{"id":864,"date":"2022-11-09T20:36:49","date_gmt":"2022-11-09T23:36:49","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=864"},"modified":"2022-11-19T10:59:52","modified_gmt":"2022-11-19T13:59:52","slug":"stj-contrato-de-seguro-de-acidentes-pessoais-nao-pode-ser-utilizado-como-titulo-executivo-extrajudicial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-contrato-de-seguro-de-acidentes-pessoais-nao-pode-ser-utilizado-como-titulo-executivo-extrajudicial\/","title":{"rendered":"STJ: Contrato de seguro de acidentes pessoais n\u00e3o pode ser utilizado como t\u00edtulo executivo extrajudicial"},"content":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) consolidou o entendimento de que, nos termos do<strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/L5869.htm#art585III\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 585, inciso III, do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973 (CPC\/1973)<\/strong><\/a>, com a reda\u00e7\u00e3o dada pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2004-2006\/2006\/Lei\/L11382.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Lei 11.382\/2006<\/strong><\/a>, o contrato de seguro de acidentes pessoais n\u00e3o \u00e9 t\u00edtulo executivo apto a embasar execu\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por invalidez decorrente de acidente.<\/p>\n<p>Segundo o colegiado, a Lei 11.382\/2006 suprimiu do artigo 585, inciso III, do CPC\/1973 a parte que previa que o contrato de seguro, nessas situa\u00e7\u00f5es, poderia ser t\u00edtulo executivo extrajudicial. Os ministros explicaram que, em tais hip\u00f3teses, a indeniza\u00e7\u00e3o depende de seu reconhecimento pr\u00e9vio em processo de conhecimento.<\/p>\n<p>Com base nesse entendimento, a Quarta Turma reformou\u00a0<span class=\"termo-glossario\" data-match=\"ac\u00f3rd\u00e3o\" data-termo=\"Ac\u00f3rd\u00e3o\" data-significado=\"\u00c9 a decis\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o colegiado de um tribunal. No caso do STJ, pode ser das turmas, se\u00e7\u00f5es ou da Corte Especial.\">ac\u00f3rd\u00e3o<\/span>\u00a0do Tribunal de Justi\u00e7a do Rio Grande do Sul (TJRS) que interpretou extensivamente o inciso III do artigo 585 do CPC\/1973 e concluiu que o contrato de seguro com cobertura para invalidez poderia ser objeto de a\u00e7\u00e3o execut\u00f3ria.<\/p>\n<p>No caso dos autos, a cliente havia celebrado com a seguradora um contrato de seguro de vida, com cobertura tamb\u00e9m para invalidez. Ap\u00f3s sofrer um acidente, a segurada, sob a vig\u00eancia do CPC\/1973, moveu a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o, utilizando o contrato como t\u00edtulo executivo.<\/p>\n<p>Em julgamento de embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, o ju\u00edzo considerou o contrato de seguro instrumento h\u00e1bil para embasar a execu\u00e7\u00e3o. A\u00a0<span class=\"termo-glossario\" data-match=\"senten\u00e7a\" data-termo=\"Senten\u00e7a\" data-significado=\"Decis\u00e3o do ju\u00edzo de primeiro grau que encerra o processo nessa inst\u00e2ncia.\">senten\u00e7a<\/span>\u00a0denegat\u00f3ria dos embargos foi mantida pelo TJRS.<\/p>\n<p><strong>Somente contrato de seguro de vida \u00e9 executado sem pr\u00e9vio processo de conhecimento<\/strong><\/p>\n<p>O relator do recurso da seguradora, ministro Raul Ara\u00fajo, comentou que, para garantir maior efetividade ao processo civil, especialmente ao de execu\u00e7\u00e3o, o legislador retirou o contrato de seguro de acidentes pessoais do rol de t\u00edtulos executivos extrajudiciais.\u00a0A inten\u00e7\u00e3o clara do legislador, segundo o magistrado, foi restringir apenas ao contrato de seguro de vida a possibilidade de execu\u00e7\u00e3o sem pr\u00e9vio processo de conhecimento.<\/p>\n<p>Em hip\u00f3teses como a analisada nesse julgamento, o ministro afirmou que a invalidez e o valor indenizat\u00f3rio correspondente demandam produ\u00e7\u00e3o de provas. Por isso, a parte interessada deve ingressar com a\u00e7\u00e3o de conhecimento, a fim de encontrar o valor correto da indeniza\u00e7\u00e3o, o qual, posteriormente, poder\u00e1 ser submetido ao cumprimento de\u00a0<span class=\"termo-intermed\" data-match=\"senten\u00e7a\">senten\u00e7a<\/span>.<\/p>\n<p>Raul Ara\u00fajo observou que, para parte da doutrina, se houvesse morte decorrente do acidente, o contrato de seguro de acidente pessoal poderia ser tomado como t\u00edtulo executivo extrajudicial para embasar a execu\u00e7\u00e3o, sem a necessidade do anterior processo de conhecimento. No entanto, ele disse que, no caso dos autos, o contrato de seguro n\u00e3o estipulava indeniza\u00e7\u00e3o se ocorresse morte em decorr\u00eancia de um acidente pessoal, e o pedido da segurada \u00e9 o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por invalidez \u2013 n\u00e3o havendo, assim, executividade do contrato.<\/p>\n<p>&#8220;As alega\u00e7\u00f5es, portanto, da ora recorrente, de que a cobertura de invalidez por acidente demanda apura\u00e7\u00e3o e acertamento em ju\u00edzo por dilig\u00eancias complexas e de resultado incerto, coincidem com a\u00a0<em><span class=\"termo-glossario\" data-match=\"mens legis\" data-termo=\"Mens legis\" data-significado=\"Express\u00e3o latina usada para se referir ao esp\u00edrito da lei, ou seja, \u00e0 vontade aut\u00f4noma da lei, que n\u00e3o se confunde com a vontade do legislador (mens legislatoris).\">mens legis<\/span><\/em>, no sentido de que n\u00e3o mais tem certeza, liquidez e exigibilidade o contrato de seguro de acidentes pessoais de que resulte incapacidade&#8221;, concluiu o ministro ao reformar o\u00a0<span class=\"termo-intermed\" data-match=\"ac\u00f3rd\u00e3o\">ac\u00f3rd\u00e3o<\/span>\u00a0do TJRS para julgar procedentes os embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2194357&amp;num_registro=201601833250&amp;data=20220825&amp;formato=PDF\"><strong>REsp 1.659.768<\/strong>.<\/a><\/p>\n<p><strong>FONTE<\/strong>: Com informa\u00e7\u00f5es da assessoria de comunica\u00e7\u00e3o do STJ.<\/p>\n<p>Foto: Photo by <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/@michaeljinphoto?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Michael Jin<\/a> on <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/s\/photos\/car-crash?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Unsplash<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) consolidou o entendimento de que, nos termos do\u00a0artigo 585, inciso III, do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973 (CPC\/1973), com a reda\u00e7\u00e3o dada pela\u00a0Lei 11.382\/2006, o contrato de seguro de acidentes pessoais n\u00e3o \u00e9 t\u00edtulo executivo apto a embasar execu\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por invalidez decorrente de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":46575,"featured_media":865,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[477,133,30],"coauthors":[],"class_list":["post-864","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-acidentes-pessoais","tag-seguro","tag-stj"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/864","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46575"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=864"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/864\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":900,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/864\/revisions\/900"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/865"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=864"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}