{"id":766,"date":"2022-09-22T13:43:49","date_gmt":"2022-09-22T16:43:49","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=766"},"modified":"2022-09-22T13:43:49","modified_gmt":"2022-09-22T16:43:49","slug":"stj-e-admissivel-a-remicao-da-pena-para-preso-que-nao-pode-estudar-ou-trabalhar-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-e-admissivel-a-remicao-da-pena-para-preso-que-nao-pode-estudar-ou-trabalhar-na-pandemia\/","title":{"rendered":"STJ: \u00c9 admiss\u00edvel a remi\u00e7\u00e3o da pena para preso que n\u00e3o p\u00f4de estudar ou trabalhar na pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Sob o rito dos <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"recursos especiais\" data-termo=\"recursos especiais\" data-significado=\"O recurso especial (sigla REsp) \u00e9 dirigido ao STJ para contestar poss\u00edvel m\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o da lei federal por um tribunal de segundo grau. Assim, o REsp serve para que o STJ uniformize a interpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o federal em todo o pa\u00eds.\">recursos especiais<\/span> <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"repetitivos\" data-termo=\"Repetitivos\" data-significado=\"Recurso repetitivo \u00e9 um recurso escolhido para ser julgado como representativo de uma quest\u00e3o jur\u00eddica presente em muitos outros processos, para que a tese fixada pelo tribunal seja aplicada na solu\u00e7\u00e3o dos casos semelhantes em todo o pa\u00eds.\">repetitivos<\/span> (<a href=\"http:\/\/www.stj.jus.br\/repetitivos\/temas_repetitivos\/pesquisa.jsp?novaConsulta=true&amp;tipo_pesquisa=T&amp;cod_tema_inicial=1120&amp;cod_tema_final=1120\"><strong>Tema 1.120<\/strong><\/a>), a Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entendeu ser poss\u00edvel a <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"remi\u00e7\u00e3o\" data-termo=\"Remi\u00e7\u00e3o\" data-significado=\"Diminui\u00e7\u00e3o da pena a ser cumprida em virtude de trabalho ou estudo feito pelo preso.\">remi\u00e7\u00e3o<\/span> parcial da pena para presos que, em raz\u00e3o da pandemia da Covid-19, ficaram impossibilitados de continuar o trabalho ou os estudos.<\/p>\n<p>O julgamento trouxe nova interpreta\u00e7\u00e3o do STJ para o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l7210.htm#art126\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 126 da Lei 7.210\/1984<\/strong><\/a> (Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal \u2013 LEP) nos casos envolvendo a hip\u00f3tese excepcional da pandemia da Covid-19. O precedente qualificado dever\u00e1 orientar os tribunais de todo o pa\u00eds na solu\u00e7\u00e3o de casos id\u00eanticos.<\/p>\n<p>Ao interpretar a norma, o STJ sempre entendeu que o fato de o Estado n\u00e3o proporcionar ao preso meios para trabalhar ou estudar n\u00e3o era motivo suficiente para reconhecer em seu favor a <span class=\"termo-intermed\" data-match=\"remi\u00e7\u00e3o\">remi\u00e7\u00e3o<\/span> ficta da pena. No julgamento do <span class=\"ignorar-glossario\" data-match=\"##recurso repetitivo##\">recurso repetitivo<\/span>, o relator, ministro Ribeiro Dantas, prop\u00f4s que se fizesse uma distin\u00e7\u00e3o (<em>distinguishing<\/em>) entre essa hip\u00f3tese consagrada na jurisprud\u00eancia e os casos em que o Estado n\u00e3o p\u00f4de proporcionar meios de trabalho ou estudo devido \u00e0 crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Negar <span class=\"ignorar-glossario\" data-match=\"##remi\u00e7\u00e3o da pena##\">remi\u00e7\u00e3o da pena<\/span> \u00e9 medida injusta<\/strong><\/p>\n<p>A tese firmada pelo colegiado diz: &#8220;Nada obstante a interpreta\u00e7\u00e3o restritiva que deve ser conferida ao artigo 126, par\u00e1grafo 4\u00ba, da LEP, os princ\u00edpios da individualiza\u00e7\u00e3o da pena, da dignidade da pessoa humana, da isonomia e da fraternidade, ao lado da teoria da derrotabilidade da norma e da situa\u00e7\u00e3o excepcional\u00edssima da pandemia da Covid-19, imp\u00f5em o c\u00f4mputo do per\u00edodo de restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias como de efetivo estudo ou trabalho em favor dos presos que j\u00e1 estavam trabalhando ou estudando e se viram impossibilitados de continuar seus afazeres unicamente em raz\u00e3o do estado pand\u00eamico&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo Ribeiro Dantas, a jurisprud\u00eancia do STJ, &#8220;consolidada para um estado normal das coisas&#8221;, n\u00e3o deve prevalecer na situa\u00e7\u00e3o de uma pandemia com a dimens\u00e3o da que aconteceu com o v\u00edrus da Covid-19. Ele acrescentou que o equil\u00edbrio entre seguran\u00e7a jur\u00eddica e justi\u00e7a em situa\u00e7\u00e3o de normalidade n\u00e3o deve ser o mesmo em eventuais situa\u00e7\u00f5es de &#8220;anormalidade&#8221;.<\/p>\n<p>Para o magistrado, negar aos presos que j\u00e1 trabalhavam ou estudavam antes da pandemia o direito de continuar a descontar sua pena seria &#8220;medida injusta&#8221;, pois eles pertencem \u00e0 mesma sociedade que, embora tenha sofrido com a crise sanit\u00e1ria, foi compensada com algumas medidas jur\u00eddicas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso \u2013 observou o relator \u2013, tal negativa equivaleria a querer que o legislador tivesse previsto a pandemia como forma de continuar a <span class=\"termo-intermed\" data-match=\"remi\u00e7\u00e3o\">remi\u00e7\u00e3o<\/span>, &#8220;o que \u00e9 desnecess\u00e1rio ante o instituto da derrotabilidade da lei&#8221;. Para a doutrina, derrotabilidade \u00e9 a possibilidade de uma lei n\u00e3o ser aplicada diante de alguma situa\u00e7\u00e3o excepcional, para privilegiar a justi\u00e7a material, ainda que estejam presentes as condi\u00e7\u00f5es para sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Dignidade, isonomia e fraternidade s\u00e3o direitos dos condenados<\/strong><\/p>\n<p>Em seu voto, Ribeiro Dantas observou que o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l7210.htm#art3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 3\u00ba da LEP<\/strong><\/a> estabelece que s\u00e3o assegurados ao condenado todos os direitos n\u00e3o atingidos pela <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"senten\u00e7a\" data-termo=\"Senten\u00e7a\" data-significado=\"Decis\u00e3o do ju\u00edzo de primeiro grau que encerra o processo nessa inst\u00e2ncia.\">senten\u00e7a<\/span> ou pela lei.<\/p>\n<p>&#8220;Em outros termos, ressalvadas as restri\u00e7\u00f5es decorrentes da <span class=\"termo-intermed\" data-match=\"senten\u00e7a\">senten\u00e7a<\/span> penal e os efeitos da condena\u00e7\u00e3o, o condenado mant\u00e9m todos os direitos que lhe assistiam antes do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o condenat\u00f3ria&#8221;, acrescentou o ministro.<\/p>\n<p>Para ele, diante do princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana, conjugado com os princ\u00edpios da isonomia e da fraternidade, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel negar aos indiv\u00edduos que tiveram seu trabalho ou estudo interrompido pela superveni\u00eancia da pandemia o direito de descontar parte da pena t\u00e3o somente por estarem privados de liberdade.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se observa nenhum discr\u00edmen leg\u00edtimo que autorize negar \u00e0queles presos que j\u00e1 trabalhavam ou estudavam o direito de remitir a pena durante as medidas sanit\u00e1rias restritivas&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Somente presos que trabalhavam ou estudavam devem ser beneficiados<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, Ribeiro Dantas ressaltou que \u00e9 preciso analisar caso a caso a situa\u00e7\u00e3o dos presos. &#8220;N\u00e3o se est\u00e1 a conferir uma esp\u00e9cie de <span class=\"termo-intermed\" data-match=\"remi\u00e7\u00e3o\">remi\u00e7\u00e3o<\/span> ficta pura e simplesmente ante a impossibilidade material de trabalhar ou estudar. O benef\u00edcio n\u00e3o deve ser direcionado a todo e qualquer preso que n\u00e3o p\u00f4de trabalhar ou estudar durante a pandemia, mas t\u00e3o somente \u00e0queles que j\u00e1 estavam trabalhando ou estudando e, em raz\u00e3o da Covid-19, viram-se impossibilitados de continuar com suas atividades&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Por fim, o magistrado lembrou precedente recente (<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2048935&amp;num_registro=202100994032&amp;data=20210505&amp;formato=PDF\"><strong>HC 657.382<\/strong><\/a>), igualmente relacionado \u00e0 execu\u00e7\u00e3o penal, no qual <a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/18052021-Sexta-Turma-reconhece-como-cumprida-obrigacao-de-comparecimento-em-juizo-suspensa-durante-a-pandemia.aspx\"><strong>a Sexta Turma reconheceu como cumprida a obriga\u00e7\u00e3o de comparecimento em ju\u00edzo suspensa em virtude da pandemia<\/strong><\/a>, considerando desproporcional o prolongamento da pena sem que o apenado tivesse contribu\u00eddo para isso.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2214338&amp;num_registro=202102579184&amp;data=20220920&amp;formato=PDF\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 1.953.607<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>FONTE<\/strong>: Com informa\u00e7\u00f5es da Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social do STJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sob o rito dos recursos especiais repetitivos (Tema 1.120), a Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entendeu ser poss\u00edvel a remi\u00e7\u00e3o parcial da pena para presos que, em raz\u00e3o da pandemia da Covid-19, ficaram impossibilitados de continuar o trabalho ou os estudos. 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