201ch\u00e1 necessidade de expedi\u00e7\u00e3o de mandado de cita\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Nesse contexto, na avalia\u00e7\u00e3o do ministro Agra Belmonte, o entendimento do TRT, com base no artigo 832, par\u00e1grafo 1\u00ba, da CLT, n\u00e3o se mant\u00e9m. Isso porque, segundo o relator, \u201co dispositivo n\u00e3o consiste em expressa autoriza\u00e7\u00e3o legal para incid\u00eancia desta esp\u00e9cie de san\u00e7\u00e3o (falta de cita\u00e7\u00e3o)\u201d. O motivo \u00e9 que ele especifica apenas que, no caso de a decis\u00e3o concluir pela proced\u00eancia do pedido, \u201cdeterminar\u00e1 o prazo e as condi\u00e7\u00f5es para o seu cumprimento\u201d, mas nada se refere \u201cacerca da n\u00e3o cita\u00e7\u00e3o do executado\u201d, frisou.<\/p>\n<p>O ministro concluiu que o Tribunal Regional, ao dispensar a cita\u00e7\u00e3o da empresa, no in\u00edcio da fase de execu\u00e7\u00e3o, contrariou o disposto na legisla\u00e7\u00e3o. Seguindo esse entendimento, a Oitava Turma, por unanimidade, determinou que a empresa seja citada sobre o in\u00edcio da fase de execu\u00e7\u00e3o, nos estritos termos do artigo 880 da CLT.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <a href=\"https:\/\/consultaprocessual.tst.jus.br\/consultaProcessual\/consultaTstNumUnica.do;jsessionid=P2UV6Fy8ZWSUdkVJ7R8lMz-fYAFbUhWKhFkj-h-n.consultaprocessual-17-55gjk?conscsjt=&amp;numeroTst=459&amp;digitoTst=72&amp;anoTst=2016&amp;orgaoTst=5&amp;tribunalTst=08&amp;varaTst=0105&amp;consulta=Consultar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">RRAg &#8211; 459-72.2016.5.08.0105<\/a><\/p>\n<p><strong>FONTE:<\/strong> Com informa\u00e7\u00f5es da Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social do TST<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que a Mejer Agroflorestal Ltda., condenada a pagar verbas trabalhistas, seja citada do in\u00edcio da fase de execu\u00e7\u00e3o. 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