{"id":663,"date":"2022-08-17T19:02:02","date_gmt":"2022-08-17T22:02:02","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=663"},"modified":"2022-08-17T19:02:02","modified_gmt":"2022-08-17T22:02:02","slug":"stj-e-inadmissivel-o-uso-de-inqueritos-e-acoes-em-curso-para-impedir-aplicacao-do-trafico-privilegiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-e-inadmissivel-o-uso-de-inqueritos-e-acoes-em-curso-para-impedir-aplicacao-do-trafico-privilegiado\/","title":{"rendered":"STJ: \u00c9 inadmiss\u00edvel o uso de inqu\u00e9ritos e a\u00e7\u00f5es em curso para impedir aplica\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico privilegiado"},"content":{"rendered":"<p>A Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), sob o rito dos recursos especiais repetitivos (<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/repetitivos\/temas_repetitivos\/pesquisa.jsp?novaConsulta=true&amp;tipo_pesquisa=T&amp;cod_tema_inicial=1139&amp;cod_tema_final=1139\"><strong>Tema 1.139<\/strong><\/a>), estabeleceu a tese de que \u00e9 vedada a utiliza\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9ritos ou a\u00e7\u00f5es penais em curso para impedir a aplica\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o de pena pela configura\u00e7\u00e3o do chamado tr\u00e1fico privilegiado (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11343.htm#art33%C2%A74\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 33, par\u00e1grafo 4\u00ba, da Lei 11.343\/2006<\/strong><\/a>).<\/p>\n<p>De acordo com o dispositivo da Lei de Drogas, as penas previstas no <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11343.htm#art33%C2%A71\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>par\u00e1grafo 1\u00ba do artigo 33<\/strong><\/a> podem ser reduzidas de um sexto a dois ter\u00e7os caso o agente seja prim\u00e1rio, tenha bons antecedentes, n\u00e3o se dedique a atividades delitivas nem integre organiza\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n<p>Confirmando jurisprud\u00eancia majorit\u00e1ria das turmas criminais do STJ, a se\u00e7\u00e3o considerou que, enquanto n\u00e3o houver o tr\u00e2nsito em julgado de senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria, eventuais a\u00e7\u00f5es contra o r\u00e9u n\u00e3o podem ser consideradas para impedir a redu\u00e7\u00e3o da pena pelo tr\u00e1fico privilegiado.<\/p>\n<p>&#8220;Todos os requisitos da minorante do artigo 33, par\u00e1grafo 4\u00ba, da Lei 11.343\/2006 demandam uma afirma\u00e7\u00e3o perempt\u00f3ria acerca de fatos, n\u00e3o se prestando a exist\u00eancia de inqu\u00e9ritos e a\u00e7\u00f5es penais em curso a subsidiar validamente a an\u00e1lise de nenhum deles&#8221;, afirmou a relatora dos recursos analisados, ministra Laurita Vaz.<\/p>\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o da pena \u00e9 direito subjetivo do r\u00e9u que cumpre os requisitos<\/strong><\/p>\n<p>A relatora apontou que a aplica\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o de pena prevista no artigo 33, par\u00e1grafo 4\u00ba, da Lei 11.343\/2006 constitui direito subjetivo do acusado, caso estejam presentes os requisitos legais, n\u00e3o sendo poss\u00edvel afastar a sua incid\u00eancia com base em considera\u00e7\u00f5es subjetivas do julgador.<\/p>\n<p>Ainda segundo a ministra, o STJ tem diferenciado o aproveitamento de inqu\u00e9ritos e a\u00e7\u00f5es penais em curso no caso de medidas de car\u00e1ter prec\u00e1rio \u2013 a exemplo das pris\u00f5es cautelares, nas quais se admite a utiliza\u00e7\u00e3o desses processos, pois n\u00e3o se exige, em tais situa\u00e7\u00f5es, a afirma\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de que o r\u00e9u seja autor do delito \u2013 e na fundamenta\u00e7\u00e3o de medidas de car\u00e1ter definitivo, como na imposi\u00e7\u00e3o de pena.<\/p>\n<p>&#8220;Uma vez que a pris\u00e3o cautelar \u00e9 provis\u00f3ria, pode ser revertida a qualquer momento no curso do processo e n\u00e3o implica nenhum ju\u00edzo perempt\u00f3rio acerca da conduta do acusado, n\u00e3o se constata nenhuma viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-culpabilidade na utiliza\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9ritos e a\u00e7\u00f5es penais em curso para fundamentar a decis\u00e3o que a decreta&#8221;, completou a relatora.<\/p>\n<p><strong>Aplica\u00e7\u00e3o de pena exige conjunto probat\u00f3rio mais rigoroso<\/strong><\/p>\n<p>Por outro lado, na imposi\u00e7\u00e3o da san\u00e7\u00e3o penal, Laurita Vaz apontou que \u00e9 preciso um conjunto probat\u00f3rio mais rigoroso do que aquele necess\u00e1rio para as medidas cautelares.<\/p>\n<p>A ministra ressaltou que, nos termos do artigo 5\u00ba, inciso LVII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, a afirma\u00e7\u00e3o definitiva de que um fato criminoso ocorreu e \u00e9 imput\u00e1vel a um autor s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando houver o tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 que se alcance esse marco processual, escolhido de maneira soberana e inequ\u00edvoca pelo constituinte origin\u00e1rio, a culpa penal, ou seja, a responsabilidade penal do indiv\u00edduo, permanece em estado de lit\u00edgio, n\u00e3o oferecendo a seguran\u00e7a necess\u00e1ria para ser empregada como elemento na dosimetria da pena&#8221;, afirmou, ao lembrar que o mesmo racioc\u00ednio foi empregado pelo STJ ao editar a <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"s\u00famula 444\" data-termo=\"S\u00famula 444\" data-significado=\"\u00c9 vedada a utiliza\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9ritos policiais e a\u00e7\u00f5es penais em curso para agravar a pena-base\">S\u00famula 444<\/span>.<\/p>\n<p>Em seu voto, Laurita Vaz comentou que inqu\u00e9ritos e a\u00e7\u00f5es penais podem perdurar por anos sem que haja resultado definitivo. Assim, ponderou, a conclus\u00e3o desses processos poderia ocorrer s\u00f3 ap\u00f3s o r\u00e9u ter cumprido a pena pelo crime de tr\u00e1fico na qual foi negada a redu\u00e7\u00e3o \u2013 quadro que, potencialmente, traria resultados irrevers\u00edveis ao apenado.<\/p>\n<p>Para a magistrada, se h\u00e1 a necessidade de invocar inqu\u00e9ritos e a\u00e7\u00f5es penais em curso na tentativa de demonstrar a dedica\u00e7\u00e3o criminosa \u2013 e, assim, afastar o tr\u00e1fico privilegiado \u2013, &#8220;\u00e9 porque os demais elementos de prova s\u00e3o insuficientes, sendo necess\u00e1rio formular a ila\u00e7\u00e3o de que o acusado &#8216;n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o inocente assim&#8217;, o que n\u00e3o se admite em nosso ordenamento jur\u00eddico&#8221;.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>:\u00a0  <span id=\"pstj_elContItensProcessosRelacionados\" class=\"obj_textos_rel_processos\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp 1977027\" target=\"janela_processos\" rel=\"noopener\">REsp 1977027<\/a> e\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp 1977180\" target=\"janela_processos\" rel=\"noopener\">REsp 1977180<\/a><\/span><\/p>\n<p><strong>FONTE:<\/strong> Com informa\u00e7\u00f5es da assessoria de comunica\u00e7\u00e3o social do STJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), sob o rito dos recursos especiais repetitivos (Tema 1.139), estabeleceu a tese de que \u00e9 vedada a utiliza\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9ritos ou a\u00e7\u00f5es penais em curso para impedir a aplica\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o de pena pela configura\u00e7\u00e3o do chamado tr\u00e1fico privilegiado (artigo 33, par\u00e1grafo 4\u00ba, da Lei 11.343\/2006). [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":41226,"featured_media":664,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[283,54,30,53],"coauthors":[],"class_list":["post-663","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-inquerito-policial","tag-presuncao-de-inocencia","tag-stj","tag-trafico-de-drogas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/663","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/41226"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=663"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/663\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":665,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/663\/revisions\/665"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/664"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=663"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}