{"id":885,"date":"2022-11-15T11:28:35","date_gmt":"2022-11-15T14:28:35","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=885"},"modified":"2022-11-19T11:02:27","modified_gmt":"2022-11-19T14:02:27","slug":"stj-em-decisao-unanime-nao-e-vedado-a-sociedade-empresaria-de-factoring-celebrar-contrato-de-mutuo-feneraticio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-em-decisao-unanime-nao-e-vedado-a-sociedade-empresaria-de-factoring-celebrar-contrato-de-mutuo-feneraticio\/","title":{"rendered":"STJ: em decis\u00e3o un\u00e2nime, n\u00e3o \u00e9 vedado \u00e0 sociedade empres\u00e1ria de factoring celebrar contrato  de m\u00fatuo fenerat\u00edcio."},"content":{"rendered":"<p><strong>POR: <\/strong>M\u00e1rjory Amanda da Silva Bezerra<\/p>\n<p>O lead da not\u00edcia pode assustar os mais leigos, no entanto se torna mais simples ao destrincharmos do que se trata o conte\u00fado da informa\u00e7\u00e3o. Primeiramente \u00e9 importante relembrar que o m\u00fatuo, previsto no Art. 586 do C\u00f3digo Civil, consiste no empr\u00e9stimo de coisa fung\u00edvel e consum\u00edvel ao mutu\u00e1rio, que dever\u00e1 restituir \u00e0 mutuante coisa do mesmo g\u00eanero, qualidade e quantidade. Quando acrescido do termo \u201cfenerat\u00edcio\u201d, o contrato consiste no empr\u00e9stimo oneroso de dinheiro, o que aduz um grau de permissibilidade quanto a cobran\u00e7a de juros.<\/p>\n<p>Apesar de aos olhos do consumidor \u201cemp\u00edrico\u201d ser vista como tal, uma sociedade empres\u00e1ria do tipo factoring n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma institui\u00e7\u00e3o financeira: \u00e9 uma atividade empresarial n\u00e3o banc\u00e1ria, que em grande medida consiste em oferecer aos empres\u00e1rios faturizados, fonte de recursos, mediante a negocia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos futuros, al\u00e9m de poss\u00edvel presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o. Dessa maneira, logicamente \u00e9 a empresa de factoring que assume o \u00f4nus do inadimplemento da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A grande cr\u00edtica meramente instintiva a esse tipo de contrato, consiste no fato de que a permiss\u00e3o de sua onerosidade culmina na aplica\u00e7\u00e3o desenfreada de juros pelas empresas mutuantes, que inobstante a regulamenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o possuem uma limita\u00e7\u00e3o legal expressa de suas taxas, de modo que, para uma futura revis\u00e3o contratual \u00e9 imprescind\u00edvel comprovar a abusividade dos juros em rela\u00e7\u00e3o a taxa m\u00e9dia de mercado.<\/p>\n<p>Com o objetivo de incitar a nulidade de execu\u00e7\u00e3o extrajudicial de contrato celebrado com sociedade empres\u00e1ria factoring, uma empresa de alimentos do Rio Grande do Sul ajuizou recurso especial ao Superior Tribunal de Justi\u00e7a sob o argumento de que, conforme os arts. 17 e 18 da Lei n\u00ba 4.595\/1964, uma factoring n\u00e3o poderia celebrar contrato de m\u00fatuo, o que seria atividade exclusiva de institui\u00e7\u00f5es financeiras. Ocorre que, a 3\u00aa Turma, ao analisar o contrato celebrado pelas partes, caracterizou o contrato como sendo de m\u00fatuo fenerat\u00edcio \u2013 consignando que houve o empr\u00e9stimo de dinheiro por parte da empresa recorrida.<\/p>\n<p>Embasada pela consequ\u00eancia da classifica\u00e7\u00e3o do contrato em quest\u00e3o, a relatora Nancy Andrighi, esclareceu que o dispositivo utilizado para fomentar o argumento delimita a defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o financeira, no entanto, n\u00e3o veda a pr\u00e1tica de m\u00fatuo fenerat\u00edcio entre particulares. \u00c9 importante salientar que mesmo inexistindo no C\u00f3digo Civil expl\u00edcita repres\u00e1lia \u00a0no tocante ao m\u00fatuo fenerat\u00edcio entre particulares, a cr\u00edtica citada anteriormente cai por terra por for\u00e7a do Art 591 do C\u00f3digo Civil: n\u00e3o h\u00e1 que se falar em \u201ccobran\u00e7a de juros desenfreados\u201d, e ainda que a abusividade fosse configurada, a jurisprud\u00eancia da Corte entende que deve apenas haver a redu\u00e7\u00e3o dos juros estipulados para o limite legal, mantendo portanto, o neg\u00f3cio jur\u00eddico. Dessa maneira, entende-se que a factoring pode cobrar juros acima de 1% , desde que n\u00e3o se d\u00ea por violada a m\u00e9dia de mercado.<\/p>\n<p>Com resultado da vota\u00e7\u00e3o un\u00e2nime, a 3\u00aa Turma negou provimento ao pedido pleiteado pela empresa de alimentos, n\u00e3o sendo declarada a nulidade ou invalidade do neg\u00f3cio jur\u00eddico: a cobran\u00e7a de juros na taxa permitida em lei n\u00e3o configura abusividade, crime de usura ou sequer agiotagem, desde que seja respeitada a taxa m\u00e9dia do mercado.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: REsp 1.987.016 \/ RS<\/p>\n<p>Foto: Photo by <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/@iantalmacs?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Ian Talmacs<\/a> on <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/s\/photos\/money-brazilian-real?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Unsplash<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR: M\u00e1rjory Amanda da Silva Bezerra O lead da not\u00edcia pode assustar os mais leigos, no entanto se torna mais simples ao destrincharmos do que se trata o conte\u00fado da informa\u00e7\u00e3o. Primeiramente \u00e9 importante relembrar que o m\u00fatuo, previsto no Art. 586 do C\u00f3digo Civil, consiste no empr\u00e9stimo de coisa fung\u00edvel e consum\u00edvel ao mutu\u00e1rio, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":46575,"featured_media":893,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[488,487,30],"coauthors":[],"class_list":["post-885","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-factoring","tag-mutuo","tag-stj"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46575"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=885"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":902,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/885\/revisions\/902"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/893"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=885"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}