{"id":691,"date":"2022-08-29T11:13:38","date_gmt":"2022-08-29T14:13:38","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=691"},"modified":"2022-08-29T18:45:37","modified_gmt":"2022-08-29T21:45:37","slug":"stj-reformada-decisao-que-exigiu-informacao-adicional-das-operadoras-sobre-areas-sem-sinal-de-celular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-reformada-decisao-que-exigiu-informacao-adicional-das-operadoras-sobre-areas-sem-sinal-de-celular\/","title":{"rendered":"STJ: Reformada decis\u00e3o que exigiu informa\u00e7\u00e3o adicional das operadoras sobre \u00e1reas sem sinal de celular"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o havendo ilegalidade, n\u00e3o cabe ao Judici\u00e1rio interferir na regulamenta\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (Anatel), sob pena de usurpa\u00e7\u00e3o de suas atribui\u00e7\u00f5es e de ofensa \u00e0 separa\u00e7\u00e3o dos poderes. Com esse entendimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) julgou improcedente a a\u00e7\u00e3o coletiva em que a Comiss\u00e3o de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) apontava viola\u00e7\u00e3o do dever de informa\u00e7\u00e3o por parte das operadoras.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o da Alerj ajuizou a a\u00e7\u00e3o contra quatro empresas de telefonia m\u00f3vel, alegando que elas n\u00e3o teriam cumprido o dever de informar os consumidores, no momento da contrata\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, sobre a exist\u00eancia de \u00e1reas de sombra (sem sinal de celular) em determinados bairros dos munic\u00edpios de Bom Jardim e Nova Friburgo.<\/p>\n<p>O Tribunal de Justi\u00e7a do Rio de Janeiro (TJRJ) manteve a condena\u00e7\u00e3o das operadoras ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais coletivos e determinou que elas passassem a prestar informa\u00e7\u00f5es de forma clara e por escrito, no ato da contrata\u00e7\u00e3o, a respeito da disponibilidade de sinal no munic\u00edpio do consumidor, al\u00e9m de incluir no contrato os mapas de cobertura.<\/p>\n<p><strong>Resolu\u00e7\u00e3o da Anatel n\u00e3o viola prote\u00e7\u00e3o do CDC<\/strong><\/p>\n<p>No voto que prevaleceu no colegiado, o ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze destacou que, nos termos do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9472.htm#art19X\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 19, inciso X, da Lei Geral de Telecomunica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/a>\u00a0(Lei 9.472\/1997), compete \u00e0 Anatel adotar as medidas para o atendimento do interesse p\u00fablico e para o desenvolvimento das telecomunica\u00e7\u00f5es, expedindo as normas sobre a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o no regime privado.<\/p>\n<p>Segundo o ministro, foi com base nesse poder regulamentar que a Anatel, por meio da Resolu\u00e7\u00e3o 575\/2011, imp\u00f4s \u00e0s empresas de telefonia a obriga\u00e7\u00e3o de disponibilizar aos consumidores, em todos os setores de relacionamento, de atendimento ou de vendas, e tamb\u00e9m em sua p\u00e1gina na internet, os mapas com a indica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de cobertura.<\/p>\n<p>Tal determina\u00e7\u00e3o, explicou, diversamente do que entenderam as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, n\u00e3o afronta o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078.htm#art6III\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 6\u00ba, inciso III, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC)<\/strong><\/a>, segundo o qual o fornecedor tem a obriga\u00e7\u00e3o de dar informa\u00e7\u00f5es adequadas e claras sobre os seus produtos e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio \u2013 afirmou o magistrado \u2013, a resolu\u00e7\u00e3o da Anatel, &#8220;na verdade, cumpre exatamente o dever de informa\u00e7\u00e3o adequada e clara sobre a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o m\u00f3vel pessoal pelas operadoras de telefonia aos respectivos usu\u00e1rios, tanto que estabelece diversos locais em que dever\u00e3o ser disponibilizados ao consumidor os mapas detalhados indicando a sua \u00e1rea de cobertura&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Assim, quando o consumidor contrata um plano de telefonia m\u00f3vel, a informa\u00e7\u00e3o sobre a \u00e1rea de abrang\u00eancia dever\u00e1 ser disponibilizada pela respectiva operadora no pr\u00f3prio setor de venda, independentemente da sua disponibiliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m em outros canais, como nos aplicativos e no s\u00edtio eletr\u00f4nico&#8221;, esclareceu o ministro, ressaltando que a comiss\u00e3o da Alerj n\u00e3o apontou qualquer falha das operadoras no cumprimento desse ponto da resolu\u00e7\u00e3o da Anatel.<\/p>\n<p><strong>Judici\u00e1rio deve respeitar\u00a0<em>expertise<\/em>\u00a0da ag\u00eancia reguladora<\/strong><\/p>\n<p>O magistrado tamb\u00e9m questionou a determina\u00e7\u00e3o do TJRJ para que as operadoras passassem a incluir nos contratos mapas com indica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de cobertura e das zonas de sombra \u2013 locais em que o sinal \u00e9 interrompido por montanhas, constru\u00e7\u00f5es e outros fatores. Segundo ele, as empresas alegam que tais zonas sem sinal s\u00e3o inconstantes, o que criaria grande dificuldade para cumprir a exig\u00eancia do tribunal estadual.<\/p>\n<p>De acordo com Bellizze, quem tem o conhecimento t\u00e9cnico necess\u00e1rio para definir a melhor maneira de disponibilizar ao consumidor as informa\u00e7\u00f5es sobre a \u00e1rea de cobertura \u00e9 a ag\u00eancia reguladora do setor, e n\u00e3o o Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para o ministro, ao modificar a forma definida para a comunica\u00e7\u00e3o dessas quest\u00f5es aos consumidores, o TJRJ acabou por alterar o conte\u00fado da resolu\u00e7\u00e3o da Anatel, &#8220;sem apontar qualquer v\u00edcio de ilegalidade do respectivo diploma normativo, o que n\u00e3o se pode admitir, sob pena, inclusive, de viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o de poderes&#8221;.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=153777240&amp;registro_numero=201903825012&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20220520&amp;formato=PDF\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 1.874.643<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>FONTE:<\/strong> Com informa\u00e7\u00f5es da assessoria de comunica\u00e7\u00e3o social do STJ<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o havendo ilegalidade, n\u00e3o cabe ao Judici\u00e1rio interferir na regulamenta\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (Anatel), sob pena de usurpa\u00e7\u00e3o de suas atribui\u00e7\u00f5es e de ofensa \u00e0 separa\u00e7\u00e3o dos poderes. 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