{"id":938,"date":"2023-01-17T11:53:34","date_gmt":"2023-01-17T14:53:34","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=938"},"modified":"2023-01-17T11:53:34","modified_gmt":"2023-01-17T14:53:34","slug":"stj-o-termo-inicial-da-prescricao-da-pretensao-executoria-e-o-transito-em-julgado-para-ambas-as-partes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stj-o-termo-inicial-da-prescricao-da-pretensao-executoria-e-o-transito-em-julgado-para-ambas-as-partes\/","title":{"rendered":"STJ: O termo inicial da prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o execut\u00f3ria \u00e9 o tr\u00e2nsito em julgado para ambas as partes"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por:<\/strong> Alan Francis Moreira Rodrigues<\/p>\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a decidiu, em Agravo Regimental em Recurso Especial, pelo alinhamento de seus julgados ao posicionamento adotado nas decis\u00f5es mais recentes do Supremo Tribunal Federal, tanto de forma monocr\u00e1tica, como nos seus \u00f3rg\u00e3os colegiados. O entendimento mais recente da Suprema Corte \u00e9 de que a prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o execut\u00f3ria, tem como marco inicial o tr\u00e2nsito em julgado, para ambas as partes, da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso em quest\u00e3o, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal interp\u00f4s um agravo regimental contra uma <span dir=\"ltr\" role=\"presentation\">decis\u00e3o que deu provimento a um recurso especial formulado por r\u00e9. A recorrente sustentava que, conforme art. 112, I do C\u00f3digo Penal, a prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o execut\u00f3ria come\u00e7a a correr do dia em que transita em julgado a senten\u00e7a condenat\u00f3ria, para a acusa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>Para o Min. P\u00fablico, esse entendimento, contrariava, n\u00e3o apenas o entendimento atual do STF, mas tamb\u00e9m afrontaria os postulados da proporcionalidade, razoabilidade e isonomia processual. Acontece que em 7\/11\/2019, o Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade do art. 283 do CPP e dessa forma impossibilitou a execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria da pena a partir do exaurimento das inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias. Com esse entendimento, o prazo prescricional para o Estado atuar j\u00e1 estaria sendo computado, mesmo ele sendo impedido de iniciar a execu\u00e7\u00e3o penal, o que, para o MP, \u00e9 um contrassenso.<\/p>\n<p>A ideia de prescri\u00e7\u00e3o, conforme defendeu o MP, est\u00e1 vinculada \u00e0 in\u00e9rcia estatal, ou seja, quando o Estado deixa de agir. No entanto, nesse caso, o \u201cn\u00e3o agir\u201d do Estado decorre da impossibilidade da execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria da pena, em raz\u00e3o da pend\u00eancia de julgamento de recursos interposto exclusivamente pela defesa e n\u00e3o em virtude da neglig\u00eancia do \u00d3rg\u00e3o acusador.<\/p>\n<p>Nesse sentido o MP defendeu que a interpreta\u00e7\u00e3o do referido art. 112, I, do CP, deveria ser feita em conformidade com o princ\u00edpio da proporcionalidade, do qual conclui-se que a flu\u00eancia do prazo prescricional pressup\u00f5e a possibilidade de executar o t\u00edtulo condenat\u00f3rio. Na an\u00e1lise do Agravo, o STJ, seguindo o entendimento do Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal, definiu que o termo inicial para a contagem da prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o execut\u00f3ria \u00e9 o tr\u00e2nsito em julgado para ambas as partes.<\/p>\n<p>Em seu voto, no julgamento do AI 794971-AgR\/RJ, DJe 25\/06\/2021, o Min. Marco Aur\u00e9lio assevera: \u201c[a] prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o execut\u00f3ria, no que pressup\u00f5e quadro a revelar a possibilidade de execu\u00e7\u00e3o da pena, tem como marco inicial o tr\u00e2nsito em julgado, para ambas as partes, da condena\u00e7\u00e3o\u201d. Logo, \u201cenquanto n\u00e3o proclamada a inadmiss\u00e3o de recurso de natureza excepcional, tem-se o curso da prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o punitiva, e n\u00e3o a da pretens\u00e3o execut\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>Com base nesse entendimento, a Corte deu provimento ao agravo regimental e negou provimento ao recurso especial apresentado por Marina de F\u00e1tima. Dessa forma, inexistindo controv\u00e9rsia na Suprema Corte sobre a mat\u00e9ria, os Ministros do STJ devem, doravante, passar a aplicar o mesmo entendimento nos seus julgamentos.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <span dir=\"ltr\" role=\"presentation\">AgRg no RECURSO ESPECIAL N\u00ba 1.983.259 &#8211; PR (2022\/0025778-2)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Alan Francis Moreira Rodrigues O Superior Tribunal de Justi\u00e7a decidiu, em Agravo Regimental em Recurso Especial, pelo alinhamento de seus julgados ao posicionamento adotado nas decis\u00f5es mais recentes do Supremo Tribunal Federal, tanto de forma monocr\u00e1tica, como nos seus \u00f3rg\u00e3os colegiados. O entendimento mais recente da Suprema Corte \u00e9 de que a prescri\u00e7\u00e3o da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":41226,"featured_media":576,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[9,134,30,520],"coauthors":[],"class_list":["post-938","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-direito-penal","tag-prescricao","tag-stj","tag-termo-inicial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/41226"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=938"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/938\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":939,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/938\/revisions\/939"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/576"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=938"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}