{"id":948,"date":"2023-01-30T18:12:40","date_gmt":"2023-01-30T21:12:40","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=948"},"modified":"2023-01-30T18:12:40","modified_gmt":"2023-01-30T21:12:40","slug":"stf-e-inadmissivel-uso-de-provas-consideradas-ilicitas-pelo-judiciario-em-processos-administrativos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/stf-e-inadmissivel-uso-de-provas-consideradas-ilicitas-pelo-judiciario-em-processos-administrativos\/","title":{"rendered":"STF: \u00c9 inadmiss\u00edvel uso de provas consideradas il\u00edcitas pelo Judici\u00e1rio em processos administrativos"},"content":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou sua jurisprud\u00eancia e julgou que s\u00e3o inadmiss\u00edveis, em processos administrativos de qualquer esp\u00e9cie, provas consideradas il\u00edcitas pelo Poder Judici\u00e1rio. A decis\u00e3o foi tomada no Recurso Extraordin\u00e1rio com Agravo (ARE) 1316369, que teve repercuss\u00e3o geral reconhecida (<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/verAndamentoProcesso.asp?incidente=6129951&amp;numeroProcesso=1316369&amp;classeProcesso=ARE&amp;numeroTema=1238\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tema 1238<\/a>) e julgamento de m\u00e9rito no Plen\u00e1rio Virtual.<\/p>\n<p>No caso dos autos, o Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o (TRF-1) anulou a condena\u00e7\u00e3o imposta pelo Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica (Cade) a empresa por forma\u00e7\u00e3o de cartel dos gases hospitalares e industriais. A condena\u00e7\u00e3o baseava-se em provas emprestadas de processo criminal, resultantes de intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas consideradas il\u00edcitas pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) pelo fato de terem sido originadas de den\u00fancia an\u00f4nima, sem a realiza\u00e7\u00e3o de nenhum outro ato investigativo.<\/p>\n<p>No recurso ao Supremo, o Cade alegou que a nulidade reconhecida pelo STJ n\u00e3o poderia invalidar completamente todas as outras provas produzidas de forma independente no processo administrativo. Sustentou, ainda, a validade da den\u00fancia an\u00f4nima e a possibilidade de sua utiliza\u00e7\u00e3o para lastrear a intercepta\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica de envolvidos na pr\u00e1tica de crimes, em especial os complexos e de dif\u00edcil comprova\u00e7\u00e3o, como a forma\u00e7\u00e3o de cartel.<\/p>\n<p><b>\u202fPrecedentes\u202f<\/b><\/p>\n<p>Prevaleceu no julgamento a manifesta\u00e7\u00e3o do ministro Gilmar Mendes, que, al\u00e9m de reconhecer a repercuss\u00e3o geral da mat\u00e9ria, pronunciou-se pela reafirma\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia da Corte. O ministro lembrou que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal (artigo 5\u00ba, inciso LVI) prev\u00ea a inadmissibilidade, no processo, de provas obtidas por meios il\u00edcitos. Ele refor\u00e7ou, ainda, que o entendimento consolidado do STF \u00e9 no sentido da impossibilidade de valora\u00e7\u00e3o e aproveitamento, em desfavor do cidad\u00e3o, de provas declaradas nulas em processos judiciais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 dado a nenhuma autoridade p\u00fablica valer-se de provas il\u00edcitas em preju\u00edzo do cidad\u00e3o, seja no \u00e2mbito judicial, seja na esfera administrativa, independentemente da natureza das pretens\u00f5es deduzidas pelas partes\u201d, ressaltou. Seguiram o mesmo posicionamento, negando provimento ao recurso do Cade, os ministros Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Nunes Marques e Andr\u00e9 Mendon\u00e7a e a ministra C\u00e1rmen L\u00facia.<\/p>\n<p><b>Corrente minorit\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p>O relator do recurso, ministro Edson Fachin, se manifestou apenas pelo reconhecimento da repercuss\u00e3o geral, sem qualquer antecipa\u00e7\u00e3o de ju\u00edzo de m\u00e9rito, para que o Plen\u00e1rio decidisse a respeito da controv\u00e9rsia dos autos. Acompanharam essa posi\u00e7\u00e3o a presidente do STF, ministra Rosa Weber, e os ministros Luiz Fux, Lu\u00eds Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.<\/p>\n<p><b>Tese<\/b><\/p>\n<p>Foi fixada a seguinte tese de repercuss\u00e3o geral: \u201cS\u00e3o inadmiss\u00edveis, em processos administrativos de qualquer esp\u00e9cie, provas consideradas il\u00edcitas pelo Poder Judici\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=6129951\">ARE\u00a01316369<\/a><\/p>\n<p><strong>FONTE<\/strong>: Com informa\u00e7\u00f5es da Se\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o Social do STF<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou sua jurisprud\u00eancia e julgou que s\u00e3o inadmiss\u00edveis, em processos administrativos de qualquer esp\u00e9cie, provas consideradas il\u00edcitas pelo Poder Judici\u00e1rio. 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