{"id":676,"date":"2022-08-23T10:35:30","date_gmt":"2022-08-23T13:35:30","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=676"},"modified":"2022-08-24T11:17:05","modified_gmt":"2022-08-24T14:17:05","slug":"stj-e-ilegal-prisao-por-divida-alimenticia-preterita-depois-de-homologado-acordo-exoneratorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-e-ilegal-prisao-por-divida-alimenticia-preterita-depois-de-homologado-acordo-exoneratorio\/","title":{"rendered":"STJ: \u00c9 ilegal pris\u00e3o por d\u00edvida aliment\u00edcia pret\u00e9rita depois de homologado acordo exonerat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpoDaNoticiaBox\" class=\"conteudo_texto\">\n<div id=\"ctl00_PlaceHolderMain_ctl05__ControlWrapper_RichHtmlField\" class=\"ms-rtestate-field\" aria-labelledby=\"ctl00_PlaceHolderMain_ctl05_label\">\n<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por unanimidade, considerou que foi ilegal a pris\u00e3o de um homem pelo n\u00e3o pagamento de obriga\u00e7\u00e3o aliment\u00edcia pret\u00e9rita, decretada ap\u00f3s acordo exonerat\u00f3rio de alimentos homologado judicialmente, quando seu filho j\u00e1 havia atingido a maioridade e ingressado no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>O colegiado concedeu ordem de\u00a0<span class=\"termo-glossario\" data-match=\"habeas corpus\" data-termo=\"Habeas Corpus\" data-significado=\"A\u00e7\u00e3o, prevista constitucionalmente, cab\u00edvel sempre que algu\u00e9m sofrer ou se achar amea\u00e7ado de sofrer viol\u00eancia ou coa\u00e7\u00e3o em sua liberdade de locomo\u00e7\u00e3o, por ilegalidade ou abuso de poder.\">habeas corpus<\/span>\u00a0para relaxar a pris\u00e3o civil. No pedido, o devedor alegou que a pris\u00e3o seria ilegal, uma vez que seu filho \u00e9 maior de idade e est\u00e1 empregado, al\u00e9m de j\u00e1 ter sido homologado acordo que o exonerou da obriga\u00e7\u00e3o de pagar a pens\u00e3o a partir de dezembro de 2021.<\/p>\n<p>A execu\u00e7\u00e3o foi proposta em 2013, referente, inicialmente, \u00e0s verbas alimentares vencidas nos tr\u00eas primeiros meses daquele ano. Ap\u00f3s o tr\u00e2mite processual, foi expedido, j\u00e1 em 2022, mandado de pris\u00e3o pelo n\u00e3o cumprimento da obriga\u00e7\u00e3o, cujo valor chega hoje a cerca de R$ 50 mil.<\/p>\n<p>O ju\u00edzo de primeiro grau rejeitou a justificativa do devedor, concluindo pela legalidade da pris\u00e3o, por n\u00e3o ter sido apresentada a comprova\u00e7\u00e3o de pagamento dos meses em aberto. Impetrado\u00a0<span class=\"termo-intermed\" data-match=\"habeas corpus\">habeas corpus<\/span>\u00a0em segunda inst\u00e2ncia, a liminar foi negada.<\/p>\n<p><strong>Flagrante ilegalidade permite a concess\u00e3o da liberdade postulada no\u00a0<span class=\"termo-intermed\" data-match=\"habeas corpus\">habeas corpus<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O relator no STJ, ministro Paulo de Tarso Sanseverino, observou que, nos termos da S\u00famula 691 do Supremo Tribunal Federal (STF), n\u00e3o cabe a impetra\u00e7\u00e3o de\u00a0<span class=\"termo-intermed\" data-match=\"habeas corpus\">habeas corpus<\/span>\u00a0contra decis\u00e3o do relator que indeferiu a liminar em\u00a0<span class=\"termo-intermed\" data-match=\"habeas corpus\">habeas corpus<\/span>\u00a0impetrado perante outro tribunal.<\/p>\n<p>No entanto, o magistrado afirmou que a jurisprud\u00eancia do STJ tem o entendimento pac\u00edfico de que a ordem postulada pode ser concedida de of\u00edcio, caso se identifique flagrante ilegalidade na pris\u00e3o \u2013 o que, segundo ele, ocorre no caso dos autos.<\/p>\n<p><strong>Manuten\u00e7\u00e3o da subsist\u00eancia digna \u00e9 o que justifica, excepcionalmente, a pris\u00e3o civil<\/strong><\/p>\n<p>Sanseverino afirmou que a possibilidade de pris\u00e3o civil do devedor de alimentos decorre de uma pondera\u00e7\u00e3o entre dois direitos fundamentais: de um lado, o direito \u00e0 liberdade e, de outro, o direito \u00e0 vida e \u00e0 subsist\u00eancia digna. Para o relator, a necessidade urgente de manuten\u00e7\u00e3o da vida e da subsist\u00eancia digna \u00e9 o que justifica que, excepcionalmente, o Estado se utilize da pris\u00e3o civil para coagir o devedor a pagar a pens\u00e3o.<\/p>\n<p>O ministro destacou que tal medida extrema, por\u00e9m, n\u00e3o se justifica no caso em julgamento, pois o devedor n\u00e3o tem obriga\u00e7\u00e3o atual de prestar alimentos, j\u00e1 que, no curso da execu\u00e7\u00e3o, &#8220;o alimentando atingiu a maioridade, ingressou no mercado de trabalho e adquiriu sua autonomia financeira, tendo, inclusive, concordado com a exonera\u00e7\u00e3o do paciente de sua obriga\u00e7\u00e3o alimentar, por meio de acordo homologado judicialmente&#8221;.<\/p>\n<p>Ao conceder, de of\u00edcio, a ordem de\u00a0<span class=\"termo-intermed\" data-match=\"habeas corpus\">habeas corpus<\/span>, o magistrado apontou que os valores n\u00e3o pagos ainda s\u00e3o exig\u00edveis e podem ser buscados pelo rito expropriat\u00f3rio.<\/p>\n<p><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial.<\/em><\/p>\n<p><strong>FONTE<\/strong>: Com informa\u00e7\u00f5es da Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social do STJ<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por unanimidade, considerou que foi ilegal a pris\u00e3o de um homem pelo n\u00e3o pagamento de obriga\u00e7\u00e3o aliment\u00edcia pret\u00e9rita, decretada ap\u00f3s acordo exonerat\u00f3rio de alimentos homologado judicialmente, quando seu filho j\u00e1 havia atingido a maioridade e ingressado no mercado de trabalho. O colegiado concedeu ordem de\u00a0habeas corpus\u00a0para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":46575,"featured_media":682,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[389,388,30],"coauthors":[],"class_list":["post-676","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-acordo-exoneratorio","tag-prisao-civil","tag-stj"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/676","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46575"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=676"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/676\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":683,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/676\/revisions\/683"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=676"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}