{"id":988,"date":"2023-03-06T11:54:53","date_gmt":"2023-03-06T14:54:53","guid":{"rendered":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/?p=988"},"modified":"2023-03-06T11:58:10","modified_gmt":"2023-03-06T14:58:10","slug":"tst-falta-de-controle-de-ponto-nao-implica-condenacao-de-empregador-domestico-a-pagar-horas-extras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/tst-falta-de-controle-de-ponto-nao-implica-condenacao-de-empregador-domestico-a-pagar-horas-extras\/","title":{"rendered":"TST: Falta de controle de ponto n\u00e3o implica condena\u00e7\u00e3o de empregador dom\u00e9stico a pagar horas extras"},"content":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve a improced\u00eancia do pedido de horas extras a uma empregada dom\u00e9stica que n\u00e3o comprovou a jornada alegada na reclama\u00e7\u00e3o trabalhista e requeria que o empregador apresentasse folhas de ponto. Para o colegiado, n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel exigir que o empregador dom\u00e9stico mantenha controles de ponto quando empresas com menos de 20 empregados s\u00e3o dispensadas dessa obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Jornada<\/strong><\/p>\n<p>Na a\u00e7\u00e3o, a trabalhadora disse que prestara servi\u00e7os de 2016 a 2017 a um morador de \u00c1guas Claras, no Distrito Federal. Ela alegou que trabalhava das 10h \u00e0s 20h, com 30 minutos de intervalo, e pedia o pagamento de horas extras e remunera\u00e7\u00e3o pela supress\u00e3o parcial do intervalo intrajornada.<\/p>\n<p>O empregador, em sua defesa, argumentou que o contrato era de 44 horas semanais, de segunda a sexta-feira, das 10h \u00e0s 19h, e, aos s\u00e1bados das 8h \u00e0s 12h. Mas, por acordo, ela n\u00e3o trabalhava no s\u00e1bado. As quatro horas desse dia eram fracionadas nos demais e, com isso, a jornada\u00a0tinha 48 minutos a mais.<\/p>\n<p><strong>Exig\u00eancia paradoxal<\/strong><\/p>\n<p>O Tribunal Regional do Trabalho da 10\u00aa Regi\u00e3o (DF\/TO) confirmou senten\u00e7a que julgou improcedente o pedido, porque a trabalhadora n\u00e3o havia comprovado o cumprimento da jornada alegada. Para o TRT, seria \u201cparadoxal\u201d exigir do empregador a anota\u00e7\u00e3o da jornada, conforme previsto quando a obriga\u00e7\u00e3o, na CLT, se aplica apenas \u00e0s empresas com mais de dez empregados.<\/p>\n<p><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o sist\u00eamica<\/strong><\/p>\n<p>O relator do agravo pelo qual a empregada pretendia rediscutir o caso no TST, ministro Alexandre Ramos, observou que, de acordo com a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/lcp\/lcp150.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">Lei Complementar 150\/2015<\/a>, que regulamentou o direito dos empregados dom\u00e9sticos \u00e0s horas extras, \u00e9 obrigat\u00f3rio o registro do hor\u00e1rio de trabalho. Contudo, a seu ver, a norma n\u00e3o pode ser interpretada de forma isolada.<\/p>\n<p>Ele considera que a lei foi um grande avan\u00e7o para a categoria, que, por muito tempo, n\u00e3o teve os direitos garantidos \u00e0s demais. Ocorre que a CLT, ao tratar da jornada de trabalho (artigo 74, par\u00e1grafo 2\u00ba), exige a anota\u00e7\u00e3o da hora de entrada e de sa\u00edda apenas para estabelecimentos com mais de 20 trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>Presun\u00e7\u00e3o relativa<\/strong><\/p>\n<p>Outro ponto abordado pelo relator foi a S\u00famula 338 do TST, segundo a qual a n\u00e3o apresenta\u00e7\u00e3o injustificada dos controles de frequ\u00eancia gera a presun\u00e7\u00e3o relativa de veracidade da jornada de trabalho alegada pela empregada, que pode ser afastada por prova em contr\u00e1rio. No seu entendimento, a s\u00famula trata de um contexto bem diferente da rela\u00e7\u00e3o de trabalho dom\u00e9stico, que, a princ\u00edpio, envolve pessoas f\u00edsicas e em que a disparidade financeira nem sempre \u00e9 significativa.<\/p>\n<p>Nessa circunst\u00e2ncia, aplicar a presun\u00e7\u00e3o relativa pela simples aus\u00eancia dos controles de frequ\u00eancia contraria os princ\u00edpios da boa f\u00e9, da verossimilhan\u00e7a e da primazia da realidade.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o foi un\u00e2nime.<\/p>\n<p><strong>PROCESSO RELACIONADO<\/strong>: <a href=\"https:\/\/consultaprocessual.tst.jus.br\/consultaProcessual\/resumoForm.do?consulta=1&amp;numeroInt=168785&amp;anoInt=2019&amp;qtdAcesso=59310273\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-senna-off=\"true\">AIRR-1196-93.2017.5.10.0102<\/a><\/p>\n<p><strong>FONTE<\/strong>: Com informa\u00e7\u00f5es da Se\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o Social do TST<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve a improced\u00eancia do pedido de horas extras a uma empregada dom\u00e9stica que n\u00e3o comprovou a jornada alegada na reclama\u00e7\u00e3o trabalhista e requeria que o empregador apresentasse folhas de ponto. Para o colegiado, n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel exigir que o empregador dom\u00e9stico mantenha controles de ponto quando empresas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":41226,"featured_media":989,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[560,562,559,561,64],"coauthors":[],"class_list":["post-988","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-empregador-domestivo","tag-horas-extras","tag-ponto","tag-presuncao","tag-tst"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/41226"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=988"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/988\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":990,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/988\/revisions\/990"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/989"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=988"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/boletimjuridico.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}