{"id":920,"date":"2022-12-08T11:22:47","date_gmt":"2022-12-08T14:22:47","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=920"},"modified":"2026-08-09T11:57:28","modified_gmt":"2026-08-09T14:57:28","slug":"stj-empresa-que-apenas-vendeu-a-passagem-nao-responde-solidariamente-pelo-extravio-da-bagagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-empresa-que-apenas-vendeu-a-passagem-nao-responde-solidariamente-pelo-extravio-da-bagagem\/","title":{"rendered":"STJ: Empresa que apenas vendeu a passagem n\u00e3o responde solidariamente pelo extravio da bagagem"},"content":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por maioria, entendeu que a empresa de turismo vendedora de passagem a\u00e9rea n\u00e3o responde solidariamente pelos danos morais sofridos pelo passageiro em raz\u00e3o do extravio de bagagem. Segundo o colegiado, a atua\u00e7\u00e3o da vendedora da passagem se esgota nessa venda \u2013 que, no caso, n\u00e3o teve problema algum.<\/p>\n<p>O passageiro ajuizou a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais contra a companhia a\u00e9rea e a empresa de turismo em cuja plataforma virtual foi comprada a passagem. Segundo ele, ao chegar no destino, descobriu que sua mala foi extraviada e, mesmo ap\u00f3s diversas tentativas de contato com a transportadora, n\u00e3o encontrou a bagagem nem foi indenizado.<\/p>\n<p>O ju\u00edzo de primeiro grau condenou a empresa de turismo e a companhia a\u00e9rea, solidariamente, ao pagamento de R$ 6 mil a t\u00edtulo de compensa\u00e7\u00e3o por danos morais. O Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais negou <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"provimento\" data-termo=\"Provimento\" data-significado=\"Ato de prover. Dar provimento a recurso significa acolher o pedido para reformar ou anular decis\u00e3o judicial anterior. No direito administrativo, \u00e9 o ato de preencher vaga no servi\u00e7o p\u00fablico.\">provimento<\/span> ao recurso da vendedora da passagem, sob o argumento de que, nos termos dos <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078.htm#art7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigos 7\u00ba<\/strong><\/a>, <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078.htm#art14\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>14<\/strong><\/a> e <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078.htm#art25\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>25 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC)<\/strong><\/a>, haveria responsabilidade objetiva e solid\u00e1ria de todos os fornecedores envolvidos na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o defeituoso. A companhia a\u00e9rea n\u00e3o recorreu desse <span class=\"termo-glossario\" data-match=\"ac\u00f3rd\u00e3o\" data-termo=\"Ac\u00f3rd\u00e3o\" data-significado=\"\u00c9 a decis\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o colegiado de um tribunal. No caso do STJ, pode ser das turmas, se\u00e7\u00f5es ou da Corte Especial.\">ac\u00f3rd\u00e3o<\/span>.<\/p>\n<p>No recurso ao STJ, a empresa de turismo sustentou que a responsabilidade solid\u00e1ria dos fornecedores apenas se relaciona a defeitos ou v\u00edcios de produtos, e n\u00e3o a defeitos ou v\u00edcios na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. De acordo com a empresa, como ela se limitou a emitir a passagem, n\u00e3o poderia responder pelo defeito verificado na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de transporte a\u00e9reo.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre a venda da passagem e o extravio da mala <\/strong><\/p>\n<p>O ministro Moura Ribeiro, cujo voto prevaleceu no julgamento da Terceira Turma, observou que o direito do consumidor tem vi\u00e9s protetivo para a parte vulner\u00e1vel e, em regra, adota a responsabilidade solid\u00e1ria dos fornecedores. Contudo, segundo o magistrado, nas rela\u00e7\u00f5es de consumo, para que a repara\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio do consumidor <span class=\"ignorar-glossario\" data-match=\"##prejudicado##\">prejudicado<\/span> possa ser imposta ao fornecedor, \u00e9 necess\u00e1rio haver uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre o fato do produto ou do servi\u00e7o (dano) e o v\u00edcio.<\/p>\n<p>&#8220;A venda da passagem a\u00e9rea, muito embora possa constituir antecedente necess\u00e1rio do dano, n\u00e3o representa, propriamente, uma de suas causas. O nexo de causalidade se estabelece, no caso, exclusivamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conduta da transportadora a\u00e9rea&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Extravio de malas n\u00e3o pode ser controlado ou evitado pela vendedora de passagens<\/strong><\/p>\n<p>Moura Ribeiro destacou que responsabilizar a vendedora da passagem pelo extravio da mala seria medida de rigor extremo, pois consistiria em imputa\u00e7\u00e3o por fato independente e aut\u00f4nomo, que de modo algum poderia ter sido controlado ou evitado por ela \u2013 mas unicamente pela transportadora, que, ali\u00e1s, tem responsabilidade objetiva pela bagagem que lhe \u00e9 entregue (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art734\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 734 do C\u00f3digo Civil<\/strong><\/a>).<\/p>\n<p>O magistrado lembrou que o STJ, inclusive, j\u00e1 proclamou outras vezes que a ag\u00eancia vendedora da passagem s\u00f3 deve responder pelos fatos subsequentes quando se tratar de pacote de viagem.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 como adotar a teoria gen\u00e9rica da solidariedade na rela\u00e7\u00e3o de consumo, at\u00e9 porque esta parte do pressuposto b\u00e1sico de que ela emerge quando a ofensa tem mais de um autor. No caso, como resulta evidente, a autora da ofensa foi apenas uma, isto \u00e9, a transportadora a\u00e9rea, que se descurou do seu dever de cuidado e deixou extraviar a bagagem&#8221;, declarou Moura Ribeiro.<\/p>\n<p>Para ele, &#8220;a simples venda da passagem a\u00e9rea n\u00e3o pode ser al\u00e7ada a esse mesmo n\u00edvel de vincula\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, ela ocorreu e foi perfeita, esgotando-se sem nenhum defeito, tanto que a viagem para a qual o bilhete foi vendido acabou realizada&#8221;.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=169040788&amp;registro_numero=202200913659&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20221130&amp;formato=PDF\"><strong>REsp <\/strong><strong>1.994.563<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>FONTE<\/strong>: <a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/2022\/07122022-Empresa-que-apenas-vendeu-a-passagem-nao-responde-solidariamente-pelo-extravio-da-bagagem.aspx\">Com informa\u00e7\u00f5es da Se\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o Social do STJ<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por maioria, entendeu que a empresa de turismo vendedora de passagem a\u00e9rea n\u00e3o responde solidariamente pelos danos morais sofridos pelo passageiro em raz\u00e3o do extravio de bagagem. 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